MAJU NARRANDO Eu olhava para o Thiago e não conseguia acreditar que, em menos de vinte e quatro horas, minha vida tinha capotado de uma forma que nenhum roteirista de cinema conseguiria escrever. Ali estava eu, a professora Maria Júlia, que sempre prezou pela ética, pelos bons costumes e pela segurança de uma vida pacata, dentro de um verdadeiro palácio encravado no topo do Complexo do Alemão. Quando ele abriu a porta daquela casa, eu confesso que meu queixo quase caiu. Não era apenas uma casa de "chefe de morro", era um casarão digno de capa de revista de arquitetura da Zona Sul. Tudo do bom e do melhor: piso de mármore brilhando, uma televisão que parecia uma tela de cinema, móveis de design que custavam mais que o meu salário de um ano inteiro e uma cozinha planejada que era o sonho de

