Dor

1325 Palavras
Capitulo 4 O vento gélido me fez abrir os olhos, sonolenta e encarar o pequeno alarme ao lado da minha cama.     10 horas da manhã.     Afasto os lençóis e com dificuldade me sento na cama, coloco a sandália e caminho até o banheiro, me ponho de frente o espelho ao lado do box e tiro minha roupa. Faço careta ao ver aquele pedaço de pano enrolado em minha cintura.     Eu tô só o bagaço.     Deveria colocar aquelas cachaceiras detrás das grades.     Em meio aquele turbilhão de pensamentos, desenrolo as ataduras e as tiro, jogando as mesmas no lixo do banheiro. Encaro meu reflexo no espelho e desço a vista até minha barriga a tocando por cima dos pontos.     Isso foi profundo… dependendo de como vai ficar a cicatriz não mostrarei a barriga por um bom tempo.     O que não é nenhum sacrifício já que nunca mostrei.     Tiro a sandália e adentro no box do banheiro.     Eu e minhas manias.     Ligo a ducha e entro de cabeça, esfregando meu rosto com a água morna, lembro de como isso me ajudou a relaxar por anos.     Pego o shampoo ao lado e encho as mãos, as levando até os cabelos, deixo cair o frasco no chão e ensaboo meus cabelos.     De repente sinto uma queimação em meu machucado, a tonta aqui não deu muita importância, até a maldita dor se intensificar e arder.     Droga.     De imediato, desligo o chuveiro, me enrolo em um roupão e saio do banheiro, com uma mão na parede e a outra sobre o roupão, pousada em minha barriga.     Ai meu deus.     A dor não parecia cessar, então abrir o roupão para ventilar e nada.     A maldita dor estava tão forte, que lágrimas transbordava dos meus olhos e eu m*l percebi até elas escaparem do meu rosto e caírem sobre meus s***s.     Corri ao telefone e disquei o número do hospital, demorou poucos segundos até atenderem.     — Hospital Mon… _ Do outro lado da linha falava uma mulher.     — Doutor Allan… Por favor. _ Minha voz saiu com dificuldade.     — Ele no momento se encontra em uma consulta.     Pigarreio enquanto barrava as lágrimas e esperniava de dor.     — Pelo amor de Deus… Eu estou morrendo… Será que não entende. _ Aumentei o tom de voz desolada.     — Podemos mandar uma ambulância… _ A interrompo.     — Não… Eu quero o doutor Allan… se Você tem amor a Deus o chame._Choraminguei abanando meu machucado.     Que sofrimento meu Deus!     — Um minuto por favor…     Aguardei do outro lado da linha, entretanto esperei exatamente 3 minutos… 3 demorados minutos.     — Alô. _Suspirei com dificuldade ao ouvi-lo, mesmo em meio aquela dor mútua, senti os pelos do meu corpo enriçar.     — Alla.n… _ Sussurrei me estribuçando na cama.     — Cibely… Cibely é você. _ Por sua voz reconheci o desespero.     — Ai, Allan ta doendo… ta queimando… Me ajuda. _ Implorei em total agonia.     — Tranquila… tranquila… respira… e. Me diga o que houve? _ Questionou.     Minhas lágrimas banhavam meu rosto ao escuta-lo respirar fundo aguardando do outro lado da linha, a espera que eu fizesse o mesmo.     — Eu já respirei, mas não passa. _ Gritei desesperada.     — Você não está me ajudando a te ajudar, menina diga agora oque houve para saber oque levar. _ Exigiu.     — Eu… Eu estava no banho e lavei os cabelos, mas o shampoo. Eu não sei… de repente começou a doer… e Não está amenizando. _ Indaguei em um fio de voz, minhas palavras falhavam e quase não saiam.     — Droga! _ Ouvi praguejar. — Onde você mora… não diga nada, aqui eu tenho sua fixa, fique onde está em poucos minutos, estarei aí.     Desliguei o telefone e tentei me levantar para poder vestir algo, mais a dor não me permitiu fazer nenhum movimento brusco. Atordoada olhei para os lados.     Ai meu deus oque eu faço.     Roguei aos céus por uma luz, mais nada me veio. Não sei por quanto tempo eu suspirei com dificuldade, pois a cada ar que eu inalava meu estômago subia e o excesso de resíduos do shampoo entrava em meu machucado e vinha a dolorosa dor com mais força me fazendo soltar grunhidos finos.     A porta do meu quarto foi aberta bruscamente e eu com os olhos cheios de lágrimas, vislumbrei um Allan completamente sério. Ele correu até o lado da cama onde eu estava, se aproximou de mim e se sentou ao meu lado, pousando sua maleta com aparelhos no chão.     — Me ajuda… Eu tô morrendo. _ Confessei com minha voz trêmula, no entanto, senti sua mão apertar a minha com firmeza, talvez para que eu soubesse que ele estava ali e eu podia me acalmar, mais não consegui, mesmo eu já tendo vivenciado isso em um sonho.     — Tranquila… Eu estou aqui. _ a sua voz aos meus ouvidos soou baixa e sedutora.     — Faz parar. _ Pedi fechando os olhos com força.     — Você me ajuda e eu te ajudo… ok. _ A cada palavra que ele saudava tornava-se sensual aos meus ouvidos, o olhei ludibriada e intrigada presenciando seu olhar ansioso, ele estava disposto a entrar no consenso. O observei minuciosamente com intensidade e assenti trincando os dentes.     Ele se levantou e caminhou em passos largos até meu armário, o vi abrir desesperadamente as portas.     Oque inferno esse homem está fazendo… Me leva deus… Me leva.     Atordoada o vi pegar um lençol e vim até mim.     — Confia em mim? _ Perguntou impassível.     O olhei assustada, porém acabei assentindo, não estava em condições de negar.     — Allan eu confio… ta queimando. _ Choraminguei.     — Irei tirar seu roupão. _ Indagou cauteloso ao me encarar com calma.     Concordei afirmando.     Ele estirou o lençol e cobriu do meu umbigo para baixo com o mesmo e voltou a se sentar ao meu lado e com uma absurda calma, levou as mãos até o meio do meu roupão e o abriu no meio.     Tremi ao sentir sua mão tocar em minha pele, era como se um vento forte sucumbisse o meu corpo por inteiro e instintivamente tranquei meus olhos com força, talvez eu estivesse com vergonha.     Oque é estranho já que no sonho eu era tão descarada.     Não sei se foi pelo meu desconforto que o Allan fez isso, o que eu sei é que ele pegou alguma regata minha em algum lugar.     — Levante os braços. _ Pediu, sua voz estava rouca e pude ouvir um leve tossido. Levantei e ele me ajudou a vestir a regata. — Irei lavar seus ferimentos, irá doer um pouco… mas prometo que será a última vez que sentirá dor. _ Balbuciou apertando minha mão, me fitou intensamente e, ao mesmo tempo, me lançou um ligeiro sorriso encantador.     É… ele era bom no que fazia.     Para ser mais transparente… ele é bom em tudo que fazia… exatamente tudooooo.     Afirmei e sorri sem querer.     ***     A dor já não era tão presente, Allan tinha novamente colocado as ataduras e saído até meu banheiro para lavar as mãos.     Aproveitei que ele estava longe e me levantei para colocar meu roupão e o prender em um nó leve.     — Esses malditos shampoos são uma arma para quem está machucado. _Bravejou ao sair do banheiro com o frasco na mão.     O olhei de relance e o vi ele lendo o rótulo.     — Como faço para tomar banho? _ Perguntei impaciente enquanto o observava vagarosamente, não iria perder uma reação dele.     Ele levantou a vista e me olhou de cima abaixo engolindo em seco.     Talvez esteja lembrando dos meus esplêndidos s***s, e eu podia jurar que a forma que ele me olhou estaria lembrando de como os devorava nos sonhos…mais é tudo flúor da minha imaginação fértil.     Gargalhei Alto com o pensamento i****a que se estalou em minha mente.     — Eu mandei a enfermeira ontem trocar suas ataduras e te falar as precauções. _ Falou nervoso olhando para os lados, constrangido.     Franzi o cenho e cruzei os braços.     — Ela só trocou…deve ter esquecido. _ Dei de ombros.     O Allan veio até mim e foi até meu criado mudo o olhei e o vi pegar meu caderninho de anotações.     Me desesperei e corri até ele, arranquei meu caderninho de suas mãos e o levei até meu peito.     — O que pensa que está fazendo? _ Perguntei incrédula.     — Eu ia anotar...quer saber se vira. _ Me encarou irritado e pegou sua mala do chão. — Passar bem, menina m*l agradecida. _ Saiu do meu quarto trancando a porta com força.     Abro o caderninho na folha onde eu havia rabiscado e fiz um risco na primeira linha.     * Se aproximar dele.     Missão concluída.     É uma pena que tenha sido dessa maneira, mas ele sabendo onde eu moro facilitará perfeitamente as outras. 
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR