Dante Mancuso Abri as portas que dividiam o quarto da sala com o bebê nos braços. A primeira coisa que vi foi o vestido. Preto. Estendido sobre a cama como se fosse um corpo em repouso, aguardando a hora certa para se mover.Na penteadeira, o conjunto de joias brilhavam sob a luz amarela, quase me encarando. Próximo ao vestido, os sapatos pretos de salto agulha pareciam afiados o suficiente para perfurar mais do que madeira. E, de pé junto à janela, Catarina desligava a extensão do quarto. O gesto foi rápido, quase displicente, mas eu conhecia bem o suficiente para saber que ela havia encerrado uma conversa importante. — Falando com Ivanov? — perguntei, minha voz mais seca do que eu pretendia. — Confirmando a reserva? Ela não respondeu. Apenas revirou os olhos, como se minha pergunta fo

