Passaram-se três meses longos e sufocantes desde que Ellie tomou sua decisão definitiva: não cederia mais a Marlon. Nem hoje. Nem amanhã. Nem nunca. Ele, por outro lado, parecia incapaz de aceitar aquilo. Estava sempre por perto. Sempre. Como uma sombra grudada na pele dela. Pedia desculpas, implorava, tentava forçar conversas, gestos, aproximações físicas, como se palavras fossem capazes de apagar sequestro, morte, humilhação e abuso. Mas Ellie havia endurecido. O olhar dela não era mais confuso. Não era mais quebrado. Era frio. Cortante. Definitivo. Um olhar que dizia, sem precisar de voz: você não me tem mais. Marlon sentia isso. E aquilo o enlouquecia. Enquanto isso, Gustavo e Ellie estavam cada vez mais conectados — de um jeito silencioso, perigoso, proibido. Eles não se toc

