CATARINA PIROMALLI O vento vinha do leste, quente e salgado, cortando meu rosto como navalha, mas eu não ligava. Meu instinto materno estava todo voltado ao bebê que eu protegia contra meu peito com firmeza, como se meus braços fossem muralhas capazes de parar o mundo. Seu corpinho tremia um pouco, mesmo enrolado na manta. Eu o envolvi mais, enquanto meus olhos vasculhavam o horizonte. A lancha avançava firme sobre as águas translúcidas, cortando o mar em velocidade constante. Cada gota de espuma que se erguia parecia estourar em câmera lenta, como se o tempo tivesse desacelerado apenas para nós. À minha frente, Dante permanecia de pé, atento. Seus olhos estavam fixos no caminho, mas não era o mar que o prendia. Era o que vinha depois: os iates de luxo organizados em fileiras, o quebra-m

