Ele fechou os olhos um instante, respirando fundo. — Você tá enganada. — Não tô. — Clara guardou uma pasta com mais força do que deveria. — E quer saber? Termina isso sozinho. Eu vou descansar em casa. Antes, Dante teria se exaltado. Teria levantado a voz, discutido, feito valer sua autoridade. Agora, apenas olhou para ela e assentiu devagar, cansado demais para qualquer outra coisa. — Vai. — murmurou. — A gente continua amanhã. Clara saiu sem olhar para trás. Dante ficou ali, sentado, encarando os papéis bagunçados… e o cheiro dela, da mulher que amava, ainda grudado na pele. E o pior era que, mesmo diante do caos, mesmo da suspeita latejando na cabeça… bastava lembrar da risada de Elisa, ali no colo dele, e tudo dentro dele se embaralhava. ** Já passava das onze quando o quarto

