Capítulo 4

2702 Palavras
Dandara Quanto biotônico ele tomou? Todas as garotas que passavam por nós soltavam risinhos e olhares descarados, me lembrei de minhas amigas, pela minha visão periférica notei que elas assistiam a tudo perplexas, diante do monumento de pelo menos 1,85m, por que de perto, ele estava bem mais alto e eu parecia um rechonchudo gnomo de jardim do lado dele. Depois do que pareceu uma eternidade, ele sorriu e passou a mão escovando o cabelo sedoso e escuro para trás, deixando-os sensualmente despenteados..., mas que diabos de upgrade foi esse?! A beleza daquele maldito estava me ofuscando do jeito mais humilhante possível. Eu estava realmente medíocre ao seu lado, usava meu jeans de lavagem clara rasgado nos joelhos, uma blusa social preta de alcinha e meu característico all-star vermelho, nada a ver, mas para mim isso era um look casual que servia tanto para ir trabalhar quanto para vir a faculdade, era só jogar um blazer por cima que eu incorporava a analista dentro de mim. —Sim, fiquei em dúvida se era você mesmo. Mandei um convite no f*******:. —Ah, eu não entro muito. Nem vi. Mentira, o constrangimento nos atingiu como uma rajada e fui obrigada a desviar o olhar dele, via de esguelha que Cauã havia conseguido sair e todos estavam me esperando. —Desculpe, meus amigos estão me esperando... —Não vai perguntar o que estou fazendo aqui? Sabe, a última vez que nós vimos estávamos na chuva, e eu recebendo xingamentos deploráveis de você, uns cinco anos atrás, acho. Franzi o cenho diante de seu tom despreocupado e afiado como uma navalha, ele lembrava, e ainda estava magoado ao que parecia, me retraí de vergonha sem querer entrar no assunto incômodo paguei meu açaí e me virei para ele evitando seus olhos enquanto guardava a carteira na mochila. —Estou mesmo sem tempo, estou a caminho do trabalho. —Argumentei canhestramente na tentativa de fugir dele o mais depressa possível. —Tudo bem — Suspirou e fiquei aliviada ao me afastar para ir de encontro aos meus amigos, mas o alívio duro pouco, apenas até ele segurar meu braço. —Irá aceitar meu convite no f*******: ou terei que usar de outros meios para entrar em contato contigo? Totalmente espantada e sem palavras, olhei em volta e para o meu azar meus amigos estavam bastante interessados na nossa conversa. Eles nem disfarçavam, revirei os olhos, eles estavam ouvindo tudo, bando de maria fifi, mas não controlei minha indignação. —Nem quero saber a que meios se refere. —Resmunguei impaciente. —Sim, irei aceitar. —Agora. Belmonte. — Exigiu semicerrando os olhos. Ok. Franzi o cenho irritada, era raro quando ele me chamava assim, era sempre Dara ou Polegarzinha, ou simplesmente Dandara. Giancarlo arqueou a sobrancelha enfatizando sua ordem, porque isso não foi um pedido em hipótese alguma. Derrotada me livrei de seu agarre, saquei o celular do bolso e entrei no face, aceitei seu convite e mostrei a tela para ele. Agora éramos amigos no f*******:, que legal. Ebaaa. —Obrigado. —Sabe que ainda posso bloqueá-lo ou ignorá-lo, não é? —Mas se o fizer a partir de agora, pelo menos não usará a desculpa que não sabe que estou aí. —Cerrei os dentes e ele sorriu. —Ou... Pode facilitar e me passar seu número de telefone. —Tchau, De Lucca. Sabia que ele odiava quando o chamavam assim, tanto quanto eu odiava esse sobrenome arrogante, sorri e me virei para ir embora, mas ele segurou em meu braço novamente e quase tive um ataque de pelancas, ele sempre me tocou tanto? —Podemos conversar? — Exigiu, ainda segurando meu braço, a pegada firme, mas gentil... estreitei os olhos pronta para recusar. — Mais tarde... — Esclareceu minando minha recusa e suspirei. —Já que somos amigos no face, é de se supor que eu vá responder suas mensagens. —Falo sério. —Ok, mas saiba que meu tempo é curto, pode ser que só consiga falar comigo a noite. —Eu viraria a madrugada à sua espera, isso não é nada. — Ahn, tudo