Capítulo 28 GAEL NARRANDO Ela dançava. Só pra mim. No meio desse churrasco, cercada de gente, música alta e risadas, era como se só existisse ela. E essa dança. A porrä dessa dança. Valentina sabia exatamente o que fazia. Os quadris marcando o ritmo lento e sujo do batidão, a mão escorregando pelo próprio corpo, o olhar preso no meu. Eu tava travado no canto, os punhos cerrados, a mandíbula doendo de tão apertada. Cada parte do meu corpo implorava por ela. Cada segundo me fazia querer esquecer o que era controle. Ela tava brincando comigo. E gostando disso. Chega. Saí do canto, atravessei a multidão sem pensar, até chegar bem perto dela. Ela fingiu surpresa, mas os olhos dela… os olhos sabiam o que eu ia fazer. Ela sabia desde o primeiro rebolado. — Vem comigo — rosnei, encostando

