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1073 Palavras

SOL NARRANDO Descemos a rua juntas, eu e Dona Rosa, sacolinha com garrafa de café e pão na mão, sol batendo na laje e poeira de obra já anunciando o caminho. De longe dava pra ouvir martelo, serra, gente falando alto. Cheiro de cimento com água — aquele perfume de começo que eu amo. Viramos a esquina e minha casa apareceu aberta, içame de telha no chão, rolo de fio encostado, caixote de ferramenta, duas escoras segurando o vão da sala. Márcio tava no auge: trena no bolso, lápis na orelha, camisa surrada, dois ajudantes indo e vindo que nem formiga. Ele olhou, levantou o queixo educado. — Bom dia, dona Rosa. Bom dia, Sol. — Bom dia! — minha mãe já foi direto na alegria. — Olha isso, minha filha… o teto nem pinga mais só de olhar. Eu ri, aliviada por um minuto. Botei a sacola na pia vel

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