Beatriz
Quarta–feira.
Acho que esse dia é com certeza um dos mais esperados pelas noivas, o que gera mais ansiedade e expectativas.
O vestido.
Lá estava eu, outra vez com a pequena pietra depois do trabalho, Gabriela, Mariane, Maya e minha mãe.
— O que você acha dessa cintura? — Adam, o estilista perguntou.
— Eu gosto, mas acho que quero algo mais marcado no quadril. — falei.
— Ótimo. — Adam disse.
— Ela quer que marque o corpo lindo dela, porque ela está na academia. — Mari disse rindo.
— Então temos que deixar os braços de fora pra mostrar os músculos também. — Adam disse rindo.
— Falando em exibir os músculos, eu não quero alças, quero tomara que caia. — falei.
— Então você quer um vestido seria, mas quer de um jeito mais sofisticado, menos sensual, algo que traga delicadeza. — Adam disse ajustando o vestido no meu corpo.
Ele ficou de um lado pro outro. Depois de distanciou, e ficou me olhando.
— Você já pensou no vestido das madrinhas? — Adam perguntou.
— Azul bebê, algo com a mesma delicadeza do meu vestido. — falei.
— É, ela pensou nos vestidos das madrinhas. — Gabi disse rindo.
— É, eu pensei. — falei rindo.
— Calda? — Adam perguntou.
— Não muito longa, tá mais pra uma extensão do vestido. — falei.
— Ótimo. — Adam disse e pegou sua caderneta.
Ele começou a rabiscar algumas coisas, e depois me mostrou como imaginou o vestido, e colocou do lado do meu corpo pra eu poder ver o desenho e analisar e comparar com o que ele já havia desmaiado no meu corpo.
— Eu gostei dessa ideia, o que você acha sobre véu? — perguntei sorrindo.
— Eu adoro véu, ainda mais se for um bordado. — Adam disse sorrindo.
— E o vestido da mãe da noiva, a noiva também pensou? — minha mãe perguntou rindo.
— Acho que ela pensou em tudo, deve ter uma pasta no pinterest com todas as ideias possíveis. — Maya disse rindo.
— Exatamente eu tenho. O vestido da noivinha eu deixo por sua conta, mas su não quero nada muito exagerado, ela não gosta de muito tecido. — falei.
— Eu vou deixar todas vocês delicadas e sofisticadas inclusive a nossa noivinha. — Adam disse e Pietra deu um sorriso longo.
Já estava quase no fim, ele me mostrou uma ideia de tecidos, para os meus vestidos e também para os vestidos das madrinhas. Depois ele desenhou o vestido das madrinhas, eu queria todos iguais, mas de algum jeito diferente pra se ajustar no corpo de cada uma. Deixamos a conversa sobre o vestido da minha mãe e da minha sogra pra outro dia.
Levei minha sogra e a Pietra pra casa, depois fui pra minha, Joca já estava em casa. Depois que ele saiu do banho foi a minha vez, tudo o que eu queria era uma água gelada pra refrescar o corpo. Depois que eu saí do banheiro senti o cheiro bom.
— Como foi seu dia hoje? — perguntei abraçando a cintura dele que deu um sorriso.
— Foi tranquilo, mais tranquilo do que eu esperava. E o seu? — perguntei.
— Sério, por que foi mais tranquilo do que você esperava? Meu dia foi tranquilo, prova de vestido, fabricação de tinta ecológica com as crianças, ter que aguentar a cara feia de alguns professores pra mim, mas tudo tranquilo. — falei e encostei no balcão.
— Hoje foi só planilha de vendas e todas as outras coisas que você não gosta de saber. — ele disse e deu um beijo na minha testa.
— Pensei que vocês iam voltar a trabalhar no cassino. — falei.
— Íamos, ou ainda vamos, mas JP quer ficar longe dessas coisas, ainda mais por causa do Miguel. — Joca disse.
— Bom, eu e minhas bests poderíamos assumir o lugar de vocês lá, tenho certeza que faríamos um bom trabalho. — falei rindo e fui até a geladeira pegar água.
— Você sabe que isso não é uma péssima ideia. — ele disse e me deu um tapinha na b***a.
— Eu sei que não. — falei rindo.
— Vou falar com o meu pai, ele vai odiar a ideia, mas eu sei que ele também vai odiar saber que o JP não vai assumir o lugar dele, então vocês vão ser a única saída. Que ótimo, agora temos um plano. — ele disse todo feliz enquanto pilotava o fogão. Fazendo algo que ele caham de comida.
— Então pode falar pro seu pai que ele terá uma advogada, uma letrada e uma arquiteta, com certeza ele vai ter as melhores a frente do seu negócio. — falei rindo.
