O sol ainda estava nascendo quando Douglas acordou.
Ele olhou para o lado da cama… mas Agatha não estava ali.
Lembrou então que ela tinha voltado para o próprio quarto na noite anterior. A conversa ainda pesava em sua mente.
Douglas se levantou, colocou uma camisa e desceu as escadas decidido.
Ele queria fazer algo simples… mas importante.
Levar o café da manhã para Agatha.
Na cozinha, uma das funcionárias já estava preparando o café.
— Bom dia, patrão.
— Bom dia — respondeu Douglas. — Prepare uma bandeja de café da manhã para mim, por favor.
A funcionária começou a organizar tudo: café, pão, frutas e suco.
Mas ela parecia um pouco nervosa.
Douglas percebeu.
— Aconteceu alguma coisa?
A mulher hesitou por um momento… mas então resolveu falar.
— Patrão… eu preciso contar uma coisa que aconteceu ontem.
Douglas franziu a testa.
— O quê?
A funcionária respirou fundo.
— Quando sua tia chegou… ela viu sua sogra no jardim.
Douglas ficou atento.
— E perguntou por que tinha uma empregada lá fora.
Os olhos de Douglas escureceram.
— Eu expliquei que não era empregada… que era sua sogra.
A funcionária continuou:
— Depois disso… ela disse coisas horríveis.
Douglas ficou em silêncio, ouvindo.
— Sua mulher desceu as escadas para cumprimentar ela… mas sua tia se recusou a tocar na mão dela.
Ele apertou os punhos.
— E ainda falou coisas humilhantes.
A funcionária abaixou o olhar.
— Mas quando o senhor chegou… ela fingiu que não tinha acontecido nada.
Douglas respirou fundo, tentando manter o controle.
Mas a mulher ainda não tinha terminado.
— Patrão… a mesa do jantar…
— O que tem?
— Foi ela que me obrigou a montar daquele jeito.
Douglas franziu a testa.
— Como assim?
— Ela mandou colocar todos aqueles talheres… justamente para humilhar sua mulher e sua sogra.
O silêncio tomou conta da cozinha.
Douglas ficou parado por alguns segundos.
Agora tudo fazia ainda mais sentido.
Ele pegou a bandeja de café da manhã.
— Obrigado por me contar a verdade.
A funcionária assentiu.
— Eu não achei justo o que ela fez.
Douglas subiu as escadas com a bandeja nas mãos.
Mas dessa vez… não era apenas tristeza que ele sentia.
Era raiva.
Quando chegou ao quarto de Agatha, bateu levemente na porta.
— Agatha?
Alguns segundos depois, ela abriu.
Os olhos ainda estavam um pouco inchados de tanto chorar.
Mas quando viu a bandeja nas mãos dele, ficou surpresa.
— Douglas…
Ele entrou no quarto e colocou a bandeja sobre a pequena mesa.
— Trouxe café da manhã para você.
Agatha olhou para ele, confusa.
Douglas então disse com calma:
— E também descobri toda a verdade sobre ontem.
Ela ficou imóvel.
— A funcionária me contou tudo… desde o momento que minha tia chegou.
Os olhos de Agatha se encheram novamente.
— Douglas… eu não queria causar problema na sua família.
Ele se aproximou dela.
— Você não causou problema nenhum.
A voz dele ficou firme.
— Quem causou foi ela.
Douglas segurou o rosto de Agatha com carinho.
— E isso não vai ficar assim.
Agatha percebeu algo diferente no olhar dele.
Algo decidido.
Porque agora Douglas estava pronto para colocar limites de verdade.
Depois de dizer aquilo, Douglas ficou alguns segundos olhando para Agatha.
Ela ainda parecia insegura, como se tivesse medo do que poderia acontecer.
— Douglas… — disse ela baixinho — não brigue com sua tia por minha causa.
Ele respondeu imediatamente:
— Não é por sua causa.
Agatha levantou os olhos.
— É porque ninguém entra na minha casa para humilhar as pessoas que eu amo.
Ela ficou em silêncio ao ouvir aquilo.
Douglas então pegou o celular.
— Onde ela está? — perguntou ele.
Agatha respondeu:
— Acho que ainda está no quarto de hóspedes.
Douglas assentiu.
— Então vamos resolver isso agora.
Agatha segurou o braço dele.
— Douglas… por favor…
Ele colocou a mão sobre a dela.
— Confia em mim.
Douglas saiu do quarto e caminhou pelo corredor até o quarto onde Helena estava hospedada.
Ele bateu na porta.
Alguns segundos depois, Helena abriu.
— Bom dia, sobrinho.
Ela parecia tranquila, como se nada tivesse acontecido.
Douglas entrou no quarto e fechou a porta.
— Precisamos conversar.
Helena cruzou os braços.
— Sobre o quê?
Douglas falou direto:
— Sobre a forma como você tratou Agatha e a mãe dela.
Helena fez uma expressão de falsa surpresa.
— Eu não sei do que você está falando.
Douglas a encarou.
— Eu sei exatamente o que você fez desde o momento que chegou.
O sorriso dela desapareceu.
— Uma funcionária me contou tudo.
Helena ficou irritada.
— Então agora você acredita em empregados?
Douglas respondeu com calma, mas com firmeza:
— Eu acredito na verdade.
Ele deu um passo à frente.
— Você chamou a mãe dela de empregada.
Helena não respondeu.
— Se recusou a cumprimentar Agatha.
Silêncio.
— E ainda armou aquela mesa ridícula para humilhá-las.
Helena finalmente falou:
— Eu só estava mostrando para você o tipo de pessoa que está trazendo para dentro da família.
Douglas respondeu sem hesitar:
— Eu sei exatamente quem estou trazendo para minha vida.
Ele continuou:
— Uma mulher honesta, humilde e que cuidou da mãe doente sozinha.
Douglas olhou diretamente nos olhos da tia.
— Diferente de muita gente da nossa família que só sabe julgar.
Helena ficou indignada.
— Você vai me desrespeitar por causa dessa garota?
Douglas respondeu firme:
— Não.
Ele apontou para a porta.
— Eu vou colocar limites.
Helena ficou imóvel.
— Você está me expulsando?
— Sim.
— Eu sou sua tia!
Douglas respondeu calmamente:
— E Agatha é a mulher que eu amo.
O quarto ficou em silêncio.
Helena percebeu que ele não estava brincando.
Ela pegou a bolsa com raiva.
— Você vai se arrepender disso.
Douglas apenas respondeu:
— Não.
Alguns minutos depois, Helena saiu da mansão.
Douglas ficou parado na porta da casa observando o carro dela ir embora.
Então ele respirou fundo e voltou para dentro.
Subiu as escadas novamente até o quarto de Agatha.
Quando abriu a porta, ela ainda estava sentada na cama.
— O que aconteceu? — perguntou ela.
Douglas respondeu com tranquilidade:
— Ela foi embora.
Agatha arregalou os olhos.
— Douglas…
Ele se aproximou dela.
— Ninguém que desrespeite você ou sua mãe vai ficar nesta casa.
Agatha sentiu os olhos se encherem de lágrimas novamente.
Mas dessa vez… não era tristeza.
Ela se levantou e o abraçou forte.
— Obrigada por ficar do meu lado.
Douglas segurou o rosto dela.
— Eu sempre vou ficar.
Naquele momento, Agatha finalmente começou a sentir que realmente tinha um lugar naquela casa.
E no coração dele.