DANTE MANCUSO A voz cortou o ar como uma lâmina. Forte, grave, carregada de um sotaque russo espesso. Eu já sabia quem era antes mesmo de virar a cabeça. Ele surgiu como se tivesse se materializado do nada, vindo de um canto onde segundos antes não havia nada além de sombra. Alto, imponente, sem precisar de esforço para dominar o espaço. Uma barba rala sombreava o rosto anguloso, como se tivesse sido aparada com descuido — ou como se simplesmente não ligasse para aparência. Vestia uma jaqueta de couro preta, fechada até o pescoço, como se ignorasse o calor úmido das Bahamas. As botas pesadas batiam contra o piso de mármore polido com o som de uma sentença que se aproximava. Mas o que mais chamava atenção não era a altura, nem a postura, nem as botas. Eram os olhos. Dois pedaços de gelo