Ele me puxou pra perto dele, colocou o meu corpo na frente do dele e afastou o cabelo do meu rosto e segurou com uma das suas mãos.
— Eu sei que a letrada é muito competente pra tudo. — ele disse e deu aquele maldito sorriso m*****o.
Então ele me beijou lentamente, fui subindo sua camiseta de vagar, então ele parou o beijo e apontou pro fogão.
— Sexo e comida na mesma hora sempre acaba dando errado e eu não quero por fogo no prédio. — ele disse e me roubou um selinho e depois afastou o nosso corpo.
Fiquei olhando o corpo daquele homem e lembrando que ele é todo meu. Não vejo a hora de dizer que esse gostosão é meu marido.
— E o que você está fazendo aí pra nós? — perguntei apertando a b***a dele.
— Molho pra pizza. Um molho de tomates. — ele disse.
— Tá fazendo molho natural pra colocar na pizza? E cada a massa? — perguentei não acreditando.
— Está descansando e dobrando de tamanho, e espero que você se prepare porque vamos colocar a não na massa, literalmente. — ele disse rindo.
— Ah eu vou adorar. — falei.
Acho que essa noite vai ser melhor do que eu pensei que seria.
O dia seguinte chegou depois de uma noite divertida de pizza, vinho e sexo. E também série e doces.
E mais sexo.
Acho que estamos na melhor fase do nosso relacionamento, sem brigas, sem mentiras, desde a última, minha no caso.
Mas acho que realmente agora estamos bem, porque todas as coisas em volta de nós também permite isso, eu tenho um trabalho, estou iniciando o projeto do meu vestido de noiva, conhecendo lugares, evoluindo com os alunos que são uma graça, e provavelmente em breve terei um trabalho misterioso que me permitirá usar roupas luxuosas á altura dos ternos feitos sib medida do meu lindo noivo.
Acho que a vida realmente preparava algo melhor pra mim e esse é o melhor e eu estou muito grata.
Joca já havia saído pra trabalhar, e eu já estava quase pronta, quando o interfone tocou. Atendi.
— Oi, pode falar. — disse.
— Dona Beatriz chegou uma encomenda pra você. — Nilton disse.
— Pode mandar subir. — falei.
— Ok. — ele disse.
Não demorou muito e a campainha tocou. Olhei pro olho mágico, então vi que era apenas um rapaz com a roupa de entrega, abri a porta e ele me deu a nota pra assinar e depois me entregou.
— Eu não me lembro de ter pedido nada. — falei.
— Deve ser presente. — o rapaz disse. — Tenha um bom dia.
— Obrigada. — falei.
Entrei em casa e tranquei a porta. Coloquei a encomenda na mesa e fiquei olhando pra ela, não era coisa do Joca, ele sempre me avisa quando tem coisa pra chegar.
Abri a caixa, e havia outra caixa dentro da de papelão, uma de madeira que parecia ser mais antiga. Nela havia uma inicial. B.C, abri a caixa e então meus olhos reconheceram imediatamente o que havia dentro daquela caixa, minha boneca de pano, que minha mãe me deu, minha avó deu a ela quando ela nasceu. Eu não me lembrava da existência dessa boneca, pensei que havia ficado na casa da vovó e teria ido embora com as outras coisas que foram pra doação, mas pelo jeito não foi.
Fui jogar o pacote no lixo e percebi que havia algo dentro. Peguei e era uma carta, então joguei o pacote no lixo, e depois me sentei no sofá e fui ler a carta.
Sua família Beatriz, ao qual você pertence está retornado pra casa, e eu queria ter a honra de lhe ter perto de mim, assim como sua mãe, mas sei que vai ser mais difícil ela aceitar, sei o quanto ela me odeia, mas eu estou retornando pra ter a nossa família unida outra vez e espero que você possa me ajudar nessa missão. Eu não sou um bicho de sete cabeças, não sou tão r**m quanto as histórias sobre mim, sou alguma que queria te ver crescer, mas esse direito foi roubado de mim, mas eu quero recuperar o tempo perdido.
Ass: seu avô.
Senti meu estômago revirar.
O medo na minha espinha, tudo em volta de mim começou a girar, eu não conseguia respirar. Eu só conseguia me lembrar da carta da minha mãe, me lembrar do meu pai, me lembrar sobre tudo o que aconteceu antes de eu nascer.
Senti o medo sufocar, senti tudo em torno de mim me derrubar.
Peguei o celular e liguei pro Joca, era o primeiro número que vi, o único que poderia vir até aqui o mais rápido que eu precisasse.