RODRIGO NARRANDO Eu tava ali, sentado num caixote de cerveja na laje daquela casa de vila, encarando o muro chapiscado e mastigando uma quentinha de feijão que descia igual pedra. O sol tava começando a cair e o morro tava naquela calmaria enganosa antes do movimento do fim do dia. Minha costela ainda latejava e o ponto no supercílio repuxava a cada vez que eu piscava, mas o que tava me deixando pilhado mesmo não era a dor física. Era o silêncio. De repente, o meu celular de "uso oficial" — que ficava escondido no fundo falso da mochila — começou a vibrar. Era o Comandante. Senti um calafrio na nuca. Olhei pr'um lado, olhei pro outro, vi uns moleques de radinho na laje vizinha e já mudei a postura. Se alguém visse o "Magrelo" batendo papo com autoridade, eu virava peneira em cinco segund