bem. Tchau. —Tenha um bom dia, Dara. — Disse ao se inclinar e beijar meu rosto. O encarei uma última vez completamente chocada, ele sorriu arrogantemente, metido. Dei as costas sorrindo para aquele limiar de dentes perfeitos, Deus do céu. Não sabia o que ele fazia atualmente, mas com certeza Giancarlo faria sucesso como modelo. Acenei enfática e cortantemente para minhas amigas que pareciam em frenesi num debate acalorado de informações e hipóteses, a caminhada até o metrô foi torturante e assim que entramos no vagão, Julia foi a primeira a falar. — Tá bom, alguém precisa me dizer quem era aquele Deus grego?! —Revirei os olhos. — Bem, é o gostosão que ficou de olho na Dara ontem. — O do metrô? — O próprio, e é ainda mais bonito de perto. Mas por que ele estava na facul? E por que vocês pareciam... íntimos? — Suspirei exasperada. — Lembra que disse que o estranho se parecia com alguém do passado? Ela assentiu, os olhos escuros brilhando em compreensão. — Ele realmente, é o tal ex-amigo que falei. — Para, amiga. Está me dizendo que aquele é o tal amigo com quem tem um lance m*l resolvido? Assenti concordando e Júlia me olhou espantada, já havia mencionado o assunto com ela determinada vez. — Meu Deus do céu, Dandara! E você nunca deu uns amassos nesse homem? Você tem demência?! Grunhi irritada e Júlia começou a rir. — Eles eram apenas amigos, Laila. — Meu rosto ardeu de vergonha e rezei para elas não notarem, fazia anos que havia perdido o hábito de ruborizar, mas estava suspeitando que isso não duraria muito. —Nem aqui, nem na China. A vibe que senti entre vocês não tem nada a ver com amizade. —Vamos encerrar o assunto? Até porque eu tenho namorado. — Amiga, ninguém está questionando seu status de relacionamento, só estou dizendo que rola uma química entre vocês. — É claro que rola, já expliquei que éramos melhores amigos antes. — Não é desse tipo de química que estou falando... Fui salva pelo gongo quando o metrô chegou à estação em que tínhamos que descer, nos despedimos de Júlia, que seguiria até o final daquela linha e eu e Laila seguimos nosso rumo em direção à linha amarela. (...) Pela milésima vez encarava a tela do celular espiando a notificação do Messenger através da barra de status, não tive coragem de abrir a aba da conversa, no momento em que fizesse isso Giancarlo mandaria mais mensagens, ele era irritantemente insistente. Havia mandado uma mensagem antes mesmo que eu tivesse chegado ao trabalho e mesmo agora, já acomodada em meu banco vip no ônibus que me levaria a minha casa, ainda não sabia o que responder e aquelas palavras pareciam me instigar toda vez que as lia..." Giancarlo: Olá, como prometido, aqui estou. Gostaria de ter seu número de telefone, se importa de me passar? "Respirei fundo, hora de acabar com isso." Dandara: No momento me importo, não irei fazer isso. O que você quer? Um frio severo enrijeceu minhas entranhas quando ele ficou online e instantaneamente o status de digitando apareceu na tela. Giancarlo: Boa noite, Dara. Como foi o seu dia? Bufei irritada e digitei furiosamente no touch. Dandara: Boa noite, meu dia foi como todos os outros, o que você quer? Giancarlo: Saudades desse negrito irritado. Que tal um pouco do seu tempo? Vamos sair para comer alguma coisa? Dandara: Giancarlo, trabalho de segunda a sábado, meu único dia livre é no domingo. Giancarlo: É apenas uma refeição, Dara. Por favor Odiava quando ele usava seriedade enfática e apelativa. Dandara: Saio tarde do trabalho. Giancarlo: Que horas? Dandara: Às 20:20, porém, trabalho em Taboão da Serra. Giancarlo: Posso ir te buscar? Podemos ir jantar em algum shopping... Jesus Cristo. Não ia me livrar dele. Dandara: Me buscar? Tem noção de quantas conduções precisa para chegar aqui? E mesmo assim, do que adianta vir me buscar? Giancarlo: Irei buscá-la de carro. "Certo, Giancarlo era bom de vida o suficiente para já ter carro morando