Capítulo 29 LUNA NARRANDO A boca dele, aquele misto de calor e a aspereza de quem vive no veneno, passava pelo meu pescoço me fazendo arrepiar até a alma. Minha boca ardia, latejando por causa da mordida que ele tinha dado minutos antes; o gosto metálico e amargo do sangue ainda dominava meus sentidos. Era um beijo de posse, um selo que dizia que, a partir dali, eu não pertencia mais a mim mesma. Meu corpo agia no automático, traindo cada promessa de liberdade que fiz no espelho. Eu olhava para ele, pro volume absurdo que batia contra a minha barriga, e o pânico lutava contra um desejo que eu nem sabia que existia. "Meu Deus, ele vai me arrebentar", pensei, sentindo o coração martelar nas costelas . Nunca tive tanta certeza de um erro quanto agora, mas minha pele queimava a cada toque d

