Lindsey POV
"Entra", rosnei meu pai quando encontrei seus olhos, e engoli em seco, Beth evitando meu olhar. Esqueça esta história de ir a pé para casa. Temia entrar naquele carro. Eu podia ver o quanto ele estava furioso pelo apertar de seu maxilar e pelo estreitamento de seus olhos, sem mencionar a palidez de seus dedos enquanto segurava o volante. Ele nunca veio me buscar na escola e, ao dar um passo vacilante em sua direção, senti um cheiro de álcool, meu estômago revirando. Como Beth pôde deixar ele dirigir nas condições em que estava? Mas então me lembrei de que ele provavelmente tinha chegado em casa na noite anterior com suas roupas cheirando como se tivesse nadado em álcool e provavelmente estava sóbrio agora. Não havia garantia de que ele ficaria sóbrio.
"Eu preciso ir para a casa da alcateia", falei timidamente, esperando que isso o acalmasse. "Luna Chelsea estará me esperando." Talvez isso fosse suficiente para fazê-lo cair em si. Eu poderia esperar.
Meu corpo estava tenso, preparado para fugir.
Beth se pronunciou, um sorriso sarcástico em seu rosto pesadamente maquiado. "Luna Chelsea te deu a tarde de folga", disse de forma brusca, enquanto eu engolia em seco.
Isso não era bom. Não havia motivo para ela me dar a tarde de folga a menos que meus pais tivessem pedido. Ou talvez ela tenha pensado que não valia a pena eu ir considerando a hora tardia? Poderia ser isso, tentei me convencer, meu coração acelerado e minhas mãos começando a suar de nervosismo.
"Entra logo no carro, Lindsey", latiu meu pai, um tic em seu maxilar. Parecia pronto para me estrangular, totalmente preparado para sair do carro e me pegar se fosse necessário. Relutantemente, me aproximei e abri a porta de trás, entrando e colocando minha mochila de lado.
"Até que enfim", murmurou meu pai entre dentes.
Não disse nada, apenas olhei para ele nervosamente. Agora que estava no carro, me sentia presa, confinada. Não havia escapatória, mas Beth parecia relaxada, recostada em seu assento, olhando calmamente para a paisagem. Ela estava em seu próprio mundo ou algo assim?
"E como está indo à escola?" perguntou Beth, insinuante, e eu me encolhi. Sim. Com certeza eles tinham recebido uma ligação da diretora esta manhã. Mordi o lábio.
"Está indo bem", disse sem pensar. O que mais eu poderia dizer? Eles sabiam muito bem que eu tinha chegado atrasada para a aula e o motivo disso, não era como se eu precisasse entrar em detalhes.
Meu pai parecia pronto para explodir. "Mesmo", disse gelidamente, virando à direita na estrada principal. "Está indo bem, não é, Lindsey?"
Balancei a cabeça submissamente, olhando para a paisagem e desejando intensamente estar em qualquer lugar, menos dentro daquele carro. Meu pai parecia prestes a explodir a qualquer momento.
"Você está passando em todas as matérias?", perguntou Beth, cutucando-me. O que essa mulher estava pensando?
"Sim", respondi. Sempre tive boas notas, apesar de todo o trabalho árduo que ser um ômega exigia. Eu precisava delas para entrar em uma faculdade aceitável e sair daqui, afinal.
"Isso é bom", disse Beth alegremente, lançando para meu pai um olhar incerto e em seguida ficando em silêncio enquanto ele a encarava furiosamente. Eu tinha que lhe dar crédito por tentar tirá-lo de seu mau humor, mas era impossível. Uma vez que ele ficava assim, permanecia daquela maneira até decidir que estava pronto para sair disso.
"Pelo menos você não é um embaraço nesse aspecto", rosnou meu pai. "Eu odiaria pensar que você também fosse burra além de inútil", ele acrescentou.
As lágrimas mostraram-se nos cantos dos meus olhos e abaixei a cabeça. Nunca soube o motivo pelo qual meu pai me despreza tanto. Desde que eu era uma menininha, ele odiava minha própria existência e, quando se casou com Beth, isso apenas piorou. No começo, Beth era gentil comigo, mas meu pai a incentivou a ser má e odiosa e, eventualmente, ela se tornou como ele, mas ocasionalmente volta a ser gentil quando ele não está por perto. Eu não entendo por que ele me teve se não me quer. Eu gostaria que minha mãe me tivesse levado quando fugiu. Mas aparentemente, ela também não me queria, pelo menos de acordo com meu pai. Parece que ninguém me quer ou gosta de mim.
