Cap 06 Eduardo

1594 Palavras
Eduardo Lira Olhar para aqueles pequenos olhinhos cheio de lágrimas me questionando sobre ela ter sido achada no lixo, me fez me sentir um péssimo pai, percebi o quanto minha princesa sente falta de uma mãe e isso com que meu coração se quebre em milhões de pedacinhos e minha vontade é de apenas pegar no colo e chorar com ela, desprezo aquela mulher que amei tanto por está me fazendo ficar sem justificativas sobre o por que ela a rejeitou. Nesse momento a única coisa que posso fazer é dar um beijo nela. - Meu amor, o papai ama você, agora a única coisa que o papai pode fazer é te abraçar e dar um beijinho. - Papai mas eu quero saber o por que minha mamãe não me ama, eu sou a única dos meus coleguinhas que não tem mamãe, e eu quero minha mamãe. - Vamos fazer o seguinte, enxuga essas lagrimas e vamos no mercado comprar sorvete. – Porque mulher quando está triste come sempre sorvete e parece que isso melhora o animo e vou fazer esse teste com minha pequena. – E vamos para a casa e o papai vai contar o que você quer saber, tudo bem? -Promete que vai me contar tudinho papai, eu aguento saber que o senhor me achou no lixo atrás de casa, eu vou chorar um pouquinho, mas eu vou ficar triste só um pouquinho prometo. Olho para minha filha e vejo o quanto ela está sendo corajosa mesmo tentando não acreditar nessa história que ela criou na cabecinha dela. A prendo na sua cadeirinha e entro no banco do motorista e lá vamos nós atrás do sorvete. Chegamos no mercado próximo de casa onde todos os atendentes gostam da Helena. Pegamos o sorvete e a Helena o tempo todo no meu colo, com um chorinho bem sentido, ela tentava esconder seu rostinho, quando cheguei no caixa. - Olha se não é minha cliente favorita aqui, tudo bem Helena? - Minha princesa não responde de imediato tenta esconder seu rosto entre os cabelos e fala baixinho. - Meu papai veio comprar sorvete por que hoje estou triste. – Tento alcançar minha carteira que está no bolo de trás, e presto atenção na conversa da Helena com a atendente. - Seu papai é um homem muito inteligente então, nós mulheres sempre que ficamos triste gostamos mesmo é de comer uma boa fruta ou comidinha gostosa, não só o sorvete. - Obrigado pela ajuda, hoje estou precisando mesmo. - Por nada e se precisar de ajuda, sabe onde me encontrar.- A Jéssica é uma moça muito simpática e sempre muito prestativa, ela mora a dois andares abaixo do meu, sempre que quero assar uma carne combino junto com o marido dela e fazemos sempre juntos ela tem dois filhos uma menina na idade da Helena e um menininho que tem apenas alguns meses. - Talvez precise de ajuda em algum momento Jéssica entre em um campo meio que minado. Ela me olha como se conseguisse entender o que estou passando então me despeço antes que o sorvete derreta e infelizmente Helena dorme no meu colo agarrado no meu pescoço. - Jéssica vou indo, preciso conversar com essa pequena aqui ainda, se puder passar lá mais tarde se o Tom não se importar eu agradeço. - Não se preocupe passaremos lá depois que pegar a Ariel e o Lucas tudo bem? - Melhor assim, pelo menos a Helena irá brincar depois, por que nossa conversa será bem difícil. Chegamos em casa e a levo para seu castelo, o quartinho dela é todo decorado com tema de princesa, a coloco em sua cama tiro seu sapato e a cubro com seu cobertor e deixo ela lá por um tempo, sei que logo ela irá acordar, então guardo o sorvete e já deixo preparado algumas coisas para ela por no seu sorvete, vou tirando minha roupa e vou para o banho antes que ela acorde. Debaixo do chuveiro eu choro, deixo a raiva extrapolar e soco a parede. -Desgraça, maldita, espero que esteja tão infeliz agora como está a nossa filha com a falta que você está fazendo a ela. Como não puder perceber que a Rebeca era essa pessoa egoísta e mesquinha, que largou uma filha de três meses com o pai sozinho, por muito tempo tive a esperança que ela fosse retorna por estar sentindo falta da gente aqui, mais as semanas se transformaram em meses, e meses em anos. Agora estou aqui com uma filha de quatro anos que provavelmente sofreu bullying na escola por ela não ter mãe. Saio do banho visto uma roupa confortável e vou para a cozinha preparar nosso