Quando sente alguém puxando seu braço com força.
— Ai p***a. — rolou os olhos ao ver a velhota, tal de Clarice a olhando com cara de poucos amigos. — Enlouqueceu vovó? Quer me matar de susto? — Any cruzou os braços. — Quanto cobra pra assustar uma casa com três crianças?
— Me respeite sua pequena vagabunda! — a mulher levantou a mão pra bater nela, mas Any segurou com força.
— Se bater em mim eu quebro a senhora na porrada! Pode me explicar que p***a é essa? Por que está me chamado de vagabunda? — "p" da vida.
— É isso que você é! Sua imoral, não tem vergonha na cara?
Any a olhava com a cabeça erguida e o nariz empinado.
— Sabia que o Joshua é um homem CASADO? CA-SA-DO menina!
— E eu com isso?
— Ontem eu vi, vi você fazendo imoralidades com ele! — a mulher falava como se aquilo fosse o fim do mundo.
Any engoliu o seco. Que droga!
— Está dando em espiar agora? — disse abrindo um sorriso irônico. — O chefinho deixou a ordem pra NINGUÉM entrar!
— Eu já desconfiava dessas reuniões, você é uma sem vergonha! Como pode?
— Para com isso, não é por que a senhora nunca deu pra ninguém que eu sou obrigada a ser igual. É isso que a senhora tem, falta de sexo!
— Escute aqui, sua moleca! — a puxou pelo braço.
— ME LARGA!
— Se não sair da empresa hoje mesmo, eu vou enviar isso diretamente para a caixa de e-mail da senhora Beauchamp!
— E o quico? Por que ainda não enviou? — Any deu de ombros, fazendo Clarice arregalar os olhos. — Acha que eu tenho medo dela? Uii que meda... — se tremendo de leve. — Como você já sabe, eu sou AMANTE do presidente e se eu quiser você está na rua. Não tem nada que eu peça que ele não faça. Ele ama a mim.
— Doce ilusão, você não passa de uma qualquer!
— Sou melhor do que a senhora. Sendo ou não uma qualquer. Eu sei que me odeia desde que eu cheguei, mas se sua intenção é me ver longe daqui, vai esperar sentada queridinha. — saiu com o nariz empinado, velha abusada.
¨¨¨¨
Joshua falava com Sofya ao telefone, a esposa insistia para que fossem pela parte da tarde visitar os pais dela.
— Sofya, eu estou cheio de trabalho eu não posso te acompanhar. — ele explicava pela vigésima vez. — Porque eu tenho que ir? Os pais são seus.
— Por que eu quero ir visitar meus pais acompanhada do meu marido. — ela disse claramente.
— Pois então marque outro dia, hoje eu não vou poder.
— Josh, eu quero visitar meus pais HOJE, e você vai me acompanhar querendo ou não querendo! — bufou. — Que droga coelhinho, você não me dá nenhum valor. — disse chorosa.
— Eu já disse mil vezes que estou cheio de trabalho Sô... — ele passou a mão no rosto, buscando paciência em algum lugar do seu subconsciente.
Any entrou com cara de poucos amigos, trazendo o café que ele tinha pedido. A cacheada pôs o café na mesa e fez mimica para que ele desligasse logo a droga do telefone.
— Baby Blue, então está combinado não é? — ela disse ignorando o que ele tinha dito há pouco. — Uma da tarde, Rupert e eu passaremos aí para te buscar.
— Sofya, por favor... — ele suplicou, mas a loira desligou o telefone. — Que droga! — rodou a cadeira.
— Droga mesmo! — Any disse, andando de um lado para outro.
— O que foi Any? — se virou para a cacheada.
— Clarice, aquela velha i****a! — acariciou os cabelos, com força.
Joshua deu um risinho.
— Any, quantas vezes eu já disse pra você respeitar a Clarice, não ligue pro que ela diz, já é de idade... — tomando um gole do café.
— Já é de idade? — ironizou. — Pois o que ela tem de idosa, tem que bisbilhoteira! Nem acredita o que essa velha fez!
— Ai minha cabeça... — ele fechou os olhos tomando outro gole de café. — Diga meu amor, o que ela fez? — perguntou ainda de olhos fechados, relaxando em sua cadeira.
— Ontem ela subiu durante a nossa transa. —
Josh abriu os olhos, arregalando-os de vez.
— Além de ter nos visto fazendo sexo, ainda tirou uma foto bastante íntima!
— Não, isso só pode ser uma piadinha. — ele negou com a cabeça enquanto ia até ela. — Você tem certeza?
— Claro que eu tenho, ela me mostrou a droga da foto, e disse que se eu não saísse da empresa, iria mandar a foto para a sua mulher.
