CAP.23

448 Palavras
VIVIANE Uma semana se passou, e tá tudo tão estranho. É estranha a sensação de liberdade, nesse momento por exemplo, estou terminando de me arrumar pra ir pra faculdade. Enquanto minha filha, ficará com uma babá que eu contratei. Eu estou tendo finalmente minha tão sonhada estabilidade financeira, tudo o que quero, eu consigo, seja pra mim ou para a minha filha. RD está lá na sala brincando com a Manuela enquanto eu termino só de arrumar minha bolsa. Deixei todos os alimentos separados caso a Manu queira comer, minha princesinha tá cada vez mais esperta e gordinha. Desci as escadas e RD estava tendo um papo tão estranho com a babá que eu tive que escutar, disfarçando pegar algo na cozinha. - Tu gosta de criança? - Ele perguntou diretamente. - Gosto sim. - Ela respondeu. No tom de voz, dava pra perceber o medo. - Tem que gostar mesmo, aqui na comunidade não admitimos nenhum m*l a criança não. Caso contrário vai pro microondas, sem dó. - Ele falou. - Entendo.. - Ela falou apenas. - Mari, tá tudo separado na geladeira tá? - Entrei na sala quebrando um clima. - Sim, senhora! - Ela respondeu meio sem graça. - Só estamos preocupados com a segurança da Manu, queremos confiar em você Mariana. No fogão tem comida pronta, esquenta e come. - Falei me despedindo da Manuela e saindo de casa. Entrei no carro junto com o RD e logo partimos, e ele não demorou pra começar. - Por mim eu colocava várias câmeras na sua casa! - Ele falou. - Eu sei que se preocupa com a Manu, mas devemos confiar na Mariana. - Falei rindo. Compreendo a preocupação com a Manuela, ele se apegou realmente a ela. Ele até se ofereceu para ficar olhando ela durante a aula, mas ele tem os compromissos dele também. E eu ficaria mais preocupada... Chegamos na porta da faculdade, eu saí do carro e entrei logo, procurando minha sala. Ainda tinha uns alunos chegando e eu logo sentei em uma cadeira. A primeira professora se apresentou e fez todos os alunos se apresentaram, mas só o que acharam necessário. Quando chegou na minha vez, eu somente me levantei e comecei falando. - Eu me chamo Viviane Oliveira, tenho vinte e dois anos, sou mãe de uma neném de um aninho, recém divorciada, e estou retomando á faculdade agora. - Falei me apresentando. - Viviane, você é nova né? Porque se divorciou tão cedo e com uma filha pequena? - A professora perguntou. - Sofria agressões verbais, físicas e abusos também... - Falei com uma vergonha me corroendo por dentro. Mas não, isso não iria atrapalhar a minha vida!
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