Pré-visualização gratuita Sua Determinação Dita Seu Destino.
“Hoje está muito frio. Estamos na época do inverno e aqui nas montanhas nesta época neva, então, como eu não pude sair, fiquei na biblioteca lendo. Eu sou apaixonada por livros, principalmente pelos de romance e muitas vezes fico sonhando acordada, imaginando como será o meu príncipe encantado... Mamãe fala que eu tenho que parar com isso e me preocupar com meus deveres de princesa, mas o que tem de tão errado em sonhar?”
De repente ouço alguém bater à porta e paro de escrever no meu diário.
— Entre! — digo e vejo que era uma das criadas do castelo, ela entra e se curva diante de mim.
— Princesa? A rainha Ursula está à sua espera no quarto.
Eu me chamo Alyna. Alyna Balaska Victoria, princesa herdeira do trono de Aldon. Moro neste palácio apenas com a minha mãe, pois meu pai morreu em uma grande guerra que nosso reino travou anos atrás. Ele queria um menino para herdar o trono, mas mamãe não conseguiu engravidar novamente então sou só eu.
Eu tenho cabelos cacheados e a pele n***a como uma noite sem nuvens. Completarei 21 anos daqui a duas semanas e por causa disso mamãe está preparando uma grande festa, porém não me importo muito com isso. Minha mãe é a mulher mais linda e gentil que conheço, ela tem enormes cabelos negros e sua pele é tão branca quanto a neve.
Agradeci à criada, saí da biblioteca e caminhei pelo corredor iluminado por tochas até chegar à porta do meu quarto então entrei e lá estava ela, sentada de frente para a lareira lendo uma carta.
— Me chamou mamãe? — faço reverência e sento.
Ela olha para mim, coloca a carta de lado e bate de leve no sofá como sinal para que eu sentasse.
— Sim filha, chamei... — ela está séria e isso me causa calafrios.
— Pode falar! — digo, me sentando.
— Há cerca de 20 anos atrás, quando você ainda tinha meses de vida, nosso reino estava em apuros. Tínhamos acabado de lutar uma guerra contra o reino do Sul na qual o seu pai acabou falecendo... — ela contava, emotiva — Isso havia prejudicado nossos súditos, estávamos sem dinheiro e sem alimento, e tivemos que pedir ajuda ao reino de Áquila, contudo naquela época nossas plantações não estavam prosperando e as nossas minas estavam quase sem ouro, não podíamos pagar a dívida.
— E o que aconteceu?
— Fizemos um acordo com o rei e a rainha de Áquila... — mamãe explicou seriamente — Quando você completasse 21 anos teria de se casar com o filho do meio deles, Edward Adler.
— O quê? — levanto do sofá, incrédula — Como você me conta isso só agora? Faltando duas semanas?
— Eu fiz o que achei melhor para você.
— E você acha que eu vou ser feliz? Com um casamento arranjado? — tentei segurar as lágrimas — Esse é o melhor pra mim?
— Alyna, não tínhamos escolha! Nosso povo ia morrer de fome.
Minha mãe tentava se explicar, mas nessa altura eu já nem queria ouvir. Estava perdida em meus pensamentos, imaginando como seria casar com um homem que eu nunca vi na vida.
— E seus súditos são mais importantes do que a minha felicidade? — esbravejei aos prantos.
— Claro que não querida, mas você tem que entender que eu sou a rainha e tenho que cuidar do meu povo! — mamãe falou, aproximando-se de mim.
— E eu? Você não tinha que cuidar de mim também? — me afasto dela, secando as lágrimas.
Mamãe ficou lá, parada e sem saber o que dizer, então fiz reverência e saí rapidamente dali. Andei pelo corredor, desci as escadas que davam no salão do palácio, pedi para uma das criadas pegar o meu casaco e saí.
Caminhei pelo jardim coberto de neve e sentei em um dos bancos que haviam por lá. Senti uma dor tão grande no peito que era como se tivessem enfiado uma adaga no meu coração. Agora a menina que sonhava com um príncipe de contos de fadas teria que casar com um desconhecido.
Algum tempo depois entrei para o castelo e voltei ao meu quarto. Mamãe já havia saído e no sofá estava a carta do reino de Áquila, logo amassei-a e joguei no lixo. Tirei meu casaco, coloquei sobre o sofá e chamei os serviçais para prepararem meu banho.
Eu precisava de um jeito para não me casar com o príncipe Edward, então durante o banho tive a ideia de fugir para o reino de Áquila porque ninguém me conhece lá e a mamãe nunca avisaria o reino vizinho que eu fugi, pois seria uma vergonha.
— Eu não preciso ficar perto do palácio... — falei comigo mesma — Poderia ficar em algum vilarejo e ninguém nunca me encontraria.
Aí está a solução perfeita! Na calada da noite peguei uma bolsa, coloquei algumas joias e algumas roupas simples que pedi para uma criada dizendo que queria visitar meus súditos disfarçada.
— Traga algumas frutas também para o caso de eu sentir fome! — pedi e a serva trouxe maçãs.
Agi normalmente no jantar, como se nada tivesse acontecido, mamãe até achou que eu já tinha aceitado casar com o príncipe e estava toda entusiasmada falando que a família real Adler chegaria dois dias antes do meu aniversário para formalizar o casamento.
Assim que o jantar terminou fui direto para o meu quarto e vesti uma roupa de montaria, pois teria que cavalgar até o cais que ficava descendo a montanha. Do cais, eu pegaria um barco até o porto de Áquila, mas haviam dois problemas: como passar pelos guardas do castelo e como pegar um barco sem ser reconhecida. Como solução decidi soltar meus cabelos para que cobrissem o meu rosto e com o cabelo solto somado às roupas humildes não iriam me reconhecer, até porque eu nem saía do castelo direito e princesas são praticamente obrigadas a usar um penteado, senão são consideradas desleixadas.
— Um problema resolvido, agora como sair do castelo? — perguntei para mim mesma, então lembrei da saída dos criados que ficava nos fundos do castelo.
Os guardas só ficavam na frente, então era por lá que eu escaparia, assim esperei todos dormirem, peguei minha bolsa e desci para a cozinha onde ficava a porta de saída dos serviçais. Os criados sempre deixavam a chave da porta no mesmo lugar: embaixo do pote de farinha. Peguei a chave, abri a porta e saí indo direto para o estábulo pegar um cavalo. Eu estava com medo das estradas estarem congeladas e cheias de neve, mas lembrei que a rainha sempre manda limparem, pois recebemos muitas visitas de carruagem.
Após montar num cavalo, parti em direção ao cais e demorei quase uma hora para chegar lá. Tentei comprar um lugar no barco e como não consegui trocar as joias em dinheiro dei o cavalo como pagamento. A viagem até Áquila demoraria dois dias e o barco sairia em vinte minutos, então fui numa joalheria que havia ali perto e vendi as joias.
— O BARCO SAIRÁ EM CINCO MINUTOS, TODOS A BORDO! — escuto o capitão gritando e corro para a embarcação.
O barco sai do cais, então suspiro de alívio ao perceber que consegui sair e aos poucos vejo Aldon ficar para trás com as luzes desaparecendo no nevoeiro, e logo me vi no mar aberto com as ondas batendo no casco do barco naquela madrugada fria em que decidi tomar as rédeas do meu destino.