Pré-visualização gratuita Capítulo 1: O Garanhão Italiano
Becca.
A casa de Tally era uma casa dos sonhos — literalmente.
O pai dela a havia construído a partir de um sonho que ele teve, ou pelo menos foi o que ele nos contou quando éramos meninas.
Olhando para ela agora, eu acreditava nisso.
Mal sabia eu que, nesta casa, todos os meus sonhos começariam a se tornar realidade...
Cinco anos se passaram desde a última vez em que fui a Miami. Chegar à casa de Tally foi como se o tempo não tivesse passado. Passei tantos verões naquela casa que, ao chegar lá, parecia que estava cumprimentando um velho amigo.
A mansão tinha colunas altas e brancas que adornavam a varanda, acentuando os enormes arcos sobre as portas. A arquitetura era única, do gosto do pai de Tally, o que fazia sentido, já que ele a idealizou.
A diferença agora era que o telhado havia sido reformado com telhas terracota mediterrâneas, e a jardinagem estava completamente diferente, agora com um toque italiano. O Sr. Valentino havia até colocado uma fonte de mármore branco no jardim da frente, com uma deusa sendo adorada.
Ele realmente se superou e, com base na aparência de fora, eu m*l podia esperar para ver o que ele tinha mudado dentro. Aquela era minha casa longe de casa.
— Ai, meu Deus! — Tally gritou animada. — Olha só esse lugar! Papai realmente caprichou nas reformas, não é, Becca?
— É, ficou totalmente incrível. — respondi, olhando para Tally e balançando a cabeça.
Ainda bem que ela nunca foi à casa dos meus pais.
Por mais que eu não quisesse pensar, sabia que Tally julgaria o jeito como eu cresci — e ela com certeza o faria.
O padrão dela era ser impecável. Luxos desse tipo não eram possíveis para alguém como eu.
Eu não vinha de mansões, carros de luxo ou segurança rigorosa. Minha família não tinha iates, mordomos ou empregadas. Tudo o que parecia atender a qualquer necessidade de Tally estava ali.
Mas, no final das contas, isso não importava para mim. Eu amava a vida que vivia e era grata por também fazer parte da vida de Tally.
Como nos tornamos amigas, eu nunca entenderia, mas era grata por tê-la. Sempre estivemos lá uma para a outra em muitos momentos e, não importava o quanto nos irritássemos, éramos como irmãs.
— Estou morrendo de fome. Será que papai preparou algo para nossa chegada? — ela murmurou enquanto pegava suas coisas e olhava para mim. — Pronta para começar a festa?
— Claro. — Balançando a cabeça com um sorriso, observei ela se mover com entusiasmo em direção à porta da frente. Seu acabamento de mogno brilhava ao sol de Miami.
Linda. Era assim que a casa parecia.
Ao atravessar o limiar, era como ser instantaneamente transportada para a Itália. A decoração realçava cada centímetro do Vale da Toscana, destacando todos os aspectos daquela casa mágica.
A última vez que eu tinha vindo aqui foi quando os pais de Tally se divorciaram. Naquela época, a casa ainda tinha o estilo exagerado do gosto de sua mãe.
Ver agora a preferência do pai dela trazida à vida era uma visão revigorante.
— Papai! — Tally gritou, largando todas as suas malas no chão de qualquer jeito enquanto se dirigia para a cozinha. — Cheguei!
Eu não sabia por que Tally continuava agindo como se tivesse cinco anos, mas, ao mesmo tempo, estava tão fascinada pela decoração que não me importava. Cuidadosamente, coloquei minhas coisas ao lado das de Tally enquanto meus olhos se fixavam no teto e eu girava lentamente em círculos, absorvendo tudo.
— Talvez ele não esteja aqui — eu disse, enquanto meus olhos se encontravam com os dela mais uma vez.
— Ele está sim. O carro dele estava na garagem e ele me disse que tinha uma reunião longa. Foi por isso que não nos encontrou no aeroporto.
Revirei os olhos, e o canto dos meus lábios se levantou em um sorriso irônico enquanto me sentava em um dos altos bancos de bar vintage. Eu só aguentava um tanto de drama de Tally, e considerando que não estávamos nem há dez minutos lá, diria que isso era um novo recorde.
De qualquer forma, eu não queria participar da conversa que ela ia ter com ele. Eu já sabia como isso ia acabar.
— Bem — dei de ombros, — talvez ele tenha pegado outro carro?
Não é como se ele não tivesse dinheiro para isso.
