Eu estava tonta de tanto olhar para a tela do notebook. O algoritmo de Carol demorava mais do que calculei, mas havia detectado dois endereços de IP que acessaram o banco de dados de criminosos procurados nas últimas horas, os dois estavam registrados em um nome apenas, "Nagato Taneda".
Eu me virei para Dylan, e fico surpresa de notar que ele estava me observando, ainda sentado no piso da nave. Lambi meus lábios devolvendo o olhar.
— Tenho um nome, Nagato Taneda, conhece?
— É da Yakuza, tráfico humano, ele também vende serviços de ex combatentes que agora são mercenários. — Ele respondeu tranquilamente. — Por que esse nome?
— Ele foi rastreado pelo o algoritmo, e se ele foi contratado para também ir atrás de Helena? — ele respirou fundo.
— Tenho um conhecido no grupo dele, quando terminarmos, vou contatá-lo e tentar descobrir alguma coisa. — Ergui uma sobrancelha.
Por que Dylan seria amigo de um cara que trabalha para esse Nagato? Talvez seja da época em que ele mesmo trabalhava como mercenário.
— Tudo bem — me virei de volta para a tela. Estalo meu pescoço, sentindo todo o meu corpo tenso.
— Você realmente desconfiou de mim? — me virei para ele, com o cenho franzido.
— Se sente ofendido? — ele estava sério, e então sorriu debochado.
— Eu só não esperava isso de você. — Sim, ele acha que sou cega de desejo por ele.
— Eu sou bastante profissional, Dylan. — Eu sorri debochada para ele também. Ele acha mesmo que pode brincar comigo?
— Não o suficiente, se você suspeitava de mim, não deveria ter admitido, isso poderia nos comprometer e um acabar tendo que matar o outro. — Eu estreitei os olhos para ele, sentindo um frio na barriga. Eu me levantei da cadeira, e me aproximei dele, mas ainda me mantendo distante. — Estou errado? — ele continuava sentado, parado, despreocupado.
— Estamos ainda no "se", ou está insinuando que eu deveria me preocupar? — eu soltei meus cabelos, e respirei fundo.
Dylan estava brincando com meu psicológico de um jeito muito m*****o, deixando-me ainda mais tensa do que já estava.
— Apenas assuma que não é tão boa quanto pensa... — eu não me segurei.
Quis dar um soco no seu rostinho bonito, mas ao invés disso, caminhei rapidamente até ele, pus uma perna em cada lado de seu quadril, e me agachei, sentando em seu colo. Ele parecia surpreso, mas segundos depois estava agindo como se "aquilo" não fosse nada.
— Você quer me provocar por quê? O que você quer? — apertei os dentes, sob seu olhar calmo.
— Só estou te provando que você não é tão boa quanto pensa que é, Katherina — ele suspirou. — Se está nervosa, deve ser porque ainda suspeita de mim. E sentou no meu colo para impedir que eu pegue minha arma no coldre. — Ele apoiou suas mãos no piso, atrás do seu quadril, deixando seu tronco mais alto, afirmando sua arrogância. Maldito.
— Não seja por isso, tire minhas dúvidas de uma vez — eu me apoiei em seu ombro, e fui para mais perto dele, saindo de cima de seu coldre. Meu sexo estava sobre o p*u dele, e ele m*l reagiu sobre isso, apenas acompanhou com o olhar o que fiz. — Pode fazer o que quiser agora.
Eu não pude negar a excitação tomar conta das minhas aitudes. Eu não acreditei que aquilo estava mesmo acontecendo. Ele estava sério, e não desviou o olhar quando se aproximou devagar. Seu rosto estava se aproximando, assim como suas mãos.
Eu segurei o ar nos pulmões assim que seu rosto chegou a um centímetro perto do meu, e suas mãos foram para trás do meu corpo, sem tocar em mim. Será que ele iria mesmo sacar a arma do coldre? Ele apontaria uma arma para mim? Ele seria capaz de me matar? Será Dylan um traidor mesmo?
