Capítulo 12 - Resgatando Dylan

1958 Palavras
Só podia se ouvir o barulho de travas de armas na sala, e isso me deixava ainda mais aflita. Todos no recinto estavam checando as suas armas. O moreno se encontrava na sacada, conversando algo com David. Ele já estava ciente de que íamos atrás, e que tínhamos um plano que ele deveria tentar seguir. Lilian estava comigo. Ela insistia em ficar ao meu lado, se bem que isso me deixava confortável. Sentia que se estivesse sozinha iria surtar. A porta foi aberta e o restante da equipe sai, todos estavam prontos. Encaro Tobias, que se levanta desanimado. Ele temia tanto quanto eu o Dylan entrar naquele helicóptero. Lilian cruza os braços ao meu lado, aliás onde está Kirby? Dylan passa como um foguete ao meu lado, o que me faz acordar e seguí-lo como o resto do pessoal. — Vai levar dois minutos para que eles descubram. — Falava sobre o despositivo de comunicador colada à roupa de Dylan. — Também acho, mas isso vai ao menos nos ajudar à sermos mais rápidos para te encontrar, com o pouco que der para rastreá-lo. — O grisalho apoia uma das mãos no ombro dele, e ele apenas assente. — Kirby já está nos esperando — David informa, ficando entre mim e Lilian. Assenti, e segui com os olhos o moreno entrar no elevador, junto ao lado de Tobias e Mathew, que irá liderando a equipe que o levará ao ponto de encontro. Meu coração se aperta, assim que seu olhar se cruza com o meu, quando tudo o que lhe resta é encarar à mim e os outros dois ao meu lado. — Se juntem à Kirby e esperem por minhas ordens. — Ouvi Tobias dizer, mas eu não seria capaz de quebrar aquele contato visual que o Dylan estranhamente mantinha comigo. Assim que as portas do elevador se cerram, parto para o corredor oposto. Tudo estava conforme. Precisamos dar o melhor de si para que ninguém precise se ferir. Dylan estava fazendo o que podia, e nós o acompanharemos nisso também! — Ele vai ficar bem — David declara atrás de mim. Será que eu estava demonstrando muito o que estava sentindo? — Sim, ele é durão — reforcei, aliás David também se importa. — Iremos depois dele, exatamente? — Lilian questiona. — Acredito que não, precisamos manter uma distância segura, senão tudo pode dar errado na entrada de Dylan. E ele ao menos precisa conseguir entrar e ter um tempo de conversa com o avô! Abro a porta que ficava no fim daquele corredor. No fundo da sala, e nesse segundo vimos Kirby pular do colo de Bucky. — Atrapalhamos? — sorri negando com a cabeça a atitude da loira, que fez questão de limpar o próprio batom borrado com o indicador, se aproximando de nós. — Estamos prontos! — Buck quase gagueja. Kirby pisca para mim. David ria atrás de mim, enquanto Lilian pedia para o mesmo parar. — Comece a gravar o percurso, ele já está indo. — Ele não me olha, mas faz de imediato. David se aproxima começando com as suas piadas para constranger o amigo, e Lilian se junta a nós duas no fundo da sala. — A timidez dele foi para o brejo, pena que não deu tempo... — Sorri, e a morena ao meu lado pedia pra falar mais baixo. — Não é hora pra isso... — declarei, deslizando os dedos no material de algumas pistolas que repousavam em cima da mesa. — Está tudo indo bem, Kate — Kirby declara. — Você gosta dele mesmo ou ainda é só o lance da atração? — franzi o cenho para o questionamento. — Kate gosta muito dele! — o i****a do David declara, como se estivesse certo do que diz. — Hum? — cruzei os braços para o rapaz que também se convidou para a conversa. — Ele é nosso amigo, me importo com ele tanto quanto você se importa. — Ele continua sorrindo. — Agora, foquem na missão. — Dei as costas à todos, e me sentei em uma das cadeiras, agarrando um dos tablets na mesa. Assim que conseguimos todas as informações necessárias, seguimos para o local. Estávamos fazendo um reconhecimento do lugar. Um, dois, três.... oito guardas no telhado. E... cinco na entrada. Em cada andar do prédio poderia ter guardas vigiando também, e dependendo de onde mantinham ele, mais e mais seguranças poderiam brotar e ferrar com tudo. Abaixo o binóculo, deixando um suspiro escapar-me pelos os lábios. — E então? Nada? — havíamos perdido contato com Dylan há exatamente sessenta e sete minutos após ele ter entrado, esperamos uma hora para eles poderem conversar e nada. Nem uma ligação ou mensagem de seu avô ou Eduard. “Eles podem tentar recrutá-lo de volta.” Tobias avisou, mas o moreno deixou claro no mesmo segundo que nunca mais trabalharia com eles, que preferiria virar prisioneiro. O que possivelmente pode acabar acontecendo, por isso precisamos entrar e tirá-lo de lá. Temos que seguir com o plano. — Tem que ser por baixo. Com certeza vai ter menos para te atrasar, e levando em conta que não sabemos a localização exata... Precisará do tempo que conseguir. — Assenti. — Ótimo, eu estou pronta. – Avisei. Não poderei levar nenhum tipo de eletrônico, ou eles me acharam um minuto depois que entrar. Terei que me virar sozinha, e boa sorte para mim. Depois de seguir pelo o esgoto por alguns minutos, finalmente achamos a saída que dava para dentro do prédio. Me viro para a loira e o moreno. Mathew e Kirby me acompanharam até aqui, e só iriam embora quando eu conseguisse me infiltrar. Salto, me segurando na parede cilíndrica, apoiando meu corpo. Assim que me sinto presa, forço a tampa de ferro devagar e, rapidamente, jogo uma granada de sonífero. Conto até dez, e logo no seis escuto tosses. Abro a tampa de vez, e subo num impulso só. Estou numa pequena sala, apenas um homem caído ao chão. Suspiro. — E dizem que vocês são a gangue mais inteligente nível mundial. — Assim que percebo não haver mais fumaça alguma na pequena sala, retiro minha máscara. Observando melhor, na sala haviam disjuntores, provavelmente protegiam o sistema elétrico do prédio. Poderia atirar neles, mas se a energia do lugar faltar posso estar dando de brinde para eles a dica de que alguém se infiltrou no prédio. Preciso seguir alheia e o mais camuflada possível. Observo uma porta do meu lado direito, com uma pequena janelinha de vidro embaçado. Arrasto o corpo adormecido do homem até em cima da tampa de ferro para ao menos cobrir a passagem. Abro a porta, e avisto mais dois seguranças. Mesmo que eu vista o uniforme do cara no chão, ainda fico pequena demais para o porte deles, seria suspeito, não me deixariam passar de qualquer forma. Decido guardar a arma na cintura atrás de mim, e desfilo até eles. O corredor era iluminado por apenas duas lâmpadas. Era apertado. O espaço era o suficiente. Eles me notam, obviamente, mas não cesso meus passos. — Quem é você? — o mais próximo a mim questiona. Continuo andando. — De onde você saiu? — o outro questiona, mas não dou tempo para demais teorias. Jogo o peso do meu corpo sobre suas mãos, travo a metralhadora e retiro as balas. Chuto suas partes íntimas, e assim que se curva começando a gemer de dor, o uso como escudo, caso o outro atirasse. O que não aconteceu. Isso era bom, sem barulho, sem atenção. Faço a volta no corpo a minha frente rapidamente, e chuto a arma do outro, que se desespera vindo até mim com fúria. Me aproveito da inconsequência de seus atos, chuto seu maxilar o fazendo cair, me dando mais tempo agora com o outro, que parecia se recuperar das dores. O acerto com o cotovelo duas vezes no nariz e no olho, o que aparenta tê-lo deixado tonto. Me viro para o outro que se ergue do chão, acerto sua garganta, depois a cabeça, ele cai desacordado; e o outro que avançava lento, o acerto com um soco, que logo ele cai. Mas que vergonha dessa segurança de merda. — Ou eu estou com sorte, ou... — escuto um barulho do outro lado do corredor. Talvez eu deva vestir alguns desses trapos apenas para enganar as câmeras, isso pode me dar mais tempo. Retiro um colete de um, capacete de outro, mas sem metralhadora. De resto estava bom, eu já estava vestida de preto como eles. Arrasto os corpos adormecidos até a sala em que estava, e agora sim, poderia avançar. Respiro fundo, abro a porta, e para minha surpresa haviam escadas. Começo a subir, sentindo minhas pernas tremerem. Ou eu morro, ou eu consigo. Mas e se eu não achá-lo? Droga. Ter esperança não me faz focar, o medo de fazer merda sim, então, foco, garota! Abro a primeira porta, no auto de minha visão já noto a primeira câmera apontada justamente para mim. Abaixo a cabeça e saio adiante. Noto um segurança sentado no fundo do corredor, ele me olha, franzi o cenho. Talvez sua visão não seja tão boa, parece não ter notado que se trata de uma garota, com um porte duas vezes menor que esses brutamontes. Abro a primeira porta que aparece no meu lado direito. Uma pequena sala, adentro. Haviam uma mesa, um computador, papéis. Os papéis não eram importantes, e no computador não tinha nada que fosse de interesse para a situação em si. p***a. Ficar andando por aí pode ser perigoso, não estou num parque de diversões. — Ei — o homem cruza o batente da porta. — Não me lembro de você, qual seu departamento? — tão fofo. Sua aparência era velha, ele devia estar guardando o corredor apenas. Noto segurar uma pistola. Postura rígida. — Sou do andar de baixo, mas um dos caras tentou me assediar... — coloco as mãos nas coxas, mas permaneço sentada. — Pode me mostrar sua identificação? — aceno que sim, e me ponho de pé. — Está em um desses bolsos... — tateio o colete. Ele dá um passo para frente, aproveito. Seguro sua mão para baixo deixando a arma ser apontada para o chão, enquanto soco seu rosto com meu punho e cotovelo duas vezes, o que o já deixa tonto. A arma cai no chão, o soco mais uma vez, e ele finalmente cai, mas ainda permanece acordado. Me aproximo, virando seu rosto para mim. — Desculpe por isso, preciso que me responda uma coisa. — Quem é... Você...? — balbucia, com os dentes machados de sangue. — Meu amigo entrou nesse prédio há quase duas horas atrás, o levaram preso. Onde ele está sendo mantido exatamente? — ele piscava atordoado e zonzo. — Vão matarem você, menina... — sacudo seu rosto levemente. — Responda minha pergunta, ou enfio esse canivete que está tentando pegar você sabe onde... — agarro seu pulso, e tomo o objeto cortante de seu bolso. Ele me encara, e depois murmura algum palavrão. — Suba mais dois andares. Como se não fosse ser pega antes... — termino de apagá-lo, e dou uma boa olhada ao meu redor. Se eu sair pela porta, e este homem não, quem estiver monitorando as câmeras irá perceber. Avisto a passagem de ar acima da mesa. Terá de ser por ali mesmo. — E lá vamos nós... — ponho a máscara de volta, mas tiro o capacete e o colete. Recolho a arma apenas por precaução. Subo na mesa, retiro a tampa e me meto dentro do duto de alumínio. Por sorte, não sou pesada, tirando o ar gelado, posso seguir tranquila com a minha missão. Já estou indo te buscar, amor.
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