RODRIGO NARRANDO Eu saí da boca com uma vontade de rir que quase não cabia no peito, mas mantive a cara fechada, a "postura de cria". Por dentro, eu estava soltando fogos. O Gadernal achou que estava me dando um castigo ou me testando, mas o desgraçado acabou de me entregar a chave do castelo. Me botar na rua principal, no coração do fluxo, era tudo o que eu precisava. Agora eu não era mais um soldado esquecido no buraco de uma barricada qualquer. Eu era o filtro. Eu era o radar. Parei na frente da base, ajeitei o fuzil no ombro e encostei num pilar, de um jeito que eu conseguia ver quem subia do asfalto e quem descia do alto. A visão era privilegiada. Dali, eu mapeava o movimento dos batedores, via quais carros entravam sem ser revistados e, o mais importante: eu tinha o controle visua

