Dylan continuava a me encarar, e David pôs a mão em meu ombro. Eu guardei minha arma na minha cintura, e cruzei os braços, tentando acalmar os batimentos do meu coração.
— Só te disseram isso? — perguntei.
— A tarefa deles é só pegar os códigos em uma maleta. — E então recordei da transferência bancária que o algoritmo detectou.
— Eu identifiquei uma transferência bancária de alta quantia nas últimas horas. — Vou até meu notebook, e o algoritmo já havia descodificado as informações. Dylan e David ficam de cada lado de mim. — É uma conta clandestina, o dinheiro veio das Ilhas Caymans, mas a conta que enviou tem um nome falso no registro... — termino de ler as informações, e suspiro, decepcionada.
— Qual o valor da quantia? — David pergunta.
— Doze milhões. Provavelmente esse é o pagamento dos seus amigos, ou uma parte do pagamento. — Aviso a Dylan, que suspira ao meu lado.
— Precisamos falar com Tobias. — David volta a insistir.
— David... — o chamo, me sentindo exausta.
— Tem como você hackear o computador do Bucky para enviar uma mensagem? — e eu suspirei, ao meditar sobre o que ele disse.
— Hackear... — sibilei.
— É!
— Posso gastar esse tempo para fazer melhor, posso interceptar o pagamento, e eles não farão a entrega. — Aponto para o notebook.
— Eles venderiam para outra pessoa, é arriscado. — Dylan retruca.
— E não fazer nada é seguro? — me viro para ele, e ele revira os olhos.
— Pelo menos temos um nome e um rosto — e dessa vez sou eu quem revirou os olhos.
— Mas Kate, e o Bucky...? — David volta a insistir.
— Não tenho o endereço de IP do computador dele, mas você pode ligar pra ele, já não temos mais o que fazer. Não temos direção... — dou de ombros, me afastando dos dois.
Eu sentia que estava enlouquecendo. Era muita informação.
— O que acha, Dylan?
— Concordo com ela — David se apressa digitando num aparelho celular, mas então meu notebook escurece a tela, como tivesse se desligado. Eu me aproximo, e me preocupo com o algoritmo. E se o sistema do algoritmo falhou? — O que foi?
— O notebook — David aponta. Eu me aproximo, talvez se reiniciasse-o ele voltasse a funcionar normalmente. E então a tela pisca outra vez, e códigos em letras verdes aparece.
— Estou sendo hackeada nesse momento — eu puxo o pendrive onde se encontrava o sistema do algoritmo, o guardando no bolso.
— Destrua o notebook. — Dylan ordena.
— Espera, e se for o Bucky? — David retruca.
No mesmo segundo, entre parenteses, aparece a frase "Tentem de novo!". Eu olhei boquiaberta para Dylan e David.
— Estão nos assistindo? — David pergunta.
Meu raciocínio dava voltas dolorosas. David se exalta ao meu lado, achando que seria o inimigo. Dylan começa a praguejar, preocupado. E eu continuava a pensar, encarando a maldita tela.
— Helena? — os dois se silenciaram ao meu lado, e nós três encaramos ansiosos a tela esperando por uma resposta.
Alguns segundos depois outra mensagem surge na ta: "Sempre achei você a mais esperta do grupo...".
— Mas que p***a! Onde você está? — Dylan grita segurando o aparelho, suspendendo‐o da mesa.
Eu estava suando frio, minha cabeça ainda latejava de dor. Helena estava nos assistindo esse tempo todo? Ela sabia de toda a operação? David mandava Dylan se acalmar, quando outra mensagem surgiu na tela: "Estou num lugar seguro, não se preocupem, logo tudo irá se resolver. Mas estou preocupada com essa questão dos códigos nucleares. O que mais sabe sobre isso, Dylan?".
— Eu não estou entendendo mais nada... — David sai de perto. — Então, ela não foi sequestrada?
— Ela deve ter fugido para proteger o bebê. — Eu pensei alto.
— Não faz sentido — Dylan bufa.
— Quando Eduard descobrir sobre isso, ele vai te odiar... — eu digo, olhando para a câmera do notebook.
Logo ela nos responde: "Eles não estão preocupados comigo, não estão atrás de mim, só vocês estão, e eu peço que parem. Logo, logo serei dada como morta, e essa situação se encerrará. Contudo, sobre os códigos nucleares... Foi ideia do avô do Dylan, mas parece que outra pessoa está envolvida com isso."
— Nós soubemos que foi meu irmão quem pagou os mercenários. Então quer dizer que os Prier's querem comprar os códigos?
"Eu lamento pelo o seu irmão, Kate, sua teoria estava certa. Quem pagou o seu irmão para explodir o complexo dos Prier's foi os o líderes da gangue mexicana, então tudo indica que Mikhael venderá os códigos para eles. Mas, só para adicionar à conversa, a história da minha adoção era apenas uma distração."
