RODRIGO NARRANDO Voltei lá no morro logo cedo, o dia ainda começando a se ajeitar e a neblina descendo devagar pelas lajes. O baile era mais tarde, mas eu precisava plantar de vez meu lugar. Mostrar que minha presença ali não era fogo de palha. Que eu queria fazer parte da engrenagem. Coração acelerado, mas o rosto impassível. No olhar, aquele jogo de cintura de quem cresceu na malandragem, mesmo que só na teoria. Porque, na prática, minha vida tinha tomado outro rumo — mas aquilo ninguém ali precisava saber. Cheguei na contenção com calma, pedi pra avisarem o Gadernal que eu queria trocar ideia. Não demorou muito, ele veio andando devagar, o boné abaixado, camisa branca no corpo e a corrente pesada no peito. Passo firme. Imponente. O morro respeita ele até no silêncio. — Fala aí, Rodr

