Isadora A manhã chegou com um cheiro quase doce de desinfetante e pão assando na rua de trás. O posto abriu as portas antes do relógio marcar sete. Havia crianças na fila com tosses curtas, idosos com cartões de vacinação dobrados como relicários, e mulheres com braços enfaixados da noite anterior. O prédio parecia respirar junto com cada peito inquieto. Levei Tainá para a sala de curativos. O corte de raspão no braço já não sangrava, mas a pele ainda ardia. — Senta — pedi, puxando o banquinho para perto da janela. — Vamos trocar o curativo devagar. Ela obedeceu sem fazer drama. Estiquei a gaze, apliquei o soro, sequei com toques curtos, passei a pomada como quem escreve uma linha reta. — Dói? — perguntei. — Arde — respondeu, séria. — Mas eu estou inteira. Sorri de leve. — Inteira

