Tahira sorriu de contentamento ao entrar na boate Gokudō, pois era exatamente o que precisava: som alto, bebida, várias pessoas se divertindo e aproveitando o momento sem se preocupar com a faculdade, trabalho, ou colega de quarto i*****l.
— Vamos beber! — Iara disse, animada. — VIP é open bar.
As meninas partiram para o bar próximo à pista de dança. De início, Tahira decidiu que não iria beber muito, afinal, estava dirigindo, mas o ritmo contagiante de Me & My Girls, Selena Gomez, fez com que mudasse de ideia. f**a-se a prudência, se ficasse muito louca era só chamar um Uber — ou encontrar a cama de alguém agradável para passar a noite.
— O que vai querer, gata? — o barman perguntou com um sorriso sacana.
Ele não era bonito, mas tinha um ar predatório que combinava com os braços tatuados, fortes e corpo definido — que a sua camisa sem manga fazia muito pouco para esconder.
— O que tiver de mais forte… — levou o seu tempo para ler o nome preso no uniforme dele. — Lucas.
As garotas espalharam-se pelo balcão, desviando a atenção para as próprias bebidas que estavam sendo preparadas por outros barmans, apenas Tamara permaneceu do seu lado.
— Destemida, gostei. — Ele se virou para pegar uma garrafa âmbar na prateleira, logo encheu um copo de shot até a borda.
Sem pensar duas vezes, Tahira virou o destilado, que desceu por sua garganta queimando como fogo, porém, externamente, manteve a compostura.
— c*****o! — Lucas exclamou, impressionado.
— Isso é o melhor que pode conseguir? — ela não estava falando da bebida.
— Nem de longe, gata. — Ele também não.
— Ok! — Tamara interferiu. — Ela vai querer uma Piña Colada, apenas. — A última parte foi dita para Tahira, acompanhado de um olhar de advertência.
Depois de servidas e um último sorriso malicioso, as meninas afastaram-se para dançar.
— Talvez devesse pegar leve, a noite só está começando. — Tamara avisou.
— Relaxa, não sou do tipo que dá PT. — A tranquilizou.
— Essa é a menor das minhas preocupações. — Chegou mais perto da outra para ser ouvida acima da música alta. — Se passar m*l, posso cuidar de você, mas aquele cara. — Encarou Lucas sem nenhuma sutileza. — Ele te devoraria inteira se tivesse a oportunidade.
— Bem, estou contando com isso! — Tahira sorriu, depois voltou a beber a Piña Colada.
— Doida! — com a constatação, Tamara a seguiu até a pista, onde Iara rebolava sem nenhum pudor ao som de Lovesick Girls, BLACKPINK.
Tahira dançou como se não houvesse um amanhã, com Samara, Iara, Tamara e até mesmo Helena — que ficava cada vez mais desinibida conforme o álcool fazia efeito. De tempos em tempos voltava ao bar para reabastecer o copo, revezando entre shot e drink — aproveitando para flertar com Lucas em cada oportunidade.
Quando Nicholas, Samuel e Kaleb chegaram, Iara ficou p**a, já que em tese aquele seria um rolê das meninas, porém, depois de alguns palavrões jogados aqui e ali, ela acabou cedendo.
Com um sorriso, Tahira a deixou dançando obscenamente com Kaleb e Samara. Helena — a sortuda — não estava muito diferente disso no meio do Nicholas e do Samuel. Tamara havia sumido fazia alguns minutos com a desculpa de que iria “conhecer o lugar”.
— Preparada para algo mais forte? — O barmen perguntou quando ela voltou para mais um shot, as segundas intenções pontuadas em cada palavra.
— Claro, cansei das preliminares. — Sem precisar de qualquer outro incentivo, se inclinou sobre o balcão, cortando a distância entre os dois para facilitar o beijo.
Não foi longo, mas teve o bastante para sentir o corpo incendiar — ou talvez fosse o efeito do álcool no sangue. O fato é que quando os seus lábios se encontraram, Tahira teve a certeza de que seria devorada.
A posição que estavam não era das melhores, mas ela segurou a camisa dele para ter acesso a tudo que queria. Lucas era experiente, a segurou pela nuca, invadindo sua boca com a língua, fazendo com que uma corrente de excitação atravessa o seu corpo. Ele mordeu o seu lábio, passando a língua para amenizar a dor, impondo um ritmo agressivo.
O toque dele prometia uma f**a que a deixaria dolorida e saciada.
— Largo às 6h. — informou quando se separaram.
— Ainda vou estar por aqui.
— Te encontro na saída.
