A Mulher Que Não Era Minha (Ainda)

611 Palavras
Algumas semanas depois, me encontrei com meus irmãos. Estávamos rindo, bebendo, tentando fingir normalidade — coisa que nunca existiu de verdade na nossa família. Marcelo foi direto: — E aí… como vai o namoro? — Que namoro? — respondi, rindo baixo. — A Brenda — insistiu ele, arqueando a sobrancelha. Soltei uma gargalhada seca. — A Brenda é só minha amiga. Amiga de cama. O riso foi geral. — Tá podendo, hein, irmão — Marcelo comentou. Bruna franziu o cenho, genuinamente confusa. — Isso existe mesmo? Expliquei com naturalidade fria: — Conheci a Brenda na Califórnia. Foi com ela que tudo começou. Ela nunca soube disso. Desde então, quando ela vem ao Brasil, a gente se encontra. Sem romance. Sem promessa. Só conexão física e conversa. Já dura seis anos. — Tive uma assim — Marcos comentou. — Mas ela se apaixonou. Cortei antes de virar problema. Rimos. Bruna ficou em silêncio por um instante. — Eu não consigo me abrir com ninguém… tenho medo. Segurei a mão dela com firmeza. — Quem te quiser de verdade vai saber esperar. O resto… não importa. Ela assentiu, emocionada. Naquele dia, eu ainda não sabia… mas eu já não estava inteiro ali. --- Meses depois, numa festa qualquer, eu a vi. Ellie Vieira. O mundo reduziu o volume. Tudo ficou lento. Ela não fazia esforço algum para chamar atenção — e talvez por isso tenha me destruído daquele jeito. Me aproximei. — Marlon Olivares. — Ellie Vieira. Conversamos pouco. O suficiente para eu decidir. Ela vai ser minha. Naquela mesma noite, procurei tudo sobre ela. Redes sociais. Pouca exposição. Enfermeira. Vida simples. Discreta. Limpa demais para esse mundo sujo. Contratei um detetive. Depois, outro. Depois, segurança. Passei a saber horários, rotinas, trajetos. Onde morava. Onde trabalhava. Onde sorria. Onde chorava. Comprei uma mansão em um condomínio fechado. Comecei a montar um closet inteiro para ela. Vestidos. Sapatos. Joias. Tudo escolhido com precisão cirúrgica. Três anos se passaram. Eu tinha 26. Ela, 23. O relatório veio seco: Noiva. Destruí metade da casa naquela noite. Mas desistir nunca foi uma opção. --- Passei a segui-la pessoalmente. Um dia, parei o carro perto da rua dela. — Ellie… lembra de mim? Ela sorriu, surpresa. — Claro. Marlon, não é? Conversamos. Rimos. Então ela disse: — Estou noiva… mas queria ter te conhecido antes. Aquilo foi tudo o que precisei. — Ainda dá tempo de nos conhecermos melhor. Ela recusou. Disse que não era assim. Mas eu vi nos olhos dela: dúvida. E dúvida… é uma rachadura. --- Naquela noite, Brenda me ligou. Estava no meu antigo apartamento. Fui até lá. O corpo dela ainda me conhecia, mas minha mente não estava ali. Depois, no silêncio, falei: — Me apaixonei por uma mulher que vai casar. Brenda ficou séria. — Isso não é você, Marlon. Isso é obsessão. — Não. É certeza. — Isso vai dar errado. — Não importa. Ela tentou rir, provocar, fugir do assunto. Mas já era tarde. Eu não conseguia mais tocá-la sem pensar em Ellie. --- O casamento aconteceu. Fui. Com Brenda. Ellie estava linda. E não era minha. Ainda. No banheiro, deixei claro: — Você vai ser minha. Ela ameaçou gritar. Eu apenas sorri. — Lembra do que eu disse. Saí. Naquela noite, não consegui ficar com ninguém. --- Os meses passaram. O closet estava pronto. A casa, perfeita. A vigilância, absoluta. Brenda insistia: — Você passou do limite. — Eu sei exatamente o que quero. Três anos depois… Eu, 29. Ela, 26. Casada. Sorrindo. Achando que estava segura. Mas eu sabia. Comigo, ela não seria apenas feliz. Ela seria minha. E essa certeza… já era mais forte que qualquer limite.
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