Lobão Eu saí do quarto dela com gosto de sangue e boca quente. Não do ferimento. Do beijo. O corredor parecia estreito demais pro tamanho da merda que eu tinha acabado de fazer. O rádio ainda chiava no meu ouvido, chamando meu nome, mas o que martelava dentro de mim era outra coisa: a mão dela na minha camisa, o jeito que ela me puxou de volta, o “isso foi um erro” dito com a mesma falta de ar que eu tava. Erro. No morro, erro é coisa que mata rápido. E eu tinha acabado de arrumar um erro com nome, olhos vivos e uma boca que agora eu conhecia demais. — Lobão! — Careca apareceu na curva do corredor, a voz seca. — O chefe te quer. Agora. Eu passei a mão no rosto, tentando arrancar qualquer sinal do que tinha acontecido. Vesti a máscara no susto, do jeito que faço desde moleque. — T