jantar enquanto ela não acorda. Já na cozinha preparando um caldinho de feijão que ela ama ouço meu telefone tocar e vou até a mesinha busca-lo e atendo. - Fala Edu, me diga como foi o primeiro dia de aula da minha princesa?, fiquei esperando você me ligar, está tudo bem ou aconteceu algo? - Ah Augusto, nem sei ainda o que houve por que ela está dormindo, estou esperando ela acordar e me contar o que aconteceu, mais tem algo haver com a falta da mãe dela. - Viu só Edu, ela precisa de uma mãe assim como você precisa de uma mulher, precisa superar esse trauma de abandono, procura um psicólogo se for o caso, mais olha para a Helena que está sofrendo... - Paaaapaaai – Largo tudo o que estou fazendo e corro para o quarto dela para saber o motivo do grito, entro no quarto e já vou ligando a luz e minha menina estava encolhida no meio do lençóis chorando, ainda estava com o celular ligado e aviso para o Augusto que depois eu ligaria para ele. - Oi minha princesa, fala para o papai o que aconteceu, por que você gritou agora. – Ela sai do meio dos lençóis e corre para meus braços, e me sento na sua cama, está na hora de termos uma conversa que eu sei que será bem difícil para ela, olho em seus olhos e vou acomodando ela na cama e a viro para mim. - Papai me conta a verdade, por favor sei que sou seu bebê, mais quero saber por que minha mamãe não me quis, por que ela nós deixou sozinhos. - Antes que eu te responda, você pode me dizer o que houve hoje na escola, me deixou preocupado quando cheguei hoje na sua escola. - Minha princesa é só pequena, mais já vejo que ela tem certa maturidade, ela fica sentadinha segurando seu uniforme e me olha. - Depois do lanche algumas crianças ficaram rindo do meu lanche por que ele não tinha bonequinhos, suco em garrafinha decorada, mais isso não me chateou, fiquei triste por que eles falaram que eu sou órfã ou que fui achada no lixo por isso não tenho mãe, e eu só queria ter uma mamãe para me contar uma historinha, ou fazer esses tipos de lanches papai, agora me diga o que eu não sei. - Respiro e decido contar o que ela não sabe. Vou ate meu quarto e pego uma foto da Rebeca que ainda tenho, e entrego a Helena. - Minha princesa essa é sua mamãe, ela se chama Rebeca e ela é medica, quando você era bem pequena ela precisou ir viajar para trabalhar e depois de um tempo ela precisou ficar por lá, e decidiu se mudar e como é muito longe ela acabou nunca voltando, e perdemos contatos, essa é a verdade. - Então minha mamãe não nos amava papai, por isso ele nos deixou? Vejo dor em seus olhos e lagrimas se formando e a pego no colo outra vez e a levo até a cozinha, e pego o sorvete e as caldas e tudo o que precisa para fazer ela feliz. - Papai está doendo aqui dentro de mim, sinto que tem algo quebrando igual aquele copo no outro dia, sei que o senhor não queria me contar e desculpa por insistir em querer saber a verdade. - Minha princesa não precisa pedir desculpa, o papai que pede perdão por não ser suficiente para você, minha princesa. Minha princesa vem ate meu colo outra vez e me abraça, papai te amo, e você é o melhor pai do mundo, e não precisamos de outra pessoa, somos então so nós dois, a vovó, o vovô, meu Dindo, e o titio Gusto. Depois de muito choro, dou um banho nela e troco sua roupa, deixo ela tomar outra taça de sorvete, e Jessica aparece com as crianças e damos sorvete para eles enquanto vou conversar com ela e com o Tom. -Contei para ela Jéssica sobre a Rebeca, e me doeu ver a dor nos olhinhos dela, tentei contar de uma forma que ela mais tarde não dissesse que eu menti ou omiti algo para ela, e acho que ela conseguiu entender mais ainda assim acho que isso vai demorar e ela vai acabar precisando de ajuda. - Então procura uma psicóloga para ela. – Isso me faz lembrar que amanha tenho uma reunião com a psicóloga da escola. - Amanha terei uma reunião, na escola com a psicóloga, talvez ela me ajude e me indique alguém que ajude a Helena, Fico olhando para minha filha que está brincando com a Ariel e o Lucas na nossa sala, farei de tudo para que ela não fique sofrendo por aquela mulher que nos abandonou, e vejo o sorriso no seu rostinho delicado de princesa.
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