3 -- 👀Olhos na escuridão👀

1318 Palavras
'Novamente me encontrava naquela escuridão que me acompanha desde que me entendo por gente. Um lugar tão familiar, mas desconhecido ao mesmo tempo. — Ele está aqui — ouvi uma voz dizer. Quando olhei para trás, encontrei o dono da voz. Olhos cinzentos me encaravam intensamente. — Você tem certeza? — perguntei. — Claro, eu o sinto — ele respondeu. Desde que me lembro, esses olhos têm me acompanhado na minha jornada. Graças a eles, consegui me vingar de quase todos que contribuíram para o nosso sofrimento. Esses olhos são o mais próximo de um amigo que eu tenho. O restante só me serviu de saco de pancada. — Te sinto incomodado. O que se passa? — ele perguntou, ainda me observando. — Não basta estar preso novamente. A prisão ainda tinha que ser rosa — suspirei. Eu odeio a cor rosa. — Eu acho bonito. Combina com a tua aura angelical — falou, debochado. — Você deve estar achando hilário me ver nessa prisão da Barbie — disse, irritado, e o ouvi rir. Aquela risada angelical que eu aprendi a imitar. — Realmente é engraçado ver tudo cor-de-rosa. Eles se esforçaram muito só para te agradar em tão pouco tempo — comentou, pensativo. — O que foi? — perguntei, curioso. — E que tal se você agradecer e se mostrar inofensivo durante um tempo? — sugeriu. — Se demorarmos, é capaz dele fugir — retruquei. — Não acho que ele vá fugir. O destino dele já foi selado… Ele morrerá pelas nossas mãos.' --- Acordei, já me irritando com a visão do teto rosa. Isso é torturante. Sentei-me, espreguiçando-me e coçando os olhos. — Bom dia, princesa. Dormiu bem? — um dos guardas perguntou. Apenas acenei com a cabeça, ainda sonolento. — Pelo menos isso. Aqui está o teu pequeno-almoço — ele estendeu a bandeja para mim, coberta. Após isso, retirou-se. Fiz minha higiene matinal. Não tinha todos os produtos que gosto de usar, mas fazer o quê? Voltei para o quarto, retirei a tampa do prato e dei graças aos céus por não ser papa de aveia. Meu pequeno-almoço se resumia a ovos mexidos, bacon, frutas picadas, pão tostado e suco de laranja. Realmente, essa prisão é muito melhor do que a outra. Comi com gosto, como se nunca tivesse comido antes. Estava delicioso, não podia negar. Eu sabia que estava sendo vigiado, mas o mais estranho era que essa sensação não vinha apenas das câmeras… Havia outra coisa ali. Olhei para a outra cela. Estava tudo escuro. Quando, de repente, meus olhos se conectaram com dois pontos vermelhos, tão intensos que pareciam ver a minha alma. Meu corpo estremeceu. Ao terminar de comer, aproximei-me das grades — a parte que conectava minha cela à da frente. De repente, comecei a ficar sonolento. O que era aquilo? Por quê do nada? Era como se eu estivesse novamente naquela sala… como se estivessem me preparando para… Apaguei. --- 'Novamente naquela escuridão… — O que aconteceu? — perguntaram os olhos acinzentados. — Eu não sei. Só sei que não gostei — respondi, nervoso. — … — Você precisa me acordar agora. Tenho um mau pressentimento — falei, inquieto. — Calma. Vamos resolver isso com cuidado — ele respondeu — Mas lá vai…' --- Acordei com alguém me pegando no colo. Num movimento rápido, saltei dos braços dele e encostei-me na parede, em posição de ataque. — Calma, sou eu… o cara que te deu comida mais cedo — disse ele, levantando as mãos em rendição. — Eu só ia te deitar na cama. Tinhas desmaiado no chão gelado e não queria que pegasses um resfriado. Pelo seu cheiro, percebi que não estava mentindo. Relaxe um pouco, mas não baixei completamente a guarda. Ele suspirou em alívio quando percebeu isso. Quase deixei meu disfarce cair. Yongui off Autora on Noutra sala do mesmo edifício estavam o Promotor Choi, o Detetive Hun, o Cientista