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1277 Palavras
Como Theodora sempre foi meio teimosa, ela não quis ir de carro de jeito nenhum, preferiu ir de moto na chuva, que estava congelando. Ela sentiu um pouco de frio, apesar da casa dela não era nem 30 minutos da casa de Demi. — Fique à vontade, Marcela. — Theodora falou. — Vou me arrumar. Cerca de 15 minutos depois Marcela estava na sala jogada no sofá e Theodora chegou. Marcela tinha achado o bilhete que o pai de Theodora deixou. A latina vestia jeans preto, uma blusa fininha de mangas compridas branca. Theodora jogou uma blusa grossa perto de Marcela e saiu. A Hoff pegou a blusa, não resistiu e cheirou sentindo o perfume da outra. Quando escutou Theodora voltando, soltou a blusa. A latina voltou com lanche e suco. — Sei que não deu tempo de você tomar café da manhã. — Ela falou se aproximando para entregar. — Ah, não precisava. — Marcela falou, mas pegou o lanche, Theodora pegou a blusa e vestiu. Enquanto Marcela não acabou de comer, tudo, Theodora não a deixou sair. Chegaram no local do velório quase uma hora e meia depois. Theodora começou a chorar baixinho, mas ela soluçava tanto que até Marcela deixou escapar algumas lágrimas, que passaram despercebidas. Theodora só desgrudava a mão da cintura de Marcela e Marcela da dela quando chegava alguém para abraça-la e consolá-la. Marcela também a consolou, falou o que achava que poderia ajudar. Todos os parentes se despediram, Theodora ficou perto do corpo do avô, até fecharem o caixão. Marcela se sentou numa cadeira que tinha por lá enquanto o pai dela a abraçava. — Se acalme. — Perez falou. Marcela foi para perto de Theodora. — Vem cá. — Marcela chamou para se sentar mais perto de si, Theodora se sentou e encostou a cabeça em seu ombro. Perez ajudou a levar o corpo, as pessoas foram saindo devagar. O cemitério ficava a 200 metros da capela onde estavam. Chovia, mas não muito forte. — Vamos, meu bem. — Marcela falou com carinho. Sempre que conversava com Theodora sentia vontade de falar carinhosamente. Marcela levantou primeiro e Theodora em seguida, não havia mais ninguém por ali. Pegou na mão da latina, andavam ao lado uma da outra. Pararam na porta da capela, olhando a chuva que caía. Theodora olhou para o lado e ficou de frente para Marcela, que se aproximou dela colocando as mãos em seu rosto e enxugando as lágrimas que caíam. Marcela pensou em falar alguma coisa, mas desistiu, abraçou Theodora. Às vezes ações são melhores que míseras palavras. Depois de alguns segundos, Theodora se afastou do abraço e pegou o rosto de Marcela, encarando-a. — Isso só vai fazer você se sentir pior... — Marcela falou, mas estava louca para que Theodora fizesse. — Não vai, eu preciso disso. — Theodora falou calmamente. E beijou Marcela, em seguida. As bocas se adaptando mais uma vez ao beijo calmo, que transmitia paz e conforto. O beijo que pensavam todas as noites antes de dormir. Marcela a puxou para mais perto de si, abraçando-a apertado. — Theodora?! — as duas se assustaram, lógico, já que não tinha ninguém antes. Pararam de se beijar e Marcela soltou Theodora, do jeito possessivo que estava segurando antes. As duas viraram para o lado que a voz veio. Era um garoto, lembrava Theodora, pela cor dos olhos. — Matthew. — Theodora falou baixinho. Ela estava com uma expressão estranha. — Ah, você não viu nada. — Relaxa. — Falou como se estivesse se rendendo com as mãos no ar. — Vamos. — Ele abriu um guarda—chuva gigante que nenhuma das duas tinha notado estar preso pelo braço ao corpo. Marcela e Theodora correram para debaixo do guarda-chuva. Depois do