Capitulo 46

2631 Palavras
— Você sabe que não é assim. — ele mordeu o lábio. — Eu sempre amei você Any, amei você como nunca amei mulher nenhuma, a gravidez não tem nada a ver com isso e você sabe! — ele desabafou. — Mas você me cobra muito, só você quer atenção, só você quer carinho... Não é bem assim! — Ah não é assim? — ela ironizou. — Gostaria que eu dividisse minha atenção e meu carinho com outro homem? Gostaria que eu me deitasse com outro homem? — ele ficou pálido. — Gostaria Joshua? — ele ficou calado. — Me responda! — É claro que não. — a encarou com a expressão gelada, não gostando nada daquele assunto. — Any... — ele suspirou, mais passivo. — Eu devo imaginar que pra você deve ser muito difícil e desgastante me "dividir" com a Sofya, mas assim como você precisa de mim ela também precisa. Any secou os olhos e fez questão de gargalhar alto. Ele a encarou confuso. — E quem disse que eu preciso de você pra alguma coisa? — ela disse e ele suspirou. — Eu não preciso de você para droga nenhuma. — disse firme. — A única coisa que eu quero de você é distância Josh. — Pois eu não vou ficar distante de você. — ele negou com a cabeça. — Não estando grávida de um filho meu. — Esse filho é só meu! — ela berrou apontando a barriga. — MEU! — Mas que maluquice está dizendo? — ele ergueu a sobrancelha. — Estou dizendo que não quero você perto de mim nem do meu filho. — disse ríspida. — Mas isso é uma loucura! — ele arregalou os olhos. — Você não pode me separar do meu filho! — disse desesperado. — E por que não? — ela cruzou os braços. — Por que é tão meu quanto seu. — disse sério. — Any, nem sonhe com isso, por favor... — Não vai sentir falta dele, afinal de contas terá outro no quase no mesmo período não é? — ela riu debochada. — A Sofya diz estar com quatro meses de gravidez, um a mais que eu... Provavelmente nascerá antes e você nem vai sentir falta. — deu de ombros. — Como está a barriga dela? — indagou provocante. — Deve estar linda não é, eu estou só com três meses e já estou de barriga, quanto mais ela que está com quatro. — Isso não vem ao caso agora. — ele acalantou a garganta, nervoso.  Sofya não tinha muita barriga, mas segundo a loira era por que o bebê era pequenininho demais e o médico disse que era normal.  — O que está em questão agora é o nosso filho, não o filho da Sofya. — Claro... — Any concordou. — Até por que não existe, filho nenhum, essa mulher nunca esteve grávida. — riu debochada e ele rolou os olhos, cansado. — E no meu filho você não tocará em um fio de cabelo que for, essa criança é só minha! — Any... — ele pôs a mão no rosto, nervoso e irritado. — É serio, para gracinha, se você tentar algo para separar o meu filho de mim eu entro na justiça.  Ela gargalhou outra vez.  — Para de rir! — Pode me processar à vontade chefinho... — ela ria. — É só eu dizer que esse bebê não é seu, e os juízes não vão nem ligar. — piscou.  Ele arregalou os olhos. — Você não seria capaz de mentir para a justiça. — Tenta... — ela riu. — Tenta só pra você ver do que eu sou capaz. Para infernizar a sua vida, eu sou capaz de tudo senhor Beauchamp! É só esquecer que eu existo, esqueça que eu estou grávida, esqueça tudo! Que aí tudo ficará bem. — ela garantiu. — Aliás, não seria nada legal a sua mulherzinha ficar passando nervoso, oh... — pôs a mãozinha na boca. — Sabia que se continuar me enchendo o saco ela vai passar? Sim eu vou fazer questão de infernizá-la até não poder mais. — Quantos anos você tem? — ele perguntou. — Dois? — Dezoito anos mais velha. — ela riu. — E não adianta me chamar de criança, eu não estou nem aí para a sua opinião. — Eu não vou deixar você me separar do meu filho! — ele acusou. — Jamais Any, essa criança é nossa, tão minha quanto sua. — Ai que você se engana. A partir do momento que você escolheu ficar com a Sofya, você abriu mão de mim e quando abriu mão de mim, abriu mão do meu bebê! A propósito você lembra o que eu disse quando você tomou sua decisão? — o encarou, ele assentiu olhando para o chão. — O que eu disse? — ele ficou calado. — Diga. — Disse que não queria que eu procurasse você nunca mais... — rolou os olhos. — Não foi só isso... Diga o resto. — E que para você eu morri. — ela assentiu. — Muito bem. — Mas eu não consigo viver sem você Any... — ele disse a encarando. — Apesar de você ser doida, eu te amo. — E eu te odeio. — ela rebateu com perspicácia. — E eu te amo. — ele repetiu a encarando, nem ligando para a frieza dela. Sabia que ela jamais seria capaz de cumprir suas ameaças, jamais separaria ele do bebê, ele a conhecia com a palma de sua mão.  — Me dá um beijo vai? — disse pegando o rosto dela e abaixando para beijar-lhe os lábios. — Sai Josh! — disse se afastando. — Eu quero que vá embora! Me deixe em paz, esquece que eu existo! — ela disse se soltando e caminhando em direção ao portão de sua casa. — Any, espera. — ele foi atrás. — Me deixa em paz! — ela berrou. — Eu vou chamar o Brunão pra te dar uma surra se não parar de me encher. — o ameaçou. — Se acalma, eu só quero que saiba que eu vou assumir o bebê, apesar de você não querer mais nada comigo. — suspirou. — Eu vou te ajudar em tudo, vou dar tudo o que você precisar e ele vai ter tudo do bom e do melhor. — Poupe o seu dinheiro, não quero um centavo seu! — ela disse sem parar de caminhar. — Você vai precisar de dinheiro! — ele enfatizou. — Larga de ser orgulhosa, por Deus. — Sim, eu vou precisar! — ela berrou parando de caminhar e se virando até ele. — Mas eu posso muito bem arrumar um trabalho! Não estou morta, estou viva e posso arrumar um emprego a hora que eu quiser... — Não vou permitir que você trabalhe! — ele negou com a cabeça. — Pode fazer m*l para o bebê... — ela o interrompeu. — Gravidez não é doença! — ela rolando os olhos — E do meu bebê eu cuido. — voltou a caminhar. — E não se preocupe Josh, ao contrário da Sofya, eu não me matarei. — disse abrindo o portão. — Uma dica, esqueça que vai ser pai de um filho meu, por que pra mim e para o meu filho, você não existe. — entrou. Ele ficou olhando-a irritado. Não iria permitir que Any afastasse seu filho dele, assim como ela, ele também tinha todo o direito sobre aquele bebê. Entrou em seu carro e resolveu ir embora, amanhã seria outro dia e talvez Any estivesse mais calma. Any entrou em seu quarto e começou a chorar dolorosamente enquanto deitava em sua cama, não era possível que estivesse mesmo grávida daquele i*****l, sua vida estava acabada, não tinha noção do que faria pra cuidar daquele bebê, nunca teve um mínimo de paciência com crianças, pior ainda com recém-nascidos.  Abriu seu criado mudo e tirou de lá o exame, o deslacrou ainda com uma pontinha de esperança que fosse uma pegadinha de Josh, mas negou com a cabeça ao ver que aquela merda dizia a mesma coisa. — MALDITO! — ela berrou rasgando o exame em pedaços, enquanto abraçava seu ursinho e voltava a chorar.  Ficou ali, pensando em como olharia para seus pais e diria que estava grávida, e pra piorar de um homem casado. Seu pai ficaria muito decepcionado com ela, já estava vendo ele olhando-a com aqueles olhos carregados de decepção... — Oh meu Deus! — pôs a mão na cabeça.  Desceu a mão na barriga e a tocou outra vez. Não podia ter um filho. Não queria ser mãe.  — Odeio você Josh! — murmurou.  Se Joshua não tivesse lhe enganado e ficado com ela, não estaria passando por isso, estava com ele e bastante feliz esperando aquele bebê, mas Sofya estragou tudo, aquela coelha maldita! Josh ainda se arrependeria por isso, ah sim, se arrependeria amargamente. Não demorou a que ela adormecesse. ¨¨¨¨ Joshua chegou em casa e viu Sofya dormindo, passou a mão no rosto e se aproximou dela, não amava a loira, não sentia nada por aquela mulher além de um grande afeto e agora Any também estava esperando um filho seu, cujo ele jamais abriria mão. Estava em um fogo cruzado. — Coelhinho da mamãe... — ouviu a voz dela sonolenta. — Oi Sô. — ele sorriu de leve. — Vai dormir comigo hoje? — disse dengosa. — Não, só vim ver como estava. — ele suspirou e Sofya fez um bico. — Como se sente? — m*l, você não me dá atenção.  Joshua rolou os olhos.  — Por favor, coelhinho, dorme comigo... — Não Sofya, eu estou indo para o meu quarto. — ele pôs a mão no bolso. Sofya o encarou com certa irritação, durante todo esse tempo não tinha progredido nada, não conseguia fazer Joshua voltar a dormir com ela e a vida íntima dos dois já não existia mais, não sabia mais o que fazer.  