Lágrimas

1075 Palavras
Capítulo 3     - Está maluca, menina. _ Esbravejou o Allan se afastando, vi perfeitamente quando sua mão foi até seus lábios e ele o limpou ferozmente enquanto me olhava. - Eu sou casado garota. _Alterou o tom de voz.  Claro que é, eu vi ontem na boate o quanto valeu o papel assinado.  Desviei o olhar do seu e fechei os olhos com força, eu morria eminentemente ao ver a forma indigna que ele me olhava.  - Me desculpe. _Pedi evasiva ao apertar a mão no ferimento.  Ouço o som pesado do seu suspiro e seus passos caminharem sentido a porta.  - Sua mãe disse, A Cibely está com o pai no quarto. _ Ouvindo, o olhei desentendida. - Você perguntou como eu sabia seu nome, ai está a resposta. _Revelou. Derrotada, assenti. - E você de onde me conhece? _Quis saber também e pegou na maçaneta da porta, pronto para ir quando tivesse a resposta.  Eu queria muito dizer: dos meus sonhos, mas isso seria inacreditável demais e com toda certeza, ele zombaria.  - Das revistas. _ Menti.  A forma que ele me estendeu os olhos, pareceu não acreditar.  - Da próxima vez não seja tão dissimulada menina, exijo que me respeite, eu amo a minha esposa. _Exigiu incisivo.  Antes de dizer algo deixei-me esboçar um sorriso magoado.  - Isso não irá se repetir. _Menti drasticamente. - Quando terei alta? _ o olhando de cima abaixou vi que ele não era só bonito em sonho.   - Hoje ficará de observação, amanhã mandarei uma enfermeira para trocar seus curativos e assinar a sua liberação. _ Balbuciou sério, senti que ele me ignorava a todo momento, pois desviava os olhos do meu a todo instante. Talvez me ache uma perdida por beija-lo daquela forma.  Indecisa assenti, não seria prudente negar. E ouvi ele sair.  Minhas lágrimas tenebrosas se estenderam por todo o meu rosto, desestabilizada e insegura, funguei baixinho.  Eu o amo e isso machuca tanto o meu peito.  Uivei de dor ao tentar me levantar da cama.  - Cibely, não. Para. _ Era a yve entrando no quarto e correndo até mim, me amparando.  - Ele me odeia, Yve ele me odeia. _ Minha voz saiu falha e acabei caindo de joelhos no chão, pousando as mãos na minha barriga doendo. - Ai meu Deus. _ Choraminguei baixinho, nunca pensei que sofreria tanto por amor, por que Deus, por que o colocou no meu caminho de novo, isso não poderia ser só um maldito sonho, tinha que trazer ele pro meu mundo real, isso é covardia, dói tanto.  - Oh...Bella... minha amiga não se torture assim. _ Exclamou a yve se ajoelhado ao meu lado e barrando minhas lágrimas que banhava meu rosto. - O castigo dele é aquela mulher. _Rosnou áspera puxando minha cabeça para seu peito, meu Deus além deu sofrer, ainda farei sofrer quem me ampara.  Balancei a cabeça e tento me recompor.  - Não diga isso. _ solucei, fazendo careta de dor, ao que a yve me ajudava a se levantar.  - Tem que parar com isso Cibely, esqueça esse homem, você é tão bonita e nova, não fica se desgastando por um homem que você só viu em sonho...a realidade é outra, olha em volta, você tem seus pais, acabou de finalizar seu curso, Jajá é uma advogada implacável, ainda terá muitas desilusões amorosas, acredite quando eu digo, essa não é a primeira e tão pouco a última. _ Indagou sorridente, me arrancando um leve sorriso.  -  Agradeço os conselhos, mas enquanto estiver fichas, gostando ou não continuarei jogando. _ Confessei de uma vez por todas.  Não vou desistir só porque recebi um não.  - Definitivamente você é a pessoa mais teimosa que eu conheço. _ Gesticulou me olhando firme.  - Não avisou para os meus pais, não é mesmo? _ Murmurei, sentando na cama.  - Não. _Arrumou um travesseiro atrás de mim.  - Mas deveria ligar.  Neguei, não iria preocupa-los com bobagem.    ****  O celular vibrando ao lado da cama, foi a primeira coisa que tirou minha atenção do espelho, eu terminava de me trocar.  - Alô. _Atendo.  - Oi minha querida, como está? _ A voz da minha mãe parecia alegre e isso me acalmava o peito.  Sorrio ligeiramente, fazendo uma pequena careta ao me escorar na cama.  - Eu tô bem e o papai? _Perguntei.  - Ele está ótimo, filha não se preocupe o m*l-estar do seu pai nunca mais voltou.  - Isso é maravilhoso, mas não tire os olhos dele... mamãe preciso desligar agora.  - Está bem até mais querida.  - até. _ Desliguei o celular.  A porta range.  - Vamos Bella. _ Chamou a Yve entrando no quarto.  Assenti, concordando.  Ela veio até mim e me ajudou com uma bolsa.  - Vai fazer B.O?  - Não, o que eu mais quero agora é ir pra minha casa e descansar até não aguentar mais. _Confidenciei e saí do quarto em pequenos passos.  Antes que saíssemos do hospital, na portaria para ser mais exata, ali especificamente meu coração despedaçou em pedaços, Allan estava de frente a um carro no estacionamento, encostado com sua esposa e se beijando.  Nem preciso dizer que isso só coroou minha desgraça.  Automaticamente meu mundo desabou ao ver ele com a infiel e de repente abrir os olhos em nossa direção, em mim como um maldito, me olhando enquanto beijava a loira aguada da sua esposa.  Abaixei a cabeça e voltei a caminhar até o táxi nos esperando.  - Vem Bella. _ Chamou a Yve abrindo a porta.  Inevitavelmente voltei a olha-los e estreitei a vista, engolindo em seco.  Isso é demais para mim.  Dei de ombros e entrei no carro.  ****  Uma careta se formou em meu rosto ao vislumbrar meu reflexo abatido e minhas olheiras visivelmente grandes.  - Me acha bonita Yve? _ Perguntei a olhando através do espelho.  Ela sorriu, caminhou até mim e abraçou meus ombros.  - Você é linda. _Acariciou meu cabelo.  - Você acha que eu sou o bastante para ele. _ Evitei olhar para ela, pois não suportaria o seu olhar de descrença.  - No sonho você me disse que teve 12 encontros, não é mesmo? _ Ao escuta-la contudo virei-me. - Quer mesmo o médico? _ Perguntou. De imediato assenti.  - É tudo o que eu mais quero. _ Revelei, convicta.  - Use isso a seu favor, talvez seja uma incógnita.... _ A interrompo sorrindo e a dei as costas, imersa em algo em mente.  É claro....  Com pressa peguei meu caderno de anotações e me sentei no sofá, parando no ato para suspirar. Eu sempre esquecia do ferimento ainda não cicatrizado.  - O que está fazendo? _ A Yve quis saber, sentando no braço do sofá. Comecei a rabiscar o caderno.  - Você acabou de me dar uma ótima ideia. _ Falei empolgada, não precisei olha-la para saber que ela piscava os olhos, confusa. - MISSÃO CHAVE DE COXA....esse médico será meu de qualquer jeito. _Declarei confiante, mostrando o caderno para ela.  - 12 Maneiras/formas de fazer ele se apaixonar por você? _ Subiu o olhar, escandalizada. - Quais?   O não eu já tenho, preciso ir atrás do SIM.  Dando uma piscadela pra ela, volto a tarefa.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR