Capítulo 41

1239 Palavras

Capítulo 41 LUNA NARRANDO Eu escutei tudo daqui de dentro e o silêncio que se seguiu após a saída da mulher, a tal Serpente, era pior do que o barulho de qualquer tiroteio que eu já tivesse ouvido ecoar pelo morro. Eu estava encostada atrás da porta do quarto, com o coração batendo tão forte que parecia querer rasgar minha pele. As palavras dela ainda flutuavam no ar, densas e venenosas, como se o quarto tivesse sido invadido por uma fumaça tóxica. "Marmita de asfalto... brinquedo novo... mercadoria." Cada termo que ela usou era como uma lâmina cortando o pouco de dignidade que eu ainda tentava manter. Eu fugi do meu pai para não ser vendida, para não ser tratada como um objeto sem vontade, e agora, aqui estava eu, trancada em um barraco no morro, sendo taxada de "marmita". As lágrim

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