A mesa de jantar estava posta como sempre: impecável, exageradamente farta, como se fosse brunch de hotel cinco estrelas. Pratas brilhando, sucos frescos, pães artesanais, frutas cortadas com perfeição milimétrica, café sendo servido pelos empregados que circulavam em silêncio absoluto. Dante desceu as escadas já vestido para o trabalho, camisa branca ajustada, blazer escuro bem passado, expressão fechada. A noite anterior ainda queimava na memória, mas a manhã… a manhã estava um caos emocional. Karla e Karen já estavam sentadas à mesa, mexendo nos pratos com aquele ar de quem quer puxar assunto. — Bom dia, Dante — disse Karen, sorrindo demais. — Bom — ele respondeu, seco, puxando a cadeira e servindo café como se estivesse sendo obrigado a existir. As duas trocaram olhares. Ele estav

