AMANDA NARRANDO O plantão no posto do morro é sempre uma caixinha de surpresas, mas eu já começo o dia no automático. Tinha acabado de organizar minha mesa, colocar o estetoscópio no pescoço e ia pedir pra chamarem o primeiro paciente da fila, quando a enfermeira-chefe entrou na sala com o rosto pálido, falando meio atropelado. — Doutora, entrou um rapaz agora... um dos meninos do movimento. Tá bem machucado, sangrando muito no rosto. Ele tá lá na recepção, encostado na parede. Respirei fundo, sentindo aquele peso no peito que nunca some. Ser irmã do Thiago me dava um respeito extra ali dentro, mas lidar com a violência do morro na minha mesa de atendimento ainda me dava um nó no estômago. — Traz ele pra sala de sutura agora, por favor. Não quero tumulto na recepção — respondi, já pega

