-- 😎Não Gosto De Alfas😎

1308 Palavras
O clima estava bom, mas por dentro eu era um caos. Falei meu nome sem pensar. Eu nunca havia dito meu nome a ninguém, e, de repente, aquele Ômega conseguiu arrancar meu nome e sobrenome como se não fosse nada. Olhei para Taeyhung e ele estava de olhos arregalados — nem para ele eu havia dito meu nome. — Yongui é um nome muito bonito, assim como você — disse, abrindo um sorriso sincero. — Vem comigo, vai sentar ao meu lado. Ele me guiou até uma mesa cheia de comida. Não era apenas comida — era uma mesa farta. Sentou-se bem ao meu lado e, mesmo havendo certa distância entre as cadeiras, fez questão de se aproximar ainda mais, a ponto de tocar meu ombro. Definitivamente, ele não tinha noção de espaço. Olhei para Taeyhung, que sorria ao ver minha expressão quando Taehyun começou a me servir. Observei todos se sentarem à mesa: Namjoon ocupava uma extremidade, Taeyhung a outra. Jenny sentou-se à esquerda de Taeyhung, ao lado de uma senhora mais velha, enquanto um adolescente ocupava o lugar à esquerda de Namjoon. — Então, Yongui — chamou Taehyun, antes que eu pudesse começar a comer. — Quantos anos você tem? Dessa vez, me contive. Eu não queria falar. Não queria dar informações a pessoas em quem ainda não confiava — ainda mais pessoas que m*l conhecia. Pode parecer estranho, mas meu nível de paranoia é elevado. Sempre parto do princípio de que todos estão contra mim, e depois do que aconteceu… confiar se tornou difícil. — Pelo visto, você não quer falar, né? — perguntou Taehyun, num tom que não consegui decifrar. — Então vamos fazer assim: você me diz sua idade, e meu irmão realiza qualquer desejo seu. Peguei um guardanapo, escrevi o que queria e o entreguei a ele. Taehyun leu e, sem se importar nem um pouco, passou o papel para Namjoon. Ele franziu o cenho e entregou a um empregado, que levou o pedido até Taeyhung. Taeyhung leu e me olhou. — Eles vão resolver. Não se preocupa — disse, olhando para Taeyhung, que apenas deu de ombros e voltou a comer. Namjoon também não pareceu se importar. — Então… qual é a sua idade? — insistiu Taehyun, com um brilho esperançoso nos olhos. — Vinte e quatro anos. Nascido no Oriente — respondi de forma lenta e quase dolorosa. Era a primeira vez que dizia minha idade verdadeira a outras pessoas — e logo pessoas que eu acabara de conhecer. — Uau… então você é meu hyung. E do Hobi também, já que ele só tem vinte e três — disse, surpreso. Ao olhar em volta, percebi os olhos de Taeyhung fixos em mim. Sustentei o olhar. — Mentira que você tem vinte e quatro — disse ele, inconformado. Inclinei a cabeça, confuso. — Você parece muito mais novo. — Concordo — disse Namjoon. — Se fosse para chutar, eu diria vinte… ou até dezenove. É difícil acreditar que você tem vinte e quatro com essa cara de quem acabou de sair das fraldas. E voltou a comer, como se não tivesse acabado de me insultar. — É verdade — concordou Taehyun. — Se você observar bem, dá mesmo pra duvidar da sua idade. Mas que você é bonito, ninguém pode negar. Todos concordaram. Menos Jenny. — Por que não, Jenny? — perguntou Taehyun, encarando-a de forma nada amigável. Ela limpou os lábios com o guardanapo após beber um gole de sua taça. Sua postura era rígida; enquanto os outros pareciam relaxados, ela estava tensa, como se minha presença fosse um incômodo. — Vocês veem o exterior. Eu vejo o interior — disse, fitando-me diretamente. Não gostei nem um pouco. — E o que eu vejo é alguém que pode nos prejudicar. Ele claramente usa métodos baixos para conseguir o que quer, e sua personalidade é um enigma, assim como a própria vida. Vocês já se perguntaram por que ele— Foi interrompida por um estrondo que assustou a todos. De repente, uma onda de feromônios me