James
— Daniel, como você pode ver, há inúmeras maneiras de ajudarmos você a lucrar mais com sua indústria, caso escolha a nossa empresa. Nossa seção de importação e exportação supera, de longe, a de nossos concorrentes.
Observei o CEO da Citadel Furnishing pensar na minha proposta. Eu havia passado meses tentando fechar esse acordo, e depois de semanas de negociações, sabia, sem sombra de dúvida, que já tinha vencido.
Um sorriso surgiu no rosto do homem enquanto ele assentia.
— Vamos fazer isso — respondeu, estendendo a mão, que eu prontamente apertei.
— Estou ansioso pelo nosso futuro juntos. Se puder aguardar só um momento, pedirei para a Evette trazer os documentos para você assinar. Depois disso, alguém irá acompanhá-lo em um tour pelos nossos portos, para que veja o melhor da nossa empresa.
Evette trouxe os papéis, Daniel assinou, e então eu o encaminhei para o tour prometido.
Assim que ele saiu, peguei meu telefone, que havia vibrado algumas vezes durante a reunião.
Tally.
A garota era uma dor de cabeça, mas como minha única filha, eu a amava, independentemente do que fizesse. Ela era a princesa no meu reino, e eu, o rei do meu castelo. Por anos, tentei corrigir o comportamento de Tally, mas sua mãe sempre foi um obstáculo.
“Vou receber algumas pessoas hoje para uma festa na piscina.”
Balancei a cabeça e suspirei. Não adiantava discutir com essa menina.
“Tudo bem. Estarei em casa no final da tarde. Vocês precisam de alguma coisa?”
Alguns momentos se passaram, e vi as bolhas de digitação no chat aparecerem.
“Estamos bem. Olha só.”
Uma foto surgiu na tela, e eu sorri ao ver minha linda filha, Tally, usando um chapéu de palha e uma saída de praia por cima do maiô. Ela era linda, exatamente como a mãe.
“Você está linda, querida. Cuidado. Vejo você mais tarde. Beijos.”
Assim que enviei a mensagem, outra foto chegou, e essa me fez gemer internamente. Minha mão apertou o celular ao encarar o rosto sorridente na tela.
Era Becca. A linda amiga da minha filha que deveria ser intocável.
Desde o momento em que pus os olhos em Becca, senti algo diferente. Um desejo, uma fome que me fazia querer saber mais.
Eu sabia que era errado, mas, meu Deus, ela era a mulher mais linda que eu já tinha visto.
Seus cabelos estavam presos em um r**o de cavalo alto, destacando o elegante comprimento do pescoço. Um maiô preto, justo ao corpo, realçava cada curva deliciosa da sua pele.
A visão fazia minha boca salivar de vontade de prová-la.
Nunca antes me interessei por essa garota, mas agora, mesmo tentando ao máximo ignorar esse sentimento, não conseguia evitar.
Aquela menina rechonchuda e sem curvas havia se transformado em uma mulher alta, deslumbrante, de cabelos castanhos e olhos azuis, com um corpo que a maioria das mulheres invejaria.
Vê-la na outra noite, na cozinha, foi uma surpresa, mas me lembrar dela se esticando para alcançar o armário, a regata branca subindo, e os shorts cor-de-rosa moldando perfeitamente o traseiro escultural... Bem, só esse pensamento já era suficiente para me deixar e******o.
Ela era absolutamente espetacular, e eu não queria nada mais do que incliná-la sobre aquele balcão e fazê-la minha.
O pensamento nojento revirava meu estômago, mas, como se meus instintos sexuais assumissem o controle, essa sensação desaparecia rapidamente. Eu a queria mais do que já quis qualquer pessoa.
Eu precisava t*****r.
Como se fosse planejado, a porta do meu escritório se abriu, e uma loira alta entrou, com batom vermelho vibrante. O vestido azul justo realçava cada curva no lugar certo, mas o problema era que ela não era quem eu queria ver.
— Katrine. A que devo o prazer?
Seu sorriso se abriu enquanto ela empurrava minha cadeira para trás e sentava no meu colo.
— Por que você não veio me ver? — O forte sotaque russo dela preencheu o ambiente enquanto ela se inclinava para trás no meu colo, batendo os cílios. — Precisei esperar uma semana e vir até aqui.
— Eu já disse, Katrine, estou ocupado no momento.
As sobrancelhas dela se franziram enquanto fazia um biquinho que talvez funcionasse com a maioria dos homens, mas não comigo. Tally tinha aperfeiçoado essa expressão, e eu já estava mais do que acostumado a não cair nela.
