Lucas O depósito sempre me pareceu um pulmão cansado: respirava m*l, cheio de caixas fora do lugar, cheiro de poeira úmida e metal antigo. Entrei antes do sol vencer a névoa que sobe do asfalto. Quis que aquele espaço ficasse à altura de quem chega com o peito em aflição. Tirei as caixas do caminho, empilhei o que ainda prestava, separei o que precisava de descarte. Abri a veneziana. O ar da rua entrou com um perfume simples de pão na chapa e café coado; a vida, mesmo fustigada, insiste. — O que você precisa? — perguntou Vera, surgindo na porta como quem sempre sabe a hora exata. — Duas cadeiras firmes, um suporte de soro, tomadas livres e a extensão que não esquenta — respondi. Ela assentiu, desapareceu e voltou com tudo, sem alarde. Movemos as cadeiras para perto da janela; o vapor p