em São Paulo. Ele não iria gastar tanto dinheiro com um Uber... Ignorei a pontada de curiosidade e suspirei derrotada." Dandara: Tudo bem. Giancarlo: Que tal amanhã? Dandara: Certo, irei te passar o endereço. Ou podemos nos encontrar no restaurante... Giancarlo: Não. Irei buscá-la. Dandara: Certo. Rua José Mari, 1580, Parque Assunção, Taboão da Serra. Giancarlo: Assim que sair do escritório irei te buscar, seria mais fácil se tivesse seu número de telefone. Sibilei irritada, mas que Diabos. Por que estava sendo tão hostil com ele? O máximo que podia acontecer era um pedido de desculpas humilhante, estava em débito com ele. Giancarlo não era do tipo que tripudiava em cima de cachorro morto. Pelo menos não o Giancarlo que me lembrava, me pergunto se houve mais mudanças além da aparência física, mas a julgar pelo encontro que tivemos mais cedo a resposta parece óbvia e manter alguma distancia me pareceu mais sensato. Dandara: Estamos nos comunicando muito bem, pelo Messenger. Giancarlo: Como quiser. Já chegou em casa? Dandara: Ainda não, falta meia hora. Giancarlo: Já é bem tarde, por que arrumou um emprego tão longe? Dandara: Porque paga bem. Giancarlo: Duvido que pague o suficiente. Dandara: Finalmente deixou seu lado mauricinho vencer? Giancarlo: Querida, não é com meu lado mauricinho que deveria se preocupar. Franzi o cenho confusa. Como assim, gente? Ele estava flertando ou me ameaçando? Decidi agir baseada na segunda suposição. Dandara: Por acaso virou um serial killer? Giancarlo: Eu diria se fosse um? Conseguia ver o sorriso arrogante naquele rostinho bonito, ele gostava de me desafiar. Dandara: Ok, ponto para você. Talvez você dissesse se acreditasse que eu não levaria a sério. Giancarlo: Uma teoria plausível. Continua argumentando muito bem. Dandara: Você não pode me vencer em uma discussão. Giancarlo: Aperfeiçoei minhas habilidades, ficaria surpresa. Dandara: Me deixou curiosa. Giancarlo: Então, minha missão foi concluída com sucesso. Boa noite. Pisquei atordoada, só isso? De alguma forma senti que havia caído em uma armadilha. ... Fitava o monitor da minha máquina inquieta, mesmo a disponibilidade na linha telefônica estava afligindo meus nervos. Que merda? Ninguém quer registrar reclamações hoje? O dia passou em um piscar de olhos, parecia que cada vez que encarei o relógio os minutos se transformavam em horas, tornando cada vez mais próximo o meu jantar com Giancarlo. — Meu Deus! Vamos fazer uma pausa. — Disse irritada ao me levantar do meu posto de atendimento. Laila programou a pausa em sua máquina e me seguiu atordoada, quando cheguei a máquina de café ela não perdeu tempo. — O que você tem criatura?! — Vou jantar com Giancarlo hoje. — Disse ao selecionar um chá de limão e camomila, encarei a máquina que enchia meu copo já me preparando para os comentários maliciosos. —O moreno gostosão? — Perguntou incrédula, balancei a cabeça afirmando, ela começou a rir e pegou um café da máquina, nos encaminhamos juntas ao balcão. — Amiga, você ganhou na loteria! Finalmente tomou juízo e vai sentar gostoso naquele homem? — Quase derrubei o chá tamanho meu espanto. — Enlouqueceu!? — Bufei irritada. — Somos amigos... éramos amigos... — fiquei confusa sobre o atual status do meu relacionamento com Giancarlo, Laila bebericava o café com um sorriso malicioso brincando nos lábios. — Estou vendo. — Ironizou e fiz uma careta. — Quanto a sentar nele... termine antes com o Arthur. Suspirei. — Laila, sei que não gosta dele, mas não pode se esforçar um pouco? — A encarei seriamente. — Você não perde uma oportunidade de sugerir um término entre nós. Ele é um cara legal. — Seu rosto adquiriu uma genuína expressão de aflição maternal e paralisei por um instante. — Ele é um cara legal, mas não é o cara certo. Você merece algo muito além do legal... — Disse enfaticamente me olhando nos olhos, depois bebeu o resto do café. — E vocês não tem química