Não era bem uma pergunta, mas uma intimação.
— Claro. — respondeu, ansiosa pelo fim da noite.
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Tahira o viu no momento que voltou para a pista de dança, mas preferiu ignorar, afinal, sabia de quem ele era irmão e não estava buscando complicações — já tinha a sua cota diária da família com Samuel. Porém, algo na forma como Miguel a encarava — deslizando o olhar por seu corpo sem pudor algum — acelerou o seu coração, fazendo com que mudasse de ideia.
Ela gostava de flerte, adorava a sensação de ser desejada, então provocou ao som de Bad Girls, da M.I.A. Virou de costa para dar-lhe uma visão melhor, desceu até o chão aproveitando que a f***a do vestido deixava a sua coxa nua a mostra, um pouco além do aceitável. Ao subir lentamente — balançando o quadril de forma sensual — voltou-se para encará-lo, olhos verdes encontraram os negros, em chamas. Tahira passou a mão pelo corpo, subindo pela cintura, s***s, pescoço e cabelo.
Por sua vez, Miguel deu um sorriso discreto. Estava com uma das mãos no bolso da calça e a outra segurando o copo de whisky — que levantou em um brinde silencioso, apreciando o seu show. Vestia um terno escuro, muito bem cortado e os cabelos longos soltos. Não parecia o dono de uma boate, mas um integrante do grupo criminoso que dava nome ao lugar, uma aura perigosa parecia lhe envolver, o que só servia para atiçar a libido dela.
Nunca foi tímida, ou insegura, sabia o poder que exercia sobre o sexo oposto quando se empenhava o bastante nisso, e naquela noite, ela teria Miguel.
Quando a música trocou para God is a Woman, Ariana Grande, ela deixou a pista de dança, indo em direção a ele. Não houve um momento de hesitação, ou pedido de permissão — ambos sabiam o que estava em jogo ali — Tahira só se aproximou e o beijou.
Sem provocações, ela tinha fome e ele correspondeu em igual intensidade. Miguel a segurou pela parte da frente do pescoço, Tahira não era particularmente fã de ser enforcada — preferia ser a pessoa no controle da ação — mas não precisou dizer nada, pois ele não apertou, apenas deixou a mão ali para mantê-la no lugar enquanto saqueava a sua boca.
Longe de ser passiva, aproveitou a diferença de altura para se entregar em uma parte muito específica dele — Miguel gemeu na sua boca. Não sabia o que havia acontecido com o copo de whisky, mas sentiu a outra mão dele descendo pelo seu corpo até a b***a, puxando-a contra si com mais força. Tahira só se deu conta que as coisas estavam realmente quentes quando ele inclinou o seu pescoço para trás, percorrendo o caminho sensível com a língua — levando a sua excitação a um nível obsceno.
Ela derreteu por lugares indecentes.
Com uma destreza admirável, Miguel inverteu a posição dos dois, girando o corpo da loira até que as suas costas estivessem contra a pilantras que, até então, estava atrás dele. Dessa forma, as pessoas a volta não puderam ver quando ele moveu a mão da b***a dela até a parte da frente, aproveitando a f***a do vestido para alcançar a sua calcinha.
Tahira sabia que poderia impedir aquele avanço se assim quisesse, mas não o faria, afinal, doía por ele tocar exatamente ali. Quando o dono da boate pressionou o dedo no seu c******s — por cima do tecido da calcinha — ela gemeu, inclinando o corpo na sua direção para aumentar o atrito.
A boca que só a atormentava distribuindo beijos pelo seu pescoço e depois, ombro, resolveu dar uma mordida — forte o bastante para estremecer toda a estrutura dela — logo lambeu a marca vermelha.
O desgraçado tinha total ciência do que estava fazendo, e era impiedoso.
Podia sentir perfeitamente a ereção dele empurrando contra a sua barriga e estava mais que disposta a sair dali para terminar aquilo de forma decente. No entanto, o destino tinha outros planos.
Foram interrompidos quando alguém esbarrou em Miguel bruscamente — que por sua vez, visivelmente irritado, parou o que estava fazendo para encarar o culpado. Levou alguns segundos para Tahira sair da frequência "p*****a" para "que p***a está acontecendo?", entretanto, quando o fez, quase soltou um rosnado de raiva.
Kalu era o grande empata f**a.
Ele tinha esbarrando no casal durante a briga que estava tendo com um magrelo de cabelo branco e azul, que Tahira nunca tinha visto antes.
Então, ela decidiu que iria matar Kaluanã — com requintes de crueldade — mas antes, tinha que salvá-lo da surra que estava levando.