A ansiedade estava me corroendo, em um momento ele não se movia mais. E com o coração a galope, tomei coragem para questioná-lo.
— E então, essa insinuação toda é para me beijar, ou para me matar? — ele continuou parado por um tempo, e depois sorriu, voltando a se afastar.
— Você é muito irritante — eu fechei forte minhas mãos, e quis bater diversas vezes naquele peito duro e gostoso.
Eu ainda estava excitada, quando aceitei o fato de que ele novamente estava brincando comigo, e me apoiei outra vez em seus ombros, mas dessa vez era para me levantar.
Foi quando, num segundo apenas, eu senti suas mãos me puxarem com força, e sua boca tomar a minha.
— Hum... — eu encaxei nossos lábios e continuei aquele beijo forte.
Seus lábios eram ásperos e rígidos, e seu toque era firme e gelado. Suas mãos estavam frias como pedras de gelo. Uma delas apoiava minhas costas, inclinando o meu tronco para frente, para ele. Enquanto sua outra mão puxava minha nuca.
Eu estava tão surpresa, que não sabia o que fazer. Eu não sabia onde apoiar as minhas mãos. Meu corpo respondia a sua investida sem meu consentimento. Quando me dei conta, eu estava me esfregando em seu sexo, e ele suspirava enquanto me beijava. Eu não sabia se era porque estava supresa, ou porque ele era tão bom em me deixar louca, que eu estava quase gozando com aquele atrito e com aquele beijo gostoso.
A realidade era mais deliciosa que meus sonhos eróticos com ele.
Dylan me apertou mais forte, me deixando mole em seus braços. Meus lábios se soltaram dos seus, e eu não consegui conter o gemido que verbalizou meu desejo naquele segundo.
Eu agarrei seus ombros, e olhei no fundo dos seus olhos. Eu não reconhecia aquele Dylan, com uma expressão perdida no rosto, era como se ele estivesse se perguntando o que estava fazendo. Por que isso era tão errado pra ele? Seus olhos estavam estreitos, e sua boca entreaberta. Ele estava duro em baixo de mim. Ele estava tão imerso naquela bolha quanto eu.
Seus dedos frios encostaram em minha barriga, e eu entendi que ele iria tirar a minha blusa. Ele olhou para baixo, e eu senti seu suspiro em meu decote, me deixando ainda mais sedenta. Seus dedos estavam descendo as alcinhas da minha blusa, me arrepiando por completo, enquanto encarava meus p****s com a boca entreaberta.
Quando um barulho na porta nos chamou atenção.
Nós nos encaramos assustados, e eu pulei do seu colo com sua ajuda, enquando ele se pôs na minha frente. Ele se aproximou da porta, sacando sua arma do coldre. Eu me apressei fechando meu macacão, e fui até minha mochila, para também me armar, quando uma voz conhecida nos chamou pelo os nossos nomes.
— Kate, Dylan, sou eu! — eu respiro fundo aliviada, guardando minha arma de volta na bolsa. Dylan abre a porta, e o loiro adentra, eufórico.
— Espero que minha moto esteja inteira — reclamei. Ele tira o capacete da cabeça, e nos encara com um sorriso.
— Atrapalho? — Dylan fechou a porta e me encarou, passando a mão nos cabelos bagunçados.
— Fala logo o que descobriu — o moreno chama a atenção de David, e eu aproveito para arrumar meus cabelos num coque.
— O cara me deu um endereço, disse que iria acontecer uma negociação importante, parece que os mexicanos vão sair da toca, finalmente! — me aproximo de David.
— Quem vai negociar com quem? E negociar o quê?
— O informante de Tobias disse que poucos homens sabem, mas Helena não está com os mexicanos. Ninguém sabe onde ela está. — Eu encarei Dylan boquiaberta, e ele estava tão surpreso quanto eu. — Essa história de ele ser filha biológica do líder da mafia mexicana é furada.
— Mas onde diabos Helena está? — eu ando até meu notebook. — Ela fugiu? Ou realmente foi sequestrada por outra pessoa?