o suficiente para enfrentar um casamento, o fato de ainda ter mais orgasmos com um golfinho rosa a base de pilhas do que com ele prova isso. Você sabe disso, por isso foge do compromisso. — Se soubesse que usaria isso contra mim jamais teria falado. — Falo para seu bem, não vai querer um casamento construído em sexo de merda, e tudo sempre pode ser usado contra você, não é o mantra judicial que diz a si mesma? Felizmente a pausa acabou a tempo, Laila era do tipo que nunca errava o alvo quando decidia colocar alguém contra a parede, e conseguia fazer isso comigo facilmente, ela lia todas as palavras não ditas entre nós. Talvez fosse uma habilidade adquirida com a maternidade. (...) Descia pelas escadas na vã tentativa de adiar o inevitável, minhas entranhas fizeram um barulho estrondoso e Laila me olhou levemente divertida. — Está com dor de barriga? — Grunhi irritada quando chegamos ao pátio da empresa. —Meu Deus, o que foi que você fez com esse homem pra ficar tão nervosa assim? — Simplesmente odeio pedir desculpas. — Murmurei a caminho das catracas, a verdade é que odiava como tinha agido com Giancarlo no passado e pedir desculpas traria lembranças desagradáveis, lembranças do meu erro. — Amiga do céu! Afastei meus pensamentos ao escutar o tom assombrado de Laila e paralisei ao acompanhar seu olhar abismado. Giancarlo estava parado em frente a uma Porsche imensa e preta. Todo mundo o estava encarando como um pedaço suculento de filé mignon, os homens o olhavam com desprezo e eu congelei. — Ele não me viu, dá tempo de escapar pela outra saída. — Disse na humilhante tentativa de fugir, como ele conseguiu aquele carro? — Está doida? Aquele homem exala dinheiro e poder, pensei que ele fosse pobre. — Disse franzindo as sobrancelhas bem-feitas. — Ele nunca foi pobre, mas no momento não sei a quantidade de zeros de sua conta bancária. — Disse sem emoção ao tentar me virar para ir ao outro lado do prédio, mas Laila me deteve, segurando pelo colarinho do meu blazer. — Merda! O que está fazendo?! — Praguejei irritada. — Vá jantar com seu amigo! Ele vale a pena, e mesmo se não valesse, ainda pode só olhar pro rosto dele e encher o bucho de graça! Disse em tom de repreensão, parei ajeitando a roupa, até que não estava m*l. Estava mais arrumada do que na maioria dos dias, blusa social preta, blazer vermelho, cachecol azul-marinho e calça jeans, fiz um esforço e calcei uma bota de salto, mas nada extravagante, mas o salto deu destaque a minha b***a vulgar e nada elegante. — Conheço esse olhar, pare de pensar essas merdas. Está linda. — Disse segurando em meus ombros. Mostrei um sorriso amarelo a ela. — E se ele me levar a um restaurante caro e eu tiver que dividir a conta? — Amiga... aquele cara não é do tipo que divide a conta, acredite. — Ela sorriu, meu celular vibrou na bolsa e o peguei já sabendo quem era... Giancarlo: Está planejando fugir? Estou muito engomadinho? Posso trocar de roupa se ajudar, tenho praticamente um closet no banco de trás. Bufei e ri ao ler a mensagem, ergui os olhos e encontrei o olhar brincalhão do meu amigo de infância, a casca mudou bastante, mas ele ainda estava lá dentro... o garoto que levava meus livros na saída da escola e roubava meus pirulitos Pop e já passaram cinco anos, ele sorria largamente para mim, e foi impossível não sorrir de volta. —Ótimo, assim é melhor. — Laila disse ao me arrastar através da porta giratória, Giancarlo havia estacionado bem em frente as portas e assim que passei por elas dei de cara com ele. — Boa noite, ragazzas. — Laila praticamente se dissolveu diante de Giancarlo, usando e abusando de um sotaque italiano fajuto reprimi um revirar de olhos enquanto ignorava o olhar faminto que duas piriguetes davam para ele. — Boa noite. —Laila e eu dissemos em uníssono. — Giancarlo, essa é minha amiga Laila, Laila esse é o Giancarlo.
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