Capítulo 7

1166 Palavras
— Não precisa colocar um pilar aqui, porque ele já existe— explicou — Ou demolimos a parede e mantemos ele lá, ou trocamos por uma viga. — Visualmente, eu prefiro a viga, mas financeiramente falando, manter o pilar será melhor. — Veja com os clientes, de repente, eles gostam da ideia. — Verei — fechei meu laptop — Então eu já vou, obrigada — me levanto da cadeira — Ah, sua sala é incrível — não pude deixar de falar. — De nada Anne e obrigado também — sorriu — fiz esse cantinho para me distrair e trabalhar. — Te peço perdão pela invasão, eu estranhei você não estar na empresa, isso não é comum. — Eu tive uma consulta médica. — Está tudo bem? — perguntei. — Sim, foi somente uma consulta de rotina — respondeu — Assim que cheguei, comecei a jogar e acabei ficando longe do celular. Não acontecerá de novo, poderia ser algo grave. — Mas não foi! Eu agi por impulso. — Você fica me devendo uma e fica tudo certo. — Combinado! — fito o computador gamer dele. — Você gosta? — Não tenho muita prática, mas amo assistir os outros jogando — disse — O que eu não esperava é que você gostava. — Me ajuda a distrair — afirmou sucinto. — Parece um bom método, acho que vou implantar na minha vida. — Se quiser, te ajudo a escolher! — Não precisa — neguei. — Eu tenho me perguntado, o que eu te fiz? — Nada. — Como nada? Você é extremamente fechada! — Não sou. — Claro que é, eu só te ofereci ajuda, não vou te s********r ou fazer nenhum m*l. — Eu sei que não vai. — Então, por que toda essa relutância? — perguntou-me e eu não respondi — No começo eu sei que fui um pouco injusto com você, não vou negar. — Só injusto? Foi petulante e só faltou falar que eu era burra — o sangue subiu. — É meu jeito. — Te aconselho a mudar, pois, isso não é forma de tratar ninguém, principalmente uma pessoa que m*l conhece. — Você estava atrasada, Anne! — Eu estava trabalhando, é diferente. — Não era seu serviço, principalmente naquele momento. — Não importa — fiz de tudo para não ter que explicar a situação como aconteceu, não queria prejudicar Laurine — A forma que me tratou foi ridícula. Duvidou da minha competência. — Eu não te conhecia, agora eu sei... — A decisão do Seu Montez que se exploda então né? — diferente da nossa primeira discussão, eu não segurei a bola — E se isso não foi o suficiente para você, naquela praça, o que tentou fazer? Tirou meu fone! Ofendeu-me de graça! Foi xenofóbico! — Eu não sou xenofóbico! — o tom de voz dele subiu. — Ah não? Então me explica o que foi aquilo? — peguei meu laptop e minhas chaves — Não, não, melhor... Não me explique nada, não quero saber! — desci as escadas freneticamente e segui para casa. — Anne! — ele chamou, mas eu já tinha fechado a porta — Anne! — tocou a campainha — Não seja infantil! Vamos esclarecer isso — ouvi a voz mais baixa por conta da porta e depois um silêncio. Acho que ele desistiu. Anne, o que você está fazendo? Isso não faz parte de quem você é. — Anne — me assustei — Não devia ter subido o tom de voz com a senhorita, te peço desculpas. Tentei imaginar como ele teria entrado, entretanto, percebo o quão óbvio seria a resposta. Assim como eu, ele também tem chaves reservas. — Sente-se — apontei para o sofá — Te peço desculpas também. Agi de maneira infantil — confessei, é duro “m***r” o orgulho. — Eu compreendo seus motivos — acomodou-se no sofá e eu fiz o mesmo — Fui tão invasivo quando tirei seu fone naquele dia, sinto-me extremamente envergonhado com minha atitude — suspirou — Além de agir impulsivamente, tive a coragem de insultá-la. É claro que isso te deixaria constrangida e magoada. — Eu te juro que na hora, não entendi o que fiz de errado, por isso na hora também retribui seu insulto, o ponto é que acabei criando uma visão negativa de você. — Estranho seria se tivesse criado uma visão positiva de mim, não é? — ele acabou rindo — Eu preciso te garantir que não sou xenofóbico! Acontece que, como deve saber, embora o ballet não tenha sido criado na França, ele sempre será nosso querido, não é à toa que os movimentos são ditos em francês. Então, quando te vi com fones, em vez de apreciar a apresentação com a música correspondente, me fez agir sem pensar. — Não sabia que era tão importante para você. — Nem eu. Mesmo sabendo o quanto admiro a cultura do meu país, percebo que passei dos limites — ele me olhou firmemente — Minha sorte foi que depois te encontrei e tive a chance de te pedir desculpas, mas poderia ter sido com outra pessoa, que jamais veria de novo e pior, teria tido a mesma visão que você teve. — Eu agradeço de verdade, seu esclarecimento. — É o mínimo que podia fazer — suspirou — Temos que nos dar bem, para meu tio, você é muito importante! — E ele para mim. — No começo, eu não queria acreditar que você era realmente boa. A verdade, é que meu tio me assustou quando disse que mandaria alguém para me ajudar — disse sinceramente — Meu sentimento na hora foi: não sirvo para nada então. Até você chegar e mostrar sua competência, na primeira vez que conversamos, na minha sala, você agiu de uma forma tão segura e sem medo, mostrando estar disponível — acrescentou — Tinha uma resposta na ponta da língua para tudo o que eu falava. Foi bem impressionante. E nessa hora, o silêncio pairou — aparentemente eu não tenho sempre uma resposta na ponta da língua como ele apontou — estou completamente sem palavras, John é zero orgulhoso e se abriu sem medo para mim agora. Acho que nunca conheci ninguém assim, que rompesse o orgulho e admitisse os erros. — Desculpe, eu falei muito e acabei não deixando você falar... — Eu estou um pouco pasma, eu diria. — Pasma? — É que eu nunca conheci ninguém que fosse tão vulnerável assim, quero dizer, não de forma espontânea. — É... A verdade é que eu detesto que me entendam m*l, então sempre procuro explicar o que aconteceu. — O mais intrigante é que não se parece com o John que conheci antes, parece alguém com que facilmente eu faria amizade. — Fico feliz em ouvir isso. — Eu também — concordo — pelo visto papi não estava errado quando me disse que nos entenderíamos. — Já notou como ele nunca está errado? — Você também tem essa sensação? — Sim! O tempo inteiro — afirmou.
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