— Isso é uma merda! — Tally gritou, frustrada. — Ele devia me receber assim que eu chegasse em casa.
Ah, aí está ela! Princesa Tally em sua melhor versão.
Enquanto meus olhos se voltavam para a janela da cozinha, avistei a figura de um Adônis nadando na piscina. Não havia dúvida na minha mente de quem era...
Porque eu já sabia. James Valentino. O deus grego do pai de Tally.
Desde os dezesseis anos, eu fantasiei em me esgueirar para o quarto dele e ser forçada a me submeter. A forma como seus dedos apertariam minha garganta enquanto me dizia que eu era sua boa garota... Eu sabia que era errado, mas ao mesmo tempo, era uma fantasia infantil. Uma que eu nunca ousaria compartilhar com Tally.
Sem contar que o pai dela jamais ousaria se aproveitar de uma jovem.
Mesmo que eu quisesse me entregar a ele.
— Uh, parece que ele está saindo da piscina — eu falei, tentando desviar minha atenção.
Por mais que eu tentasse tirar os olhos dele, não conseguia. Ele era hipnotizante, e com gotículas de água caindo por seu estômago definido, tudo o que eu conseguia fazer era babar.
Foda-se. Ele está ficando mais atraente com a idade?
— O quê? — Tally exclamou, olhando na direção em que eu estava olhando. — Nadando em vez de me receber quando eu entrei pela porta?
O desprezo na voz dela me tirou do transe e me fez revirar os olhos.
— Eu não entendo qual é o grande problema, Tally. Quem se importa? Estamos aqui agora e temos todo o verão para aproveitar.
Ela se virou para me encarar; seu olhar falava volumes sobre seu desagrado.
— Eu sei disso.
— Então? — Dei de ombros. — Então qual é o grande problema?
Ela cruzou os braços sobre o peito e bufou.
— Porque papai sempre me recebe na porta. Você não acha que ele tem uma mulher nova, acha?
Eu ri, olhando para ela com incredulidade.
— Sério? Essa é sua teoria?
— Bem... — ela deu de ombros, frustrada. — Eu li online que quando os homens mudam seus hábitos, geralmente é por causa de uma grande mudança... como uma mulher nova.
Deveria ter percebido isso. Foi o que aconteceu com o Chad, eu notei mentalmente com um suspiro.
Não conseguia entender o raciocínio dela.
— Isso seria, honestamente, uma coisa r**m?
— Sim! — ela gritou. — Oh, meu Deus, Becca. Isso seria a pior coisa de todas. Se ele quiser uma mulher, ele pode voltar para minha mãe.
Justo quando as palavras saíam de sua boca, a porta de vidro deslizante se abriu, e o homem mais lindo que eu já vi apareceu na entrada, completamente molhado e passando uma toalha pela cabeça.
O Stallion Italiano chegou. Deus, eu quero beijar os abdominais dele.
A piada suja que passou pela minha mente me fez morder o lábio inferior enquanto meus olhos escaneavam seu corpo de cima a baixo. Não importava quanto tempo passasse, eu ainda tinha o desejo de subir nele como um cavalo e montá-lo até o ano novo.
Quem sabe passar minha língua pelo corpo musculoso dele... Na verdade, eu não sou exigente.
— Onde você estava? — Tally retrucou com desaprovação, me tirando dos meus deliciosos pensamentos. — Eu esperava te ver e você não estava aqui. Não entendo.
Confusão passou pelos olhos dele enquanto ele a encarava surpreso.
— Querida, eu não pensei que seu voo chegaria antes de uma hora.
— Uh, não — ela respondeu com ironia. — Eu te enviei as informações do meu voo e te mandei uma mensagem.
— Sério? — ele perguntou, pegando o celular do bar e rapidamente rolando a tela.
Ela, impaciente, o observava.
— Sim, eu mandei.
— Desculpe, querida — ele deu de ombros. — Acho que isso passou pela minha cabeça. Vou compensar você.
Homem esperto. Homem esperto.
Quando se tratava de Tally, ambos sabíamos como agir. Porque, se Tally não conseguisse o que queria, parecia que a Terceira Guerra Mundial estava prestes a acontecer devido aos seus ataques de desdém e explosões de raiva.
— Tudo bem — ela suspirou. — Becca e eu estamos com fome e cansadas. Podemos pedir comida?
Quando seus olhos lentamente se voltaram para mim, ele franziu a testa, confuso.
— Becca?