Joshua pôs a mão na cabeça.
— E o que você disse?
— Que eu não ia sair e pronto e que se ela quisesse mandar que se dane. — o abraçando pelo pescoço.
— Você enlouqueceu não é? — ele a encarou com a expressão irritada.
— Enlouqueci por quê? — disse o soltando. — Se ela mandar é bom, que pelo menos a Sofya sai do nosso pé, de uma vez por todas meu amor... — ela mordeu o lábio. — Não é?
Josh a soltou e foi até o telefone com pressa. Any cruzou os braços, insatisfeita com a reação dele e sentou-se no sofá.
— Érica... — ele disse assim que a recepcionista atendeu. — Por favor, chame a dona Clarice na minha sala, urgente, o mais rápido possível. — desligou. — Any, você não deveria ter falado isso. — ele pôs a mão na cabeça, bastante aperreado. — Imagina se a Sofya descobre?
— E o que tem se ela descobrir? — Any indagou com a voz embargada. — Você mesmo diz todos os dias que me ama! Se me ama, o que essa mulher te importa tanto? — se levantou.
— Meu amor, você sabe que eu te amo, mas eu não posso me separar da Sofya dessa forma, tem que ser muito conversado neném...
— Pois eu não quero saber! — ela reclamou nervosa.
Clarice deu duas batidinhas na porta, e pôs a cabeça pra dentro.
— Chamou Joshua? — disse ela com uma expressão séria.
— Por favor, dona Clarice, sente. — apontou a cadeira.
A senhora encarou Any, que estava bastante irritada.
— Eu acredito que já imagine o porquê dessa conversa. — ele disse bastante constrangido.
— Sim, eu já sei... — encarou os dois com a cara mais feia do mundo. Any não estava nem aí pra ela. — Mas acho que não tem nada pra me explicar, senhor Beauchamp, eu não acho nada bom o que está fazendo com sua esposa que é uma pessoa tão boa e gentil, trocando-a por uma qualquer...
— Escute aqui, sua velha desgraçada, se me chamar de qualquer mais uma vez, eu vou esquecer que a senhora é idosa e vou descer a mão! — disse ela com os nervos a flor da pele.
— Por favor! — ele suspirou. — Se acalme Any. — se virou para a velha. — Dona Clarice, eu tenho muito respeito pela senhora, é uma das mais antigas funcionarias e tudo, mas eu peço, por favor, que não se meta nisso. O que quer que tenha visto ontem, eu sei que não foi uma cena muito agradável de se ver, mas não era permitida a entrada de ninguém enquanto... — ela o interrompe.
— Uma pouca vergonha! — ela disse encarando Any. — Não vê que essa garotinha não vale nada? Ela só quer destruir seu casamento. — apontou Any com desdém. — Sua esposa sim, é uma boa mulher.
Josh encarou a cacheada como se pedisse pra ela não ligar.
— Dona Clarice... — ele suspirou. — Isso é um assunto particular, pode ter certeza que eu tenho os meus motivos para fazer o que eu faço. E eu pediria, por favor, que a senhora não se metesse nisso, pode, por favor, me entregar à foto que diz ter?
— Isso não é justo senhor, eu...
— Por favor. — ele continuou.
A mulher pegou o celular e procurou a foto, depois que achou entregou pra ele, que ficou surpreso ao ver a imagem, era tão íntima e tão nítida que ele ficou extremamente sem graça na frente daquela senhora. Any apenas observava tudo, calada.
— Pretendia entregar isso pra minha esposa a troco de que? — ele disse mostrando o celular.
— Eu não vou nem um pouco com a cara dessa vagabunda por qual o senhor está trocando sua esposa... Queria que ela parasse de atormentá-lo. — parou de falar ao sentir alguém puxando seus cabelos quase a derrubando da cadeira.
Joshua levantou mais que depressa, antes que Any agredisse a velha.
— Any, por favor, para com isso! — ele pediu, afastando-a da mulher que arrumava os cabelos, assustada. — Ela é uma idosa, pelo amor de Deus...
— Você não vê que ela está me xingando? — Any o encarou, incrédula.
— Ignore! — ele disse, voltando a olhar para a mulher. — Dona Clarice, eu não quero mais saber desse assunto aqui na empresa. — pegou o celular da senhora e apagou a foto. — Se a Sofya ficar sabendo disso por outra pessoa que não seja eu, eu serei obrigado a afastá-la dos seus serviços. E por favor, não me obrigue a fazer isso, até por que é um assunto pessoal, bastante pessoal e íntimo meu. — entregou o celular dela. — Obrigado, está liberada.