Comecei a implorar para meu pai. "Eu não quis me atrasar, mas a Luna Chelsea me prendeu na masmorra ontem à noite e esqueceu de me soltar no horário hoje de manhã."
Ele debochou de mim. "Por que ela te colocou na masmorra em primeiro lugar?", perguntou com um rosnado baixo.
Olhei para ele impotente. O que eu iria dizer? Que a Luna interpretou tudo errado? Que ela entendeu tudo errado? De alguma forma, não pensei que isso agradaria muito a meu pai. "Ela achou que eu estava tentando seduzir o futuro Alfa", murmurei, corando intensamente enquanto meu pai batia no volante e me xingava veementemente.
"Eu sabia", ele gritou, "Você é desprezível, assim como sua maldita mãe", ele ronronou. Seus olhos agora estavam ficando negros, o que significava que não só ele estava de mau humor, mas que seu lobo estava perigosamente perto da superfície.
Engoli em seco. "Eu não fiz isso", eu gritei. "Eu nunca faria isso", mas ele me interrompeu.
"Eu sempre soube que você acabaria sendo uma vagabunda."
Aquilo doeu. Beth parecia dividida, como se quisesse me consolar, mas estava com muito medo do temperamento de meu pai para fazê-lo. Ela firmemente olhou para fora da janela. Chegamos à frente da nossa casa de campo. O carro diminuiu de velocidade e então lentamente o motor desligou. Meu pai ficou ali, perdido em pensamentos. Não ousei sair do carro sem sua permissão. Beth, por outro lado, saiu lentamente do carro, lançando-me um olhar de desculpas, e caminhou em direção à porta da frente, desaparecendo de vista enquanto eu lhe lançava um olhar suplicante.
"Saia do carro", sussurrou meu pai finalmente, e eu saí apressadamente, pegando desajeitadamente minha mochila e jogando-a sobre o ombro.
Meu pai saiu do banco do motorista e bateu à porta com estrondo. Eu me encolhi. "Vá para o seu quarto", ele ordenou. "Estarei lá em um momento."
Meu coração afundou. Isso significava que eu estava sendo punido. Minhas pernas pareciam de madeira enquanto eu entrava e descia devagar as escadas até o porão, que eu chamava de meu quarto. Coloquei minha mochila no chão e olhei em volta, vendo o mofo no canto e sentindo a umidade no ar. Me sentei em meu colchão surrado, mexendo inquieto as mãos. Eu sabia que meu pai desceria, que ele não mudaria de ideia, e sentia náuseas conforme os minutos passavam lentamente.
Meu pai desceu as escadas pisando forte, segurando um chicote grande com pontas prateadas na ponta. Engoli em seco. Era uma de suas formas favoritas de tortura ou punição, pois deixava cicatrizes no corpo que não cicatrizavam graças à prata. Também era extremamente doloroso. Beth veio atrás dele, evitando meu olhar e olhando em volta do quarto como se quisesse estar em qualquer lugar, exceto onde estava.
"Pai, por favor", implorei, levantando-me e tentando argumentar com ele. "Certamente você pode ver o meu lado da história?"
Ele estalou o chicote e eu me encolhi. "Não é a primeira vez que você chega atrasado na escola, de acordo com o diretor. E não é só isso, eu não vou permitir que você se torne igual àquela maldita da sua mãe", ele rosnou, os olhos faiscando, os lábios se curvando de desdém.
Eu fiquei confuso. O que ele queria dizer com essas palavras? Tudo o que eu sabia sobre minha mãe era que ela tinha fugido logo depois que nasci. Nenhuma quantidade de súplica e pleitos tinha persuadido meu pai a me contar mais sobre ela.
"O que você quer dizer?" perguntei, e ele pareceu surpreso, como se tivesse estado perdido em seus pensamentos. "Por que você fala dela dessa maneira?"
"Não é da sua conta", ele rosnou. "Não vou permitir que se repita o que aconteceu com ela, não vou", repetiu para si mesmo.
Eu fiquei perplexo, mas cativado, meus olhos no chicote que ele segurava, meu corpo começando a tremer.
"Vire-se", ele instruiu com um rosnado.
Eu hesitei. Parte de mim queria ser desafiante, mas eu tinha aprendido da forma mais difícil que ser desafiante significaria mais golpes e mais dor. Olhei desesperadamente para Beth, mas ela desviou o olhar e mordeu o lábio. Ótimo. Ela ia assistir e ser cúmplice da crueldade do meu pai, como sempre era.
Meu corpo tremia conforme eu me virava, meus olhos se enchendo de lágrimas. Deus, como eu detestava meu pai. "Encoste-se na parede", ele me instruiu, como tinha me instruído várias vezes antes. Minhas mãos estenderam-se para tocar a parede de tijolos, minhas unhas se cravando, minhas palmas pressionadas firmemente contra ela. Minha respiração era superficial e desigual. Eu podia sentir o medo tomando conta de mim antes que o chicote repentinamente atingisse minhas costas com um forte estalo, fazendo-me gritar de dor, meus joelhos quase cedendo. As pequenas pontas prateadas rasgaram minha pele, perfurando-a e causando o fluxo de sangue de minhas feridas. Ele não poupou esforços, usando toda sua força.
"Você vai contar", ele trovejou.
"Um", eu disse obedientemente, minha voz rouca do grito.
Estalo. Eu m*l me mantive em pé quando outro golpe atingiu o meio das minhas costas. A dor era excruciante, a prata queimando minha carne. Dei um grito agudo quando ele puxou o chicote de volta, arrancando pedaços da minha carne.
"Dois", murmurei.
Jurei que ouvi um soluço abafado vindo de trás de mim, provavelmente de Beth, mas não ousei me virar. Minha camisa tinha sido rasgada em pedaços pelo chicote e m*l estava segurando.
Estalo, estalo. Dessa vez ele deu dois golpes seguidos no mesmo lugar, fazendo-me arquear as costas e morder a língua de dor. Eu gritei até ficar rouco, minhas mãos se esforçando na parede de tijolos. Encostei a testa na parede, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu sentia tanta dor que meu corpo inteiro parecia estar em chamas. m*l conseguia me manter de pé.
"Três, quatro", eu disse com uma voz morta.
Estalo.
"Cinco".
Estalo.
"Seis", eu disse agora chorando, minhas mãos ensanguentadas de se agarrar à parede, meus joelhos cedendo e pequenos cortes por todo o meu corpo. A dor era tão intensa que um simples movimento era o suficiente para me fazer gritar. Meu pai era um sádico, pensei comigo mesmo, ele gostava de me causar dor. Não havia nenhum remorso nele e ele esperaria pacientemente que eu me recompusesse e ficasse de pé novamente antes de me golpear novamente. O sangue começou a se acumular ao meu redor.
Estalo.
"Sete", eu tossi sangue, cuspindo-o no chão, apoiando-me na parede, meus olhos brilhando com lágrimas. Meu corpo todo tremia com o frio que o envolvia. Minha visão estava ficando embaçada. A força dele não tinha vacilado, se é que não tinha batido ainda mais forte enquanto continuava."Thwack"
"Oito" sussurrei, mais dois, por favor, que sejam apenas mais dois. Ele costumava parar em dez, por favor, Deus, que sejam dez golpes, não acho que vou aguentar por muito mais tempo.
"Mais dois", rugiu meu pai "Corrine".
Ele me chamou de Corrine? Mas esse era o nome da minha mãe. Por que ele estava me chamando pelo nome dela? Não respondi, apenas esperei pelos próximos dois golpes.
"Thwack, Thwack", eles vieram um após o outro. Minhas costas se arquearam e eu rosnei, cuspindo mais sangue enquanto meu pai soltava um grunhido de satisfação.
"Você merece isso e muito mais", foi tudo que ele disse antes de me deixar lá, Beth caminhando silenciosamente atrás dele, pálida como um lençol.
Eu não conseguia falar. Tudo que eu podia fazer era rastejar em direção ao colchão surrado e se deitar, o sangue se acumulando ao meu redor. Eu estava levemente preocupado com a quantidade, mas não era a primeira vez que eu perdia essa quantidade de sangue e tinha sobrevivido, então eu acreditava que sobreviveria dessa vez também. Minha visão ficava cada vez mais embaçada enquanto eu olhava fixamente em volta do quarto e o frio continuava a me dominar, a escuridão me cercando enquanto eu me entregava a ela de bom grado. Se a morte estava vindo me buscar, então a recebia de braços abertos. Qualquer coisa era melhor do que essa existência miserável.