Capítulo 31 — Noite de Caça

1544 Palavras

Camilla A noite tinha um silêncio errado. Não era o silêncio de quem dorme. Era o silêncio de quem escuta. O morro inteiro parecia com o ouvido colado no chão, esperando o próximo barulho pra decidir se corria… ou se virava bicho. Eu estava no quarto do fundo da Dona Nena, com a janela alta mostrando só um pedaço de céu e laje, quando ouvi o primeiro som: moto subindo devagar demais. Depois outra. Depois outra. Sem funk, sem gritaria, sem “cheguei”. Só motor e intenção. Meu estômago afundou. Livre não significa segura. Eu já tinha aprendido isso. Mas naquela hora eu entendi o tamanho da frase. A porta da casa rangeu e Dona Nena apareceu no corredor, descalça, o coque torto, o rosto sério de quem já viu o mundo repetir o mesmo inferno em versões diferentes. — Menina… vem pra cá. Agor

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