Dylan fecha o punho e bate na mesa.
— Merda – praguejo.
— Estamos andando em círculos esse tempo todo. Por que você fugiu? Por que não nos avisou antes que estava bem? Não teríamos começado esse circo. Pessoas morreram. – Dylan continua.
"Sinto muito por ter preocupado vocês, mas não fui eu quem começou tudo isso. Quando eu ouvi os planos de seu avô sobre as armas nucleares, eu quis fugir no mesmo segundo. Eduard me impediu porque era perigoso partir de repente. Mas, quando eu soube da gravidez, não pude mais esperar. Ele não quis vir comigo, achou que seu avô fosse nos caçar para nos matar. E eu não dúvido que ele realmente nos matasse. Ele ainda te odeia por ter desertado, imagine o filho também desertar, seria um insulto para ele. Se todos achassem que fui raptada seria melhor e mais seguro para mim, já que pretendo planejar a minha morte. "
— Então, todo esse plano sobre os códigos já tem um tempo... E você, está sozinha? — "Sim, é mais seguro."
— Vamos contatar o Tobias, ele vai nos ajudar! — David informa. "Tobias não desistirá de me encontrar. Preciso que esperem até que a notícia sobre minha morte seja divulgada."
— Então você viverá como um fantasma... – Dylan bufa.
— Como será essa notícia? — Pergunto.
"Ainda estou resolvendo, mas será em breve. Sejam pacientes comigo mais um pouco. Eu amo todos vocês, e eu cuidarei bem dessa criança. Ela não fará parte disso tudo. Eduard aceitou a condição, espero que vocês também aceitem."
— Condição? — Dylan questiona.
"Eduard decidiu sacrificar nosso relacionamento. Ele vai continuar na organização, e fazer com o que nunca encontrem a mim ou ao nosso filho. Espero que vocês também entendam. É assim que prefiro que seja. " Nós três nos entreolhamos.
— O que vocês acham?
— Acho que ela está certa. — David opina. — Mas Tobias ficará arrasado. Você precisa deixar nós contarmos para ele que está viva. — "Tudo bem, mas Eduard não poderá saber que vocês sabem."
— E, também prometa que se precisar de qualquer coisa, ou tiver problemas, irá nos contatar! — encaro seriamente a webcam.
"Eu irei, obrigada pela compreensão de vocês. Resolvam a questão das armas nucleares, isto é muito mais sério. Adeus!" E então meu notebook reiniciou normalmente.
— O que faremos? Agora estou perdido! — David joga o celular na mesa.
— Nós... — meus lábios tremiam. Por que de repente ficou tão frio? — Acho que...
— O que você tem? — Dylan me questiona, estreitando os olhos para mim.
Eu suspiro, tentando acalmar meu organismo. Realmente não estava me sentindo nada bem.
— Estou bem, vamos resolver logo isso... — gesticulei com as mãos.
— Você não está com cara de quem está bem — David tenta chegar perto.
— Só liga pro Tobias e conta sobre a Helena! — eu disse, mas Dylan se aproxima de mim. — Que foi? — Pergunto, sentindo-me irritada.
— Deixa de ser orgulhosa, e fala o que está sentindo, você tá pálida. — Ele também parecia bravo.
— Só estou cansada! — respondi, tão rude quanto ele.
— Então está resolvido, você — ele aponta para David —, vai ligar para Tobias, e vai responder as perguntas que ele fizer, nada mais que isso. Ele vai pensar e resolver nossa posição. E você — ele toca na minha barriga —, vai dormir.
— Você fala como se fosse apenas fechar os olhos — na verdade, eu não conseguia tirar da cabeça que meu irmão estava roubando armas nucleares.
— Na verdade, sim, é só deitar e fechar os olhos.
Ele pega no meu braço, e me puxa até o canto da sala. Ele me solta, e estende um tecido preto no piso, no canto da parede. Ele pega sua mochila, e puxa um casaco moletom. Ele dobra e o deixa num canto.
— Deite, e use o casaco com o travesseiro.
— Descanse, Kate, te passaremos mais informações quando acordar. — Eu encarei os dois, e principalmente Dylan.
Eles tinham razão, eu precisava descansar, antes que pirasse de vez. Era muita informação para minha cabeça. Mikhael, Helena, Dylan...
Eu me recolhi no canto, enquanto eles sentavam nas cadeiras, conversando baixo. Eu respirei fundo e fechei meus olhos, precisava desse tempo. E, Dylan estava certo, eu entrei num sono profundo assim que fechei meus olhos. Realmente, eu estava psicologicamente exausta.