atingiu, fazendo-me perder o equilíbrio por um instante. O cheiro era surpreendentemente confortável — floral, como um jardim de girassóis recém-regado. Então vi o dono daqueles feromônios. Ele era lindo. Magro, mas com um corpo bem definido. Os cabelos pretos, penteados em um topete charmoso, emolduravam um rosto de olhos negros brilhantes como estrelas. Seus lábios formavam um sorriso em formato de coração. Sua energia era cativante e contagiante… mas escondia uma aura perigosa quando ameaçado. — Taetae! — chamou, correndo até Taeyhung. Ele o recebeu em seu colo. De perto, percebi: era um Ômega. — Senti tantas saudades tuas — disse, antes de começar a beijá-lo. Aquilo me constrangeu. Não estou acostumado com demonstrações de afeto. — Eu também senti saudades, Hobi — respondeu Taeyhung, segurando sua cintura de forma possessiva. — Estava te esperando. Já servi o teu prato. Isso só fez com que Hoseok envolvesse o pescoço dele com braços e pernas, distribuindo beijos pelo rosto do Alfa. Senti enjoo. Taehyun riu da minha expressão. — Hoseok, modos à mesa, por favor — repreendeu Jenny, de forma ríspida. Vi o maxilar da Jenny travar, e por um milésimo de segundo senti seu aroma azedar. Ela cheirava a amoras — um cheiro forte, sexy e dominante, mas que não agradava a todos. — Ponha-se no seu lugar, cobra-caninana — respondeu, sem se importar. Jenny abriu a boca para retrucar, mas a senhora idosa ao seu lado tocou-lhe o braço. Ela suspirou e voltou a comer. Sem muito a dizer, fiz o mesmo. Mas novamente senti olhares sobre mim. Levantei a cabeça e encontrei Hoseok me encarando, ainda sentado no colo de Taeyhung, enquanto ambos comiam. — Quem é você? — perguntou. Aqui, ninguém parecia se importar com desconforto alheio. Suspirei, mas antes que eu respondesse, Taehyun se apressou: — O nome dele é Min Yongui, tem vinte e quatro anos e veio do Oriente — falou sem filtros. Tagarela. — O hyung veio com ele, acho que se conheceram na Torre. Agora não se desgrudam. Aí, quando ele disse que era o Ômega dele… parecia até protagonista de filme. Terminou com um sorriso debochado. O clima, que já estava instável, ficou tenso. Hoseok virou-se lentamente para Taeyhung, fuzilando-o com o olhar, como se pensasse em mil formas de exterminá-lo. Taeyhung empalideceu. Sem dizer nada, Hoseok saiu de seu colo e sentou-se à cadeira à direita dele. Vi Taeyhung lançar um olhar mortal para Taehyun, que apenas ria, como se nada fosse sério. Hoseok voltou sua atenção para mim. — Qual é a sua relação com o meu Alfa? — perguntou, ríspido. Jenny bufou. — O que foi? — Hoseok perguntou, olhando para ela. — Acho incrível você ainda chamá-lo de Alfa depois do que acabou de ouvir — respondeu, debochada. — E eu acho incrível você ainda estar viva depois de ter sido rejeitada e trocada por mim por esse mesmo Alfa — retrucou Hoseok, sem piedade. Taehyun gargalhou. Outro garoto precisou conter o riso. — Eu não tenho nenhuma relação com ele — falei por fim. Todos os olhares se voltaram para mim, surpresos. Acho que não esperavam que eu falasse. — Então por que está com ele? — Hoseok insistiu, desconfiado. — Deixa-me te fazer uma pergunta — encarei-o. Ele assentiu. — Se você fosse responsável por duas chacinas e ainda estivesse sendo procurado por fugir de uma das maiores prisões já construídas na Ásia… carregando algo que eles consideram extremamente importante… você não se juntaria a alguém forte, poderoso e influente? Ele pensou. Concordou com a cabeça. Olhei em volta. Todos estavam de olhos arregalados. — Além disso… — continuei, deixando a frase suspensa — eu não gosto de Alfas. O silêncio foi absoluto. E isso era só o começo. Ainda havia muito que eles não sabiam sobre mim
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