— Achei que você sentiria minha falta. — ela choramingou, enquanto eu exalava, irritado.
Apertando a ponte do nariz, balancei a cabeça e a ajudei a sair do meu colo.
— Eu já te disse que não lido bem com sentimentos, Katrine.
Os lábios dela se entreabriram, e seus olhos se estreitaram.
— Estamos saindo há meses...
— Sim, e como eu disse na primeira noite, isso não vai passar disso. É só sexo, Katrine, e você disse que entendia. Não entendo por que veio até a minha empresa.
Tínhamos uma única regra, e ela sabia qual era.
— Você é meu, James — respondeu firmemente, cruzando os braços sobre o peito. — Não entendo por que está agindo assim. Eu não te faço feliz?
Era óbvio que essa conversa não levaria a lugar algum, e com meu próximo compromisso chegando em menos de uma hora, eu precisava me concentrar no trabalho.
— Evette! — chamei, observando a porta se abrir e revelar minha assistente, sempre pontual.
— Sim, senhor Valentino?
— Pode acompanhar Katrine até o carro? — pedi, observando o choque tomar conta do rosto de Katrine.
— Claro. — Evette se aproximou do braço de Katrine, mas foi rapidamente repelida pela raiva que cresceu nos olhos que antes eram sedutores.
— Você está me expulsando?! — ela gritou. — Você não pode fazer isso comigo!
Divertido, me inclinei na cadeira e a observei.
Isso não é nada atraente. Talvez seja melhor assim.
— Acho que você verá que eu posso. Agradeço pelos seus serviços, Katrine, mas eles não serão mais necessários. Desejo tudo de bom no futuro.
Frio. Era assim que eu precisava ser. Nunca tive a intenção de machucar as mulheres com quem me envolvia, mas não podia permitir que pensassem que haveria algo além disso.
Sempre me pintavam como o vilão. Não importava quantas vezes eu deixasse claro desde o início que não queria um relacionamento exclusivo, nem que seria algo além de sexo. Elas nunca me ouviam.
— Você vai se arrepender de fazer isso comigo! — Katrine avisou, fazendo o canto dos meus lábios se erguer.
— Isso é uma ameaça, senhorita Solkova?
Rindo, ela balançou a cabeça.
— Não, é uma promessa. O karma vai te alcançar.
Se virando nos calcanhares, ela saiu do meu escritório, deixando Evette parada ali, me encarando.
— Senhor Valentino, posso dizer algo?
— Claro, Evette. O que você tem em mente? — respondi.
— Se eu tiver que começar a jogar na defesa por causa de mulheres como essa... vou precisar pedir um aumento, um bônus ou algo assim.
Uma gargalhada escapou dos meus lábios com sua observação.
— É mesmo?
— Sim, senhor. Chame de adicional de insalubridade, se quiser — Evette suspirou, balançando a cabeça. — O senhor quer o seu café da tarde?
— Sim, sim. Seria ótimo. E vou considerar o adicional de insalubridade.
— Obrigada, senhor. Já volto.
Quando a porta se fechou, não pude evitar rir comigo mesmo do comentário dela. Ela queria um adicional se tivesse que lidar com as mulheres da minha vida, e, honestamente, eu não a culpava.
À medida que a tarde avançava, mergulhei no trabalho. Até que, ao procurar um documento no celular, me deparei novamente com a foto de Becca.
Seu corpo lindo e sorriso despreocupado... me cativavam.
A ideia de garotos na minha casa, festejando com minha filha e Becca, não me agradava. Sabia que as garotas já eram maiores de idade, mas a possibilidade de Becca se interessar por um daqueles jovens me incomodava.
Especialmente porque, pelo jeito como agia perto de mim, ela poderia estar interessada em mim.
Merda! O que há de errado comigo? Essa garota está me deixando completamente desorientado.
— Senhor, seu compromisso das quatro horas ligou para cancelar — informou minha secretária da porta do escritório, me tirando dos pensamentos.
— Tudo bem. Na verdade, surgiu uma emergência, e preciso ir para casa. Veja se consegue reagendar para mim.
— Claro, senhor. Precisa de mais alguma coisa?
Meus olhos encontraram os dela brevemente, mas meus lábios não disseram uma palavra. Isso foi o suficiente para ela entender que eu estava falando sério e fechar a porta, me dando tempo para refletir sobre o que eu estava prestes a fazer.
— Paul — disse ao telefone, chamando meu motorista —, traga o carro.
Era hora de ir para casa e ver como as garotas estavam. Afinal, que tipo de adulto responsável eu seria se não fizesse isso?