Capítulo 36 COIOTE NARRANDO O silêncio na mata estava me deixando no veneno. O fuzil atravessado no peito pesava, mas a neurose pesava muito mais. Meus olhos varriam cada sombra, cada movimento das folhas, esperando o clarão de um disparo que desse início ao apocalipse. Bolador estava do meu lado, estático, mas eu sentia que a mente dele não estava aqui na contenção. Tinha alguma coisa errada com o meu braço direito, uma vibração estranha que eu não estava conseguindo decifrar, mas com a guerra batendo na porta, eu não tinha tempo para fazer terapia com bandido. Ficamos aqui, as horas se arrastando como se o relógio estivesse com preguiça de marcar o tempo. A madrugada já tinha engolido tudo, e o único som era o chiado baixo dos rádios e a respiração pesada dos moleques na contenção. At