— Nagato Taneda — Dylan lembra. Ele vai até sua mochila, e tira um celular. Ele digita alguma coisa, e põe no ouvido. — Ressler? Dylan Prier falando. Está podendo falar?... Está bem, onde?... Estarei lá. — Ele desliga o aparelho. — Vou encontrar com ele daqui a pouco.
— E quem é esse Nagato? — David se aproxima de mim.
— m****o da Yakuza. Trabalha com mercenários. — David se assusta.
— E o que fizeram vocês pensarem nele?
— O algoritmo de Carol identificou ele nas pesquisas. Mas, David, por que o cara te deu o endereço de onde vai acontecer a reunião? Por que iríamos atrás dos mexicanos? — questiono.
— Ele acha que devíamos estar lá.
— Por quê? — Dylan suspira.
— Tem coisa grande vindo por aí, foi o que ele disse...
— Mas e Helena? Vai ser tirada de foco outra vez? Não podemos arriscar! – reclamo.
— Vamos procurá-la por conta própria! — Dylan retruca, e eu aceno positivo, concordando com ele.
— Concordo — David diz.
Eu encaro Dylan, e ele dá de ombros.
— Bom, vou ao encontro do meu informante — eu suspiro, enquanto ele coloca sua jaqueta preta, lembrando do momento de minutos atrás. Ele me encara, me deixando sem jeito. E com um sorriso ele diz: — Vou pegar sua moto, você não se importaria de me emprestar também, não é?! — ele pega a chave da mão de David, e o capacete, sem tirar os olhos de mim.
Eu não consegui lhe responder, apenas respirei fundo, tentando conter um sorriso bobo.
— O que está rolando entre vocês? — David pergunta, se sentando na cadeira ao meu lado, quando Dylan já está do lado de fora. Assim que o pneu cantou na estrada, eu revirei os olhos, e me virei para responder o loiro.
— Nada! — dei de ombros, não conseguindo conter um sorriso. David gargalha.
— Vocês dois são hilários! — ele começa a se desarmar, e eu volto para o Notebook.
— Só uma coisa não está encaixando...
— O quê?
— Por que os mexicanos querem esconder a informação de que não estão com ela, quando os Prier's querem ir com tudo pra cima deles para pegar a Helena de volta? Eles estão mesmo dispostos a comprar essa briga por uma informação falsa?
— A richa entre eles é mais antiga, acho que essa história apenas acendeu o pavio da explosão que já estava prevista para acontecer. — Ele dá de ombros.
— Eu não consigo raciocinar direito... Talvez seja porque ela é alguém especial para nós.
— Eduard deve estar louco com isso, e Tobias também. Devíamos tentar enviar essa informação para Tobias...
— Não, só se ele nos contatar, ou o Bucky. Fora essa excessão, é arriscado que nossas mensagens sejam receptadas por Victor, comprometendo ainda mais nossa situação.
— Será que Victor está tentando nos achar?
— Eu tenho quase certeza sobre isso, ele deve estar preocupado conosco, ou desconfiado.
Horas se passaram, e eu estava quase caindo de sono. David estava roncando ao meu lado, e minha cabeça doía. O algoritmo não havia captado mais nenhuma informação, a não ser uma transferência de uma quantia alta, porém com descrições criptografadas. Estava levando uma eternidade para decodificar.
Quando estava quase caindo no sono, batidas na porta despertam meus sentidos. Eu puxo a arma e caminho devagar até a porta.
— Sou eu — era Dylan. Rapidamente abro a porta para ele, que adentra apressado.
— Temos um problema. – Ele relata.
— O que aconteceu? — David desperta. Eu fecho a porta e me aproximo, esperando a resposta dele, que nos encarava preocupado.
— Os mercenários não foram contratados para pegar a Helena, eles foram contratados para roubar códigos nucleares. — David bufou ao meu lado.
— Quem está interessado em armas nucleares? — pergunto. Ele estava com uma expressão estranha quando me encarou, e eu entendi porque ele relutou em responder a minha pergunta. — O meu irmão...