RODRIGO NARRANDO Eu estava ali, sentado naquela maca fria, sentindo o toque das mãos dela no meu rosto, e vou te falar: a dor da costela e o ardor do supercílio tinham ficado em segundo plano. Eu olhava fixo no fundo daqueles olhos azuis dela — azul bonito pra c*****o, parecendo o mar da Barra num dia de sol — e sentia que meu plano estava funcionando melhor do que a encomenda. Enquanto ela passava a agulha com aquela delicadeza de quem realmente se importava, eu via a confusão e o brilho da memória no olhar dela. A Amanda não era só a irmã do meu alvo; ela era a menina que eu atormentava, a "piolhenta" que virou esse espetáculo de mulher. "p**a que pariu, Rodrigo... como é que tu vai sustentar essa mentira com uma mulher dessa cuidando de você?", pensei, sentindo o perfume dela invadir

