Lobão O primeiro aviso nunca vem como guerra. Vem pequeno, quase educado. Vem como uma pedrada no telhado, como um sussurro errado no rádio, como um tiro perdido que todo mundo finge que foi “do nada”. O morro vive disso: de fingir que não viu até que o sangue o obriga a enxergar. Eu estava na sala de operações quando o rádio chiou com uma voz que não tremia, mas vinha apertada, o tipo de aperto que o homem tenta esconder pra não contaminar os outros. — Lobão… estourou lá embaixo. Eu não perguntei “onde”. Quem manda aprende a ouvir o resto no silêncio da frase. Levantei devagar, sem pressa, e peguei a arma que eu nem gosto de encostar quando não é necessário. Não é moral. É cálculo. Arma na mão muda o jeito que os outros te veem — e eu precisava que me vissem como comando, não como i