Claro, ele não me reconhece.
— Oi — eu sorri, tentando não olhar para baixo.
A sunga dele não fazia nada para esconder o que estava entre suas pernas, e com a situação s****l inexistente para mim nas últimas semanas, eu estava com t***o.
Droga, Becca. Para de pensar coisas sujas sobre o pai da sua amiga. Que p***a!
— Você cresceu muito, Becca. — respondeu o Sr. Valentino, seu olhar escuro e sedutor percorrendo meu corpo de cima a baixo.
Merda. Ele estava me olhando?!
— É... — A falta de ar na minha resposta me fez limpar a garganta enquanto rapidamente desviava o olhar, tentando olhar para qualquer lugar, menos para ele. Não queria ser rude, mas se essa conversa não terminasse logo, eu acabaria revelando meus pensamentos sujos ao olhar para o p*u enorme dele de novo.
— Então... — ele murmurou, olhando entre as duas de nós. — Quais são os planos para o verão?
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Tally começou a falar sobre as festas e os passeios de barco que queria fazer. Mesmo eu sendo a convidada dela, ele já estava acostumado com o fato de que costumávamos fazer as coisas separadas.
— E você, Becca? — ele perguntou, me trazendo de volta ao presente. — Tem algo que você gostaria de fazer?
Sim, f***r com você até a loucura.
— Hum. Ainda não tenho certeza. Tive uns problemas feios nas últimas semanas, então estou querendo relaxar e aproveitar o meu verão. Depois, é voltar para a faculdade para meu último ano. — Sorri, balançando a cabeça enquanto um brilho de diversão cruzava os olhos dele.
— Ah, muito legal — ele disse, cruzando os braços sobre o peito. — Qual é o seu curso mesmo?
— Estatística e Ciência de Dados. — respondi, olhando para minhas mãos que estavam inquietas.
— Ela é uma nerd de matemática, pai. Dê a ela qualquer coisa relacionada a números, e ela responde rapidinho. Contabilidade e cálculos, essas coisas. Meio que como você. — A resposta de Tally me fez rir antes de limpar a garganta, percebendo que estava achando graça dela chamar o pai de nerd de matemática, basicamente.
— Algo assim. — ele respondeu, com a boca levantando um sorriso enquanto meu olhar encontrava o dele novamente. Eu não entendia o que se passava na cabeça dele naquele momento, mas estava intrigada para descobrir.
Tally pegou o celular e começou a responder a mensagem que havia recebido enquanto mascava a goma de chiclete rosa que tinha comido em algum momento.
— Merda. Becca, precisamos desfazer as malas. O Jesse quer que a gente se encontre para comer.
— Ah, ok — eu disse, sem muita empolgação. — Eu achei que íamos comer aqui.
— Eu posso pedir comida. — disse o Sr. Valentino, sorrindo enquanto olhava entre Tally e eu.
— Não, não — Tally bufou. — Vamos sair.
Me senti m*l pela situação no geral. O Sr. Valentino não sabia que íamos chegar tão cedo, e Tally estava agindo como uma criança. Mesmo que eu a amasse muito, a forma como ela estava agindo era inaceitável.
— Tudo bem então — ele sorriu. — É muito bom ter você em casa, querida. Espero que possamos passar um tempo juntos enquanto você está aqui.
A ideia aqueceu meu coração e me fez sentir falta do meu próprio pai. Mas, na verdadeira moda de Tally, ela não compartilhava o mesmo sentimento doce que eu.
— Eu vou arranjar um tempo — ela respondeu enquanto começava a subir as escadas. — Rosa pode levar nossas coisas para cima, por favor? Preciso desfazer as malas e tomar um banho.
Enquanto Tally desaparecia de vista, eu balancei a cabeça e pulei do banco do bar.
— Obrigada por me deixar ficar no verão, Sr. Valentino. Eu agradeço.
Os olhos dele se desviaram de onde sua filha havia desaparecido para mim, e quando ele me olhou, eu não pude evitar me sentir pequena sob seu olhar.
— Não há necessidade de me agradecer, Becca. Além disso, você poderia me chamar de James?
Primeiro nome? Ah, merda... Becca, pare, você está interpretando demais.
— Se é o que você prefere... James — respondi suavemente, batendo as pestanas de forma insinuante. — Melhor eu ir indo. Acho que nos vemos por aí.
Levantando uma sobrancelha, o sorriso dele não vacilou enquanto ele acenava com a cabeça.
— Oh, com certeza você verá.