Capítulo 9 COIOTE NARRANDO Ela ainda tá parada, próximo a porta, é como se não soubesse se entra ou se foge. O corpo inclinado de leve pra trás, o peso jogado no pé bom, o outro inchado. O vestido curto. A mochila torta no ombro. O olhar firme demais. E eu tô putö. Putö por ela estar aqui. Putö por ela ter saído do barraco sem falar comigo . Putö porque, mesmo assim, a porrä do meu corpo ainda reage à presença dela como se isso aqui fosse algum tipo de jogo gostoso, vicioso . — Que caralhö tu tá fazendo aqui? — minha voz sai mais dura do que eu pretendia . Ela não se intimida. Engole seco, mas não abaixa a cabeça . — Tô tentando ir embora . Essa frase me faz fechar ainda mais a cara. — Indo embora pra onde? — rebato. — Tu acha que isso aqui é rodoviária, porrä? — Eu tô ten