A mulher se levantou, encarou Any com superioridade e saiu sem dizer nada. A garota se preparou pra sair também, mas ele a puxou pelo braço.
— Me larga! — soltou-se dele, que a olhou confuso.
— O que eu fiz? — ele perguntou.
— O que eu fiz? — ela o encarou com ironia. — O que você NÃO fez! Aquela mulher me xingou de todos os nomes possíveis e você sequer abriu a boca pra me defender!
— Meu amor eu...
— Já chega Joshua, eu vou sair pra almoçar. — ela se virou e foi saindo. — Espero que se divirta com sua mulherzinha na casa dos seus sogrinhos. — disse sem parar de caminhar, por fim saiu.
— Any, espera, por favor... — ele saiu e a encontrou arrumando a bolsa. — Sabe que eu não quero ir pra lugar nenhum.
— Não tem nada que se explicar pra mim... — disse ela colocando suas coisas dentro da bolsa. — Eu sou apenas uma vagabunda. — disse entrando no elevador com pressa.
Ele suspirou olhando a porta do elevador se fechar, não sabia o que dizer diante disso. Mas ele tinha certeza que ela não era uma vagabunda, ele a amava, só não sabia como fazer nessa situação.
Quando o elevador se fechou ela caiu no choro, encostou-se a parede do elevador e abraçou a bolsa com força. Não sabia por que, mas tinha machucado muito quando ele disse que não queria que Sofya descobrisse sobre ela.
Doeu ver aquela mulher chamando-a de tantos xingamentos e ele sequer a mandou calar a boca para defendê-la. Doeu notar que ele não se importou quando ela saiu chateada. Tinha doido sim, muito e ela estava cada vez mais certa de que o amava, de que não era apenas uma aventura. Estava apaixonada por ele.
Percebeu que o elevador iria abrir e tratou de enxugar suas lágrimas, não iria chorar na frente de ninguém, não queria que ninguém a apontasse como uma amante sofredora, tinha seu orgulho e isso ela não permitiria.
Saiu do elevador com a cabeça erguida e seu nariz empinado de sempre. Foi até seu fusca e o ligou com um pouco de dificuldade. Depois foi almoçar bem longe, queria respirar.
¨¨¨¨
Joshua estava pensativo até que é interrompido por um grito escandaloso, suspirou e pôs a mão no rosto, Sofya atravessou a porta com o chihuahua no colo.
— Baby Blue! — ela sorriu indo até ele. — Já cheguei! — disse colocando Rupert no rosto dele para que o cachorrinho recebesse um beijo.
— Notei. — deu meio sorriso dando um beijo na barriga do cãozinho.
Sofya lhe deu um selinho demorado.
— Onde está a vulgar a sua secretária? — procurando pelos lados.
— Sofya, respeita as pessoas. — ele pediu sentindo sua cabeça latejar. Ela deu de ombros. — Any já saiu pra almoçar.
— Ótimo, então vamos que mamãe nos quer para o almoço, ela está nos aguardando com o meu pai! Vamos coelhinho! — dando pinotes.
Josh estava completamente desesperado. Odiava ir à casa dos sogros. Sem ter escolha ele apenas assentiu e acompanhou a esposa.
O caminho não podia ser mais entediante, Sofya ficava falando sobre a novela, ou então sobre Rupert que machucara a patinha, e blá... Ele não estava ouvindo mesmo. Estava pensando em Any, não queria que ela pensasse daquela forma, teria que conversar com ela.
— Meu amor! — Sofya chamou.
— O que foi? — ele disse voltando a atenção pra ela.
— A casa dos meus pais já passou e você nem percebeu! — apontou pra trás. — Está no mundo da lua coelhinho!
— Desculpe, eu estou um pouco distraído. — fazendo o retorno.
¨¨¨¨
— Mamãe! — ela disse assim que entraram na luxuosa casa. — Eu disse que ele viria não disse?
— Oh querida. — abraçou Sofya e olhou Josh com um sorrisinho falso. — Como vai querido?
Josh apenas deu um sorriso de leve, Rosana era uma mulher tão superficial que ele se sentia m*l quando ficava muito tempo perto dela. Era dez vezes mais insuportável que Sofya.
— Bem Rosana, e você?
— Estou muito bem. — disse abraçando Sofya de lado. — Coloque Rupert pra fazer companhia ao Noel. — apontou o cãozinho da raça Yorkshire, Sofya assim o fez. — Xavier querido... Sua filha já está aqui. — disse assim que chegaram à sala de visita, onde o pai de Sofya resolvia alguns assuntos na internet.
— Boa tarde. — ele disse enquanto se levantava para cumprimentá-los. — Que surpresa boa Josh.