Catarina Piromalli Assim que a porta se fechou atrás de Dante, levando o bebê com ele, um silêncio espesso tomou conta da suíte. Aquele tipo de silêncio que não se compra, não se mendiga… se conquista. Eu não desperdicei um segundo, girei o registro da banheira até que a água quente começou a correr em um fluxo vigoroso. O vapor começou a subir, enevoando o espelho. Peguei um frasco de sais de banho — lavanda e baunilha — e despejei uma generosa porção. O aroma doce se espalhou no ar, como um abraço invisível. Arranquei minhas roupas com a pressa de quem se livra de um fardo e entrei. A água quente abraçou cada músculo tenso, afundando até a alma. Respirei fundo. Fechei os olhos. Por alguns instantes, deixei que o mundo lá fora desaparecesse. Era estranho. Eu não conseguia me lembrar d