Seu tempo de "grávida" já estava se esgotando e não conseguira fazer droga nenhuma pelo seu casamento. — Você ainda gosta daquela v***a da Any Gabrielly, não é? — disse caindo no choro. — Odeio essa garota, ela só apareceu pra acabar com a minha vida. — Você sabe que sim Sofya, sabe que eu amo a Any... — ele coçou a nuca, sendo sincero. — Mas eu não estou aqui com você? — a loira assentiu. — Não é isso que importa? — Mas não é a mesma coisa, você não se importa comigo e ainda diz na minha cara que ama outra. — amargurada. — É claro que eu me importo com você Sô. — ele se aproximou e deu um beijo na testa dela. — Mas eu não posso negar que o que eu sinto por ela é muito forte e... — Sofya o interrompeu. — CHEGA! — ela gritou, o assustando. — Sai daqui! — se virou e se cobriu com o edredom. Joshua ia falar, mas viu que não teria jeito e desistiu. Saindo para seu quarto. — Maldita cabelo de assolam. — ela reclamou antes de tentar dormir outra vez. ¨¨¨¨ No dia seguinte Any acordou dolorida, por ter dormido de muito mau jeito. Olhou para o chão e viu o exame todo rasgado jogado ali e tudo veio à tona outra vez, a sua gravidez, a conversa com Josh no dia anterior e todo aquele pesadelo.  Ela negou com a cabeça e levantou-se, entrou no seu banheiro e se olhou no espelho, estava horrível, sua maquiagem estava toda borrada devido às lagrimas e um pouco de olheira pelo tanto que chorara.  Despiu-se e entrou na ducha, tomou um banho quente para relaxar, lavou os cabelos e saiu do banheiro se sentindo melhor, olhou-se no espelho e encarou sua barriga, estava ganhando forma e logo começariam a notar... Merda. Como ela não se tocou antes? — Você sabia, só não queria acreditar Any. — ela concluiu tristemente enquanto se vestia.  Vestiu uma sainha jeans e uma blusinha de alças, juntou os papéis que estavam jogados no chão e os jogou no lixo.  Desceu as escadas e encontrou seus pais tomando café junto com Sabina. — Está de brincadeira que você já está acordada? — Sabina riu tomando um gole de café. — Pois é, não dormi muito bem essa noite. — a cacheada disse. — E o pagode terminou que horas? — perguntou confusa. — Não sei, eu vim embora antes... — murmurou, coçando o olho. Os pais e a irmã ficaram um pouco surpresos, pois sempre Any era a última, ou então a penúltima a sair de alguma festa. Mas não deram muita corda. — Senta filha... — Priscila disse. — Toma um cafezinho, eu acabei de passar. — Não estou com fome mamãe. — ela mordeu o lábio. — Eu vou à casa da Sina. — Filha não pode sair de casa com o estômago vazio... — a mãe insistiu. — Come alguma coisa, anda. — Está bem. — ela sorriu de leve, pegando um pedaço de pão. — Vou comendo.  Priscila assentiu mais tranquila. A cacheada saiu de casa e foi até a casa de Sina. Mari lhe recebeu e disse que Sina ainda estava emborcada na cama. A garota riu e subiu, encontrando a amiga roncando alto. — Sina... — ela cutucou a loira, que se virou incomodada, sem acordar. — Acorda. — mordeu o lábio, angustiada. — Sai Any, eu estou com sono. — com bico. — Acorda logo. — disse puxando os cabelos dela. — Por favor, eu preciso de você... — Daqui a pouco eu acordo. — disse se agarrando ao travesseiro. Any sentou-se vencida e começou a chorar baixinho. Sina ouviu os soluços dela e abriu os olhos, preocupada.  — Ei... — ela sentou-se. — O que foi porrinha? — Minha vida acabou. — ela disse, enquanto Sina a abraçava. — Ai Any, não acha que já está bom de chorar por ele? — disse acariciando os cabelos dela. — Esse o****o não vale suas lágrimas. — coçou o nariz, ainda sonolenta. — Não é isso. — suspirou enxugando as lagrimas, mas os olhos vermelhos diziam que ela não pararia de chorar. — Estou grávida Sina... Grávida do Josh. — Oh amiga... — a loira não parecia surpresa. — Não chora vai. — disse compadecida. — Eu sabia que você se tocaria disso em um momento ou outro, eu nunca confiei naquele teste. — O que eu vou fazer Sina? — soluçando. — Meus pais vão me matar quando souberem, eu quero morrer. — Any, eu estou aqui. — apertou a mão dela. — Você não está sozinha nessa amiga. Eu vou te apoiar em tudo o que você precisar. — Sina... — encarou a amiga. — Eu não quero ter um bebê, eu não quero ser mãe. — negando com a cabeça. — Com o tempo você mudará de opinião. — ela piscou sorrindo terna. A cacheada negou com a cabeça. — Não... — ela enxugou as lagrimas. — Eu quero abortar, quero tirar esse bebê, não quero tê-lo. — olhando para os lados, abraçando o próprio corpo. Sina arregalou os olhos, vendo a amiga começar a chorar outra vez. — O que Any? — ela tentou formular a frase. — Abortar? — Isso... — ela olhou as mãos. — Eu não posso ter um filho, eu não estou preparada pra isso. — Espera aí Any... — ela sentou-se melhor. — Essa história de abortar é uma loucura! Você tem noção do que está dizendo?  Any a encarou com tristeza.  — Além de você tirar a vida dessa criança, que não tem culpa de nada, você pode ter sérios problemas por isso, aborto não é brincadeira... Isso pode comprometer sua saúde.
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