RODRIGO NARRANDO A subida era do c*****o. Não só pelo morro, mas pela decisão que eu tinha tomado. O sol já começava a castigar a nuca, e o carro tava estacionado lá embaixo, longe o suficiente pra ninguém desconfiar. Subi a pé, de propósito. De bermuda, camisa do Flamengo, cordão no pescoço e boné enfiado na testa. O rosto? Sereno. Postura? Despojada. Mas o coração tenso. Eu conhecia aquela quebrada como a palma da minha mão. Cada viela, cada barulho de portão batendo, cada cachorro latindo… tudo fazia parte da minha infância. Mas agora, anos depois, eu tava voltando como um homem feito, com uma missão, com um propósito. E mais ainda… com uma mentira pronta na ponta da língua. Eu precisava entrar. Me infiltrar. Não só pelo Batalhão, mas por mim. A Maju tinha mexido comigo. De um jeito