Kyoko e a Geneticista Kyoka. Todos estavam em choque com o que acabaram de ver. — Têm certeza de que havia sonífero na comida? — perguntou o Promotor, olhando desconfiado para os irmãos. — Claro. Fui eu mesma quem preparou aquela refeição — respondeu Kyoka, contrariada. — Aquilo é capaz de derrubar um elefante, mas ele não demorou nem cinco minutos para acordar — afirmou Kyoko, vidrado na tela onde aparecia o Omega. Eles não estavam apenas surpresos por ele ter acordado — estavam fascinados. Ele não era apenas um ser humano diferente… Ele era um Omega. — Então, Promotor… já acredita que foi ele? — provocou o detetive. Mesmo depois de ver o vídeo, o Promotor ainda tinha dúvidas. Para ele, Omegas eram criaturas inofensivas, incapazes de ferir alguém — quanto mais cometer um assassinato. No fundo, ele queria que aquele Omega fosse declarado inocente só para poder reivindicá-lo como seu. Ele queria possuí-lo. Quebrá-lo por dentro. Tê-lo. Mesmo que tivesse que ir contra todos. Autora off Yongui on Já se passavam dois dias desde que estou aqui preso, sem ver a luz do sol. Acho que é exatamente isso o que eles querem. Percebi que colocam sonífero na minha comida — pelo menos duas vezes por dia: no pequeno-almoço e no almoço. Além disso, comecei a sentir um cheiro estranho. Amadeirado, com algo de terra molhada… Não consigo explicar. Só sei que esse cheiro me acalma de uma forma quase assustadora. Ainda não sei o que há na outra cela. Só sei que todos os guardas e detentos têm medo dela. E sempre que olho para lá, vejo apenas escuridão… e, depois, aqueles olhos vermelhos. Olhei para o relógio: quase duas da manhã. Não consigo dormir. Desde que percebi o que fazem à minha comida, confiar tornou-se impossível. O guarda — Jhon — é o único que não me olha como se eu fosse um objeto ou uma presa. Ele parece apenas fazer o seu trabalho. Mas eu não confio em ninguém. Fui tirado dos meus pensamentos por uma voz grossa e rouca, vinda da outra cela — e meu corpo inteiro estremeceu. — Pode dormir… — disse ele, os olhos vermelhos brilhando novamente na escuridão. — Vou garantir que nada perturbe o seu sono. Eu não sei como… mas apaguei. --- 'Voltei à minha escuridão, familiar e aconchegante. — O que…? — não havia palavras. — Eu também não entendi — respondeu os olhos cinzentos. — Quem é ele? — Não sei… mas, por enquanto, é melhor ignorar — sentei-me ao lado dele. — Precisamos começar a agir. Ele suspirou. — Eles querem fazer alguma coisa connosco. Por isso o sonífero. Você não pode mais comer nada do que eles te dão. — Ótimo… agora vou morrer de fome — dramatizei. — Pare com isso. Você m*l sente fome — respondeu, aborrecido. — Obrigado por me lembrar desse detalhe horrível — fingi uma lágrima. — Chega de brincadeira. O que você descobriu? — O prédio tem vinte e quatro andares. Só este edifício já parece um labirinto. As armas são personalizadas, há câmaras em todos os cantos e os elevadores só abrem por impressão digital. Ouvi eles falarem de uma falha no sistema, mas não sei qual é. — Isso você ouviu… ou alguém te contou? — ele desconfiou. — A maior parte eu ouvi. — Estamos no 23º andar. O de cima é apenas a sala do diretor, acessível por um elevador especial. A sala de segurança fica no 20º andar e o laboratório no 15º… É lá que o nosso alvo está. — E como vamos chegar até lá? — perguntei, impaciente. — Precisamos encontrar uma brecha e… Ele parou de repente. — O quê? — comecei a me sentir inquieto. — Você precisa acordar. Agora!' --- Abri os olhos e percebi não estar sozinho na minha cela. Os olhos vermelhos estavam ali… dentro da minha própria cela… me encarando de perto. — Eu sei do seu segredo — ele murmurou.
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