Capítulo 2 - Ela é minha

614 Palavras
CAEL Ela me viu. Na janela. De novo. E não fechou totalmente a cortina. Inteligente. Curiosa. Instintiva. Ela não gritou. Não correu. Não chamou a polícia. Ela gemeu. Por mim. Os dedos dela se moveram devagar, com uma fome que só eu conheço. Aquela respiração entrecortada. Os olhos entreabertos. O corpo arqueando. Ela me deu tudo. Sem saber meu nome. Sem ver meu rosto. Mas ela sente. Sempre sentiu. Eu sou parte dela agora. Mesmo que ainda lute contra isso. Esperei dias pelo momento certo. Sem pressa. Sem deslizes. Tudo precisa ser no tempo certo. Ela tem uma rotina controlada — mas não monótona. Caminha sem fones. Observa. Respira. Sente o mundo. Ela é viva. Diferente de todas as outras. Hoje ela saiu mais tarde. Mochila nos ombros, cabelo preso de qualquer jeito, uma blusa fina que cola no corpo com a brisa úmida. Não faz ideia do quanto está provocante. O quanto isso me destrói. A rua está vazia. O beco que ela sempre corta é estreito, escondido entre prédios. É onde eu a espero. De novo. Hoje não vou só observar. Hoje eu toco. Ela percebe que algo está errado segundos antes de eu aparecer. Os passos desaceleram. A respiração falha. O corpo tenso. Eu caminho atrás dela, silencioso. Quero que ela ouça. Que sinta. Que trema. Quando ela gira o corpo, me vê. A mochila cai. Os olhos dela se arregalam — não de medo, mas de choque. t***o. Ela sabe. — Você... — a voz falha. Não deixo que diga mais. Me aproximo. Um passo. Dois. O suficiente para que ela sinta o calor do meu corpo, o peso da minha presença. Não a toco ainda. Só respiro perto. Devagar. — Eu sempre estive aqui — sussurro. Ela estremece. — Por quê? — Porque você é minha. Seus lábios se entreabrem. A boca macia. Doce. Marcada de tensão e desejo. Ela não recua. Não grita. Não se move. Então eu toco. Apenas um dedo deslizando da base da garganta até o decote da blusa fina. A pele dela queima sob meu toque. Os pelos arrepiam. O corpo reage antes da mente. Ela está molhada. Eu sei. — Eu devia ter medo — ela murmura. — Mas não tem. — Por quê? — Porque parte de você me pertence há muito tempo. Só estava esperando eu vir buscar. Meus dedos agora envolvem seu pescoço com firmeza, mas sem força. É um aviso. Um lembrete. Um laço. Ela inclina a cabeça levemente, os lábios ofegantes, os olhos dilatados. — Você me seguiu. Me vigiou. — ela diz, mas sem raiva. Há excitação escondida na voz. — Eu protegi você. Cada passo. Cada sombra. Quando aquele i****a tentou encostar em você no metrô, fui eu quem o afastou. Quando aquele carro freou tarde demais na esquina, fui eu quem gritou seu nome. Você achou que foi o vento. Mas era eu. Seus olhos brilham. Entre o choque e a entrega. — E agora? — ela sussurra. Aproximo meu rosto do dela. A boca a milímetros. Mas não a beijo ainda. Quero que ela implore. Quero que ela escolha. — Agora, Isadora... você decide. Posso desaparecer. Nunca mais tocar você. Nunca mais observar. Ou posso mostrar tudo que venho segurando desde o primeiro dia em que te vi. Tudo que você merece. Tudo que é só meu. Ela respira fundo. Um segundo. Dois. E então... ela se inclina. Boca contra a minha. Não um beijo qualquer. Mas uma rendição. Minhas mãos deslizam pela cintura, pressionam seu corpo contra o meu. Sinto cada curva. Cada pulsar. Cada suspiro. Ela geme. E naquele som, baixo, cru e verdadeiro, eu ouço o que precisava: Ela é minha.
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