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1130 Palavras

GADERNAL NARRANDO Assim que deixei o Rodrigo lá na bronca e virei a esquina do beco, meu corpo seguia andando… mas minha cabeça tinha voltado anos no tempo. Era como se eu ainda visse a gente correndo descalço pelo campinho ali perto do escadão, chutando bola de meia, se jogando na lama quando chovia, caindo na gargalhada como se o mundo fosse só aquilo ali. Eu e ele, inseparáveis. A mãe dele vivia gritando da laje: “RODRIGO, VEM PRA CASA AGORA!” e ele fazia careta, me olhando como quem dizia “só mais cinco minutos”. Rodrigo era meu irmão de vida. A gente dividia merenda, dividia chinelo, dividia os porre de infância que tomava da mãe quando voltava tarde. Mas aí, do nada, sumiu. A coroa dele meteu ele pra longe. Nunca mais ouvi falar. Só sei que um dia ele parou de aparecer, e pronto.

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