Pré-visualização gratuita PRÓLOGO
A raiva dentro de mim é tão grande que parece ter substituído tudo.
A dor. O medo. A lógica.
Tudo.
Só existe isso agora. Uma raiva tão intensa que mäl consigo respirar direito, porque toda vez que fecho os olhos, eu ouço a voz. Toda vez. É como um disco arranhado, como uma maldição e algo que não para. Agora eu sei da verdade. Eu sei o que aconteceu, sei oq eu iria acontecer comigo e sei o peso que a verdade é. E uma coisa que eu sei é que não posso deixar isso assim... não posso.
E vou fazer algo.
A terra é mais dura do que parece.
Na superfície, o gramado é perfeito: aparado, verde, impecável sob a luz branca da varanda. Mas alguns centímetros abaixo, o solo resiste. A pá afunda com dificuldade. O impacto reverbera pelos braços. As mãos ardem.
Nunca imaginei que cavar um buraco pudesse ser tão difícil. Exige insistência. Força também. E nenhuma das duas vem naturalmente.
E é uma pena estragar a grama dessa forma, mas depois ajeitam. Tem jeito!
A respiração sai irregular. Não pelo esforço apenas, mas pelo silêncio ao redor. A casa continua iluminada. Elegante. Intocável. Como se nada estivesse acontecendo. Como se nunca nada acontecesse ali.
A pá atinge algo mais compacto. Raiz. Pedra. Talvez os dois. É preciso pressionar o pé contra o metal para forçar a descida. O sapato desliza na grama úmida. O buraco ainda não é suficiente.
Nunca é.
Estou exausta já. Sinto o suor escorrendo na testa, pescoço e nuca, mas não paro. A raiva me motiva aqui e vou fazer questão de mostrar que não sou como pensaram.
Arrastar o peso m0rto ali é pior. O corpo não ajuda. Não colabora. É inerte demais. Pesado demais. Braços escorregam, o tecido fino da roupa suja de terra. Uma mancha escura se espalha onde não deveria.
O jardim não foi feito para isso.
As mãos tremem, mas continuam.
Empurrar. Ajustar. Virar o rosto para o outro lado. Não olhar demais. Não pensar demais. Terminar.
É curioso como algo que parecia tão assustador durante meses se tornar apenas uma tarefa quando finalmente começa.
Uma tarefa simples.
Abrir. Colocar. Cobrir. Ou quase isso, porque tive uma ideia aqui.
A terra volta para o lugar com um som oco. Cada pá apaga um detalhe. Cada camada devolve ao jardim a sua aparência quase impecável.
De longe, ninguém perceberia exceto por esse novo detalhe.
Da varanda, as luzes ainda estão acesas.
Ele deve estar chegando...
{ Olá, leitores. Aqui, veremos um casal em construção e uma mocinha inocente demais que começa a se descobrir e a se fortalecer com o tempo. Garanto que irão adorar o desenvovimento deles. Aqui, teremos palavrões, cenas de sex0 explícito, conflitos familiares e mais, com aquele toque de máfia. Comentem para ajudar, indiquem se puder e qualquer dúvida, me procurem no insta @aut.gerlanesilva }