sepultamento Marcela se despediu de Theodora e foi embora. Theodora ficou com Perez, Samantha, Matthew e o resto da família. ***** Marcela não viu Theodora no domingo, na verdade não quis ir na casa dela, com certeza estaria cheio de parentes e não queria atrapalhar. Na segunda, foi sua prova de química e ela tinha certeza que acertou mais de 90% da prova, graças à Theodora e a ela por não ter piscado em nenhum momento enquanto obtinha a explicação. Theodora não foi há escola por 4 dias, Marcela precisava entregar a ela o dinheiro das aulas e falar uma coisa vinha tirando seu sono. Na sexta Marcela estava com Laura e Ester em frente à escola. — Por que você está assim? Com essa cara?! — Ester perguntou, uma expressão engraçada em seu rosto. — É a única cara que eu tenho. — Marcela retrucou brincando, sabia que sua expressão não era das melhores. — Ela está assim tem algum tempo. — Laura falou sugestiva. As meninas olharam diferente para Marcela. — Será?! — Ester falou, um sorriso divertido brincava em seus lábios. — Acho que alguém roubou o coração da nossa menina! — Laura está animada. — Quem?! — Ester estava empolgada, o que era estranho ela nunca ficava com esse tipo de coisa. Escutaram um barulho não muito alto, como algo estivesse colidindo. Todos que estavam por perto ficaram olhando para os lados a procura do que tinha feito o barulho. — É ali, um acidente! — um garoto gritou e apontou para depois da esquina, que tinha ali. Algumas pessoas saíram correndo. — Eu vou, alguém vai comigo? — Ester falou agitada. — Eu não. — Laura respondeu. — Se tiver sangue lá eu desmaio. — Eu vou. Vamos. — Marcela saiu puxando Ester pelo braço. Quando chegaram ao local tinha se formado uma roda, mais de 20 pessoas em volta. — Quem é? — perguntou alguém. — Eu vou lá ver. — Não, já tem gente demais. — Ester tentou pegar braço de Marcela. Quando ela chegou na frente depois de muitos empurrões, quase infartou ao ver quem era no chão. Theodora. Foi para perto de Theodora, ela estava sentada com um cara agachado ao seu lado. Não estava sagrando, mas estava segurava o braço esquerdo. Tinha um homem com as mãos no rosto perto do carro. Marcela se abaixou perto de Theodora. — Tem mais alguma coisa machucada além do braço? — Marcela perguntou desesperada. — Minha perna está doendo também, mas acho que quebrei apenas o braço. — Theodora respondeu, segurando o braço e olhou para Marcela em seguida. — Então tira a blusa que isso vai inchar. — Marcela falou. Chegou mais perto de Theodora e a ajudou a tirar a blusa de manga longa, com bastante dificuldade. Depois Marcela sentou ao lado da latina, que encostou a cabeça em seu ombro. — Você só pode ser meu anjo da guarda! — Theodora falou e tentou sorrir. — Está sempre me ajudando. — Logo a dor vai passar. — Marcela falou e se perguntou se alguém já teria chamado socorro. — A ambulância deve estar quase chegando. — falou o garoto, que Marcela nem lembrava que estava lá perto de Theodora. — Ah, obrigada. — Obrigada. — Theodora falou para o garoto. Theodora foi atropelada pelo homem que estava com a mão no rosto. Não foi nada grave já que ele não estava muito rápido. Mas de qualquer maneira ele estava errado porque ela estava na faixa de pedestres, naquele dia ela não foi de moto. As pessoas foram saindo pouco a pouco, logo a ambulância chegou. Marcela entrou na ambulância com Theodora, e juntas ligaram para o pai de Theodora. Ester foi no carro de Marcela. E Laura no seu. Nada fez as três mudarem de ideia e voltarem para escola. Theodora tinha boas amigas e uma boa namorada